Jornada Espiritual de 7 semanas- 21º
Dia
Jesus é a Resposta para o preconceito
Leitura Bíblica João 4:3-29
DO PRECONCEITO À
SALVAÇÃO
PR. ALEJANDRO BULLÓN
"Imaginemos
um marginal que agride física e sexualmente uma mulher e depois a mata. Você
acha que existe salvação para uma pessoa de sentimentos tão endurecidos? Você
conhece alguém que já desceu tão baixo na vida que as possibilidades de
recuperação são completamente remotas? Quer saber o que diz a Bíblia a
respeito?
No livro de São João lemos o seguinte: "Deixou a Judéia, e foi outra vez
para a Galiléia. E era-lhe necessário passar por Samaria" (João 4:3 e 4).
A Judéia ficava ao sul, a Galiléia na parte norte, e entre ambas estava
localizada Samaria. Qualquer pessoa que quisesse fazer esse trajeto deveria ir
em linha reta.
Os judeus tinham uma atitude estranha. Desviavam-se para o lado oeste,
atravessavam o rio Jordão e subiam pelo deserto. Quando percebiam que já tinham
passado Samaria, saiam do deserto e entravam na Galiléia. Com isso, andavam
vários quilômetros a mais.
Por que faziam isso? Por que gastavam tanto tempo e energia andando pelo
deserto?
A razão era simples: não queriam passar pela terra maldita dos samaritanos. Na
opinião deles, o povo de Samaria não era digno da salvação. Numa ocasião um
discípulo sugeriu que seria bom que caísse fogo do céu e consumisse aquela
gente.
Na opinião dos judeus, os samaritanos eram pessoas que tinham brincado demais
com as oportunidades divinas, tinham endurecido tanto o coração que para eles
já não restava esperança de salvação.
Mas o texto diz que era necessário que Jesus fosse à Samaria, porque para Ele
não existe gente sem esperança, para Ele não existe caso perdido.
Nós, os seres humanos, perdemos as esperanças facilmente. Com freqüência, sou
procurado por pais aflitos expressando a tragédia de seus filhos:
- Pastor, já fiz de tudo para ajudar meu filho. São anos de escravidão nas
garras do vício. A droga tem acabado com todos os seus sonhos, ideais e
valores. Acho que para ele já não há mais solução.
Existem esposas que perderam a alegria da vida porque o esposo tem sido infiel
aos votos matrimoniais. De nada adianta as promessas e decisões que o marido
toma. Na opinião da esposa, já não existe mais esperança de recuperação para
esse homem.
Devemos ser cuidadosos ao rotular as pessoas pensando que não existe saída para
elas, porque para Jesus não existe um caso perdido. Por isso, era necessário
que Ele fosse para Samaria.
Naquela região, especificamente na cidade de Siquém, vivia uma mulher, que na
opinião dos samaritanos, não tinha mais recuperação. Jesus a conhecia muito
bem; Jesus conhecia o vazio do coração daquela mulher. Tinha ouvido seu clamor
silencioso nas noites intermináveis de insônia que vivia atormentada pelo peso
da culpa. Por isso era-lhe necessário passar por Samaria. Jesus nunca permanece indiferente diante das necessidades do ser
humano.
O mundo cristão conhece a mulher samaritana como a pecadora que andava roubando
o marido de todas as mulheres da cidade. Mas poucos se detiveram a pensar nas
raízes do problema daquela mulher.
Ela não tinha nascido adúltera. Era uma mulher sonhadora que desde jovem
experimentara o vazio do coração humano. Era uma mulher sincera a procura de um
sentido para a vida. Andou por muitos caminhos, alguns deles escabrosos, a procura
de algo concreto, mas tudo o que achava, depois de tanto esforço, durava pouco
tempo.
Casara-se muito jovem pensando que o casamento preencheria aquela sensação
horrível de vazio que doía dentro do coração, mas o casamento não durou muito.
Outra pessoa em seu lugar abandonaria esse caminho. Ela não. Ela não se dava
por vencida facilmente.
Tentou de novo outros casamentos. Também não deram certo. A história bíblica
diz que ela tentou 5 vezes, mas o fim de todas essas tentativas foi o fracasso.
A samaritana continuava sendo uma mulher vazia. Os minutos de alegria lhe
escapavam como areia por entre os dedos.
O fato de passar de mão em mão pelos homens da cidade, era o grito desesperado
de seu coração procurando um sentido para a sua existência.
Pensemos um pouco na situação desta mulher. Todos os dias ela acordava, corria
ao banheiro procurando água e encontrava o cântaro vazio, apesar de tê-lo
enchido no dia anterior. Então pegava o cântaro vazio e dirigia-se ao poço de
Jacó para buscar mais água. Essa água só lhe duraria 24 horas. No dia seguinte
ela teria que retornar ao poço. Essa rotina era massacrante em sua vida: sempre
procurando alguma coisa e o que achava durava pouco tempo. Não era uma simples
leviandade que a levara a ter a fama de adúltera inveterada.
Amigo querido, é perigoso julgar as pessoas simplesmente pelos seus atos. Você
pode ver um bêbado jogado na sarjeta e pensar que é um pobre homem sem força de
vontade, mas não se apresse a condená-lo. Você não conhece os motivos que o
levaram a essa situação.
- Como? - você diz, - a Bíblia não ensina que as pessoas são conhecidas pelos
seus frutos?
É verdade, mas é verdade também que precisamos entendê-las pelas raízes.
O que leva um jovem a usar drogas? Sem dúvida nenhuma, a droga é uma fuga, e
quando a pessoa fica viciada é fácil cair no crime para sustentar o vício. Mas
qual foi o início de tudo isso? O que essa pessoa buscava nas sensações
alucinantes dos efeitos passageiros da droga?
Você já foi traído alguma vez? Não condene o amigo que o traiu. Tente
entendê-lo. O que o levou à traição? Que complexos esconde esse pobre homem por
trás de sua atitude covarde?
Todos temos uma herança genética, cultural, social e familiar que de alguma
forma influi em nossos atos. Todos temos motivações inconscientes que nos
assustariam se as entendêssemos completamente. Então, por favor, sejamos
misericordiosos com a samaritana. Vamos tentar compreendê-la antes de
condená-la.
Naquele dia, a samaritana saiu de casa com o cântaro nos ombros para cumprir a
rotina da sua vida. Mas aquele dia seria diferente; Jesus seria a diferença.
Ele sempre é a diferença entre o fracasso e o sucesso, entre as trevas e a luz,
entre o desespero e a esperança, entre o vazio e a plenitude.
O texto bíblico diz que Jesus estava sentado perto do poço, cansado da viagem.
Como? Jesus era Deus. Deus não se cansa. Mas na pessoa de Jesus, Deus se fez
homem para poder alcançar o pobre homem condenado à morte. Emociona-me pensar
em Jesus cansado. Pergunto-me às vezes, o que Ele viu em mim para deixar a
glória celeste e se fazer homem para me buscar? Nunca O entenderei! Mas o que
teria sido de você e de mim se Ele não tivesse vindo nos buscar?
O encontro com Jesus mostrou àquela mulher que além de vazia por dentro, era um
ser humano cheio de preconceitos.
Nunca saberemos na realidade quem somos até que nos encontremos face a face com
Jesus. Separados dEle, seremos incapazes de conhecer a nós mesmos. Separados
dEle, seremos vítimas fáceis do complexo de superioridade ou de inferioridade.
Jesus é o único capaz de mostrar-nos uma imagem equilibrada de nós mesmos.
Analisemos o encontro. É Jesus que inicia o diálogo. A iniciativa da salvação
sempre é divina. Não é o homem que quer ser salvo; é Deus que quer salvar o
homem. A nossa aceitação é simplesmente a resposta ao trabalho que o Espírito
está realizando em nosso coração. A iniciativa da salvação sempre é divina.
"... Dá-me de beber" (João 4:7).
Por que o Rei do Universo, o Criador do Céu e da Terra, o Dono de todas as
fontes de água, pede de beber?
"Se eu tivesse fome, não to diria, pois meu é o mundo e a sua
plenitude" (Salmo 50:12). Diz Davi. Por que então Ele pediu água a
samaritana?
Aqui, há algo que precisamos compreender. Deus nunca nos pede algo porque
precisa do ser humano. Ele pede porque tem algo maior para nos oferecer.
"Dá-me, filho meu, o teu coração..." (Provérbios 23:26).
Para que Deus precisa deste coração egoísta que temos? Ele pede porque tem algo
maior para nos oferecer. Não esqueça disso!
Voltemos aos preconceitos da samaritana. Ela não sabia que era preconceituosa.
Seus preconceitos se revelaram na presença de Jesus: "... Como, sendo tu
judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (porque os judeus
não se comunicam com os samaritanos)" (João 4:9).
Pobre mulher! Durante toda sua vida tinha carregado um vazio interior em seu
coração. Tentando preencher esse vazio, tinha andado por caminhos estranhos,
tinha se machucado e machucado muita gente. Tinha descido a um poço de angústia
e desespero. Sua vida não tinha brilho, nem alegria, nem maiores perspectivas.
Tudo era uma grande rotina que a asfixiava.
Agora estava ali, diante de sua grande oportunidade. Jesus tinha deixado tudo
de lado e dirigido-Se a Siquém para transformar sua vida, mas o preconceito
quase põe tudo a perder.
O preconceito tem trazido tanta dor à nossa vida! Não feche seus ouvidos à
Palavra de Deus simplesmente porque nasceu "samaritano". Não permita
que tradições e preconceitos o impeçam de analisar por você mesmo o plano que
Deus deixou para você na Sua Palavra.
Quer ver outro preconceito da samaritana? "... Senhor, tu não tens com que
a tirar, e o poço é fundo; onde, pois tens a água viva?" (João 4:11)
Não havia lógica na promessa de Jesus. Do ponto de vista humano, a mulher
estava certa. O poço era fundo e Jesus não tinha corda e nem balde para tirar a
água. Como podia oferecer algo que humanamente era impossível conseguir?
É pensando deste modo que muita gente sincera hoje fica carregando dentro de si
a sede permanente da insatisfação:
- Como pode Jesus resolver o meu problema? Dê-me uma explicação lógica.
Explique-me como isso se encaixa nos princípios da psicologia. Apresente-me
argumentos razoáveis; não me diga que tenho simplesmente que acreditar.
A resposta de Jesus não apresentou nenhum argumento que satisfizesse a
curiosidade lógica da samaritana. Ele se limitou a falar dos benefícios daquilo
que estava oferecendo. "... Qualquer que beber desta água tornará a ter
sede; mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a
água que eu lhe der se fará nele uma fonte d'água que salte para a vida
eterna" (João 4:13 e 14).
Era disso que ela estava precisando. Uma água cujos efeitos não acabassem
nunca. Estava cansada de soluções passageiras. Precisava de algo duradouro. Em
sua vida tinha tentado analisar as coisas logicamente, sempre tinha aceitado um
argumento depois de raciocinar muito em torno dele, mas de que tinha servido?
Quanto tempo tinham durado suas soluções lógicas? Por que não dar àquEle
estranho um voto de confiança? "... Senhor, dá-me dessa água, para que não
mais tenha sede, e não venha aqui tirá-la" (João 4:15).
Mas agora Jesus a confronta com o seu passado. Ela não podia continuar fugindo
dele e fingindo que estava tudo bem. Por mais doloroso que fosse, devia reconhecer
quem era. O médico só pode curar alguém que reconhece que está doente e que
quer ser curado. "Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido, e vem cá. A
mulher respondeu, e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não
tenho marido; Porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu
marido; isto disseste com verdade" (João 4:16-18).
Será que Jesus gosta de atormentar uma pessoa lembrando-a de seu passado? Não,
claro que não. Mas Ele sabe que para curar uma ferida, é preciso limpá-la,
embora isso possa doer. Não existe presente sadio sem um passado limpo. Não é
ignorando o passado e fingindo que nunca existiu que poderemos construir um
presente sadio. É preciso reconhecer o passado, a culpa e os erros para então
levá-los a Jesus. Nada de explicações. Ninguém precisa justificar seus erros. Erros precisam ser perdoados e corrigidos,
não explicados.
Conheci um jovem aparentemente fracassado na vida. Iniciara vários cursos
universitários e não concluíra nenhum deles. Tinha fracassado em dois
casamentos e os filhos não queriam ficar com ele. Não conseguia manter-se
empregado e qualquer empreendimento próprio terminava em falência.
Quando o conheci, ficou muito tempo tentando explicar seu insucesso. Jogava a
culpa nas ex-esposas, dizia que os filhos não queriam vê-lo porque "elas
faziam a cabeça das crianças". Queixava-se da falta de oportunidade,
criticava os ex-patrões, jogava a culpa no governo por causa da situação que o
país vivia e que não lhe permitia prosperar em seus empreendimentos. Enfim,
todo mundo era culpado. O fato de estar experimentando drogas era seu grito de
protesto contra a família e a sociedade.
Gastamos muito tempo conversando. Tentei confrontá-lo carinhosamente com sua
própria realidade. Nada mudaria se ele não limpasse a ferida infeccionada.
Teria que limpar o passado purulento, mas antes era preciso reconhecer que o
passado existia e estava cheio de erros.
Chorou, chorou porque doía sem dúvida. Mas caiu aos pés de Jesus e clamou:
- Senhor, dá-me de beber desta água para que nunca mais tenha sede.
E o Senhor abriu os braços e o recebeu.
O tempo passou. Hoje as coisas são diferentes. Reconstruiu o lar com uma das
ex-esposas, é um pai querido, um esposo feliz e um profissional realizado.
Esse Jesus maravilhoso está neste momento perto de você com os braços abertos.
Não permita que seus preconceitos o impeçam de abrir o coração e dizer:
- Senhor, dá-me dessa água para que nunca mais tenha sede.
Se você já correu muito por essa vida, procurando um sentido para sua
existência, experimente Jesus. Com Ele, a cultura, o dinheiro, o poder e a fama
ganham maior brilho. Tudo se encaixa, tudo tem razão de ser.
Abra o coração e aceite a Jesus
ORAÇÃO
Pai querido, estou abrindo o coração a Jesus. Tu conheces a minha história. Por
favor, responda esta petição sincera. Amém.