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terça-feira, 19 de junho de 2012

Estudando Salmos- 3


SALMO 3 – SOLUÇÃO PARA O DESESPERO

O Salmo 3 foi escrito quando Davi deixava o seu palácio. Mas por quê? Ia para alguma festa em comemoração às suas honras? Não. Ia de viagem para alguma nação, a fim de conhecer um outro reino? Saía do palácio a fim de se encontrar com um de seus heróis? Não. Ele deixava o palácio, a fim de fugir da revolta de seu próprio filho Absalão, que estava armado e seguido de uma grande multidão, ameaçando matar o seu pai, e usurpar-lhe o trono.

Davi estava contemplando as conseqüências de seu pecado de adultério com Bate-Seba e assassinato do seu marido Urias. Seus próprios filhos estavam se desviando do caminho da justiça por seu exemplo pecaminoso. E, agora, Absalão que matara o seu irmão Amnom, preparava uma conspiração contra o rei de Israel, que era o seu próprio pai Davi. Esse é o contexto do Salmo 3.

I – DAVI EM DESESPERO

Sal. 3:1-2: “1 Senhor, como tem crescido o número dos meus adversários! São numerosos os que se levantam contra mim. 2 São muitos os que dizem de mim: Não há em Deus salvação para ele.”

1- De onde procedem os muitos inimigos? No Salmo 2, vemos as multidões de ímpios das nações se levantando contra o Ungido de Deus. Agora, no Salmo 3, vemos as multidões dentre o próprio povo de Israel se levantando contra Davi, o ungido de Deus. De fato, cresciam os inimigos de Davi. Davi possuía inimigos de dentro e de fora. Ele tinha inimigos dentre as nações, inimigos no reino, inimigos na família, inimigos demoníacos das trevas, e a sua própria natureza era um inimigo interno contra o mesmo Davi. E agora Absalão roubava o coração do povo a seu favor, em detrimento do rei, e se avolumavam os inimigos.

2- Mas será que isso é história antiga? Temos inimigos na família, no trabalho, na escola, na rua, nos centros urbanos, no mercado, no governo, e até na igreja, estamos cercados de demônios, e ainda temos a nossa natureza pecaminosa que conspira contra nós! Temos inimigos e adversários de dentro e de fora de nossa vida! À medida que crescemos, podemos dizer com o salmista: “Senhor, como tem crescido o número dos meus adversários!”

3 - Então Davi ficou angustiado, vendo o seu próprio filho se levantar contra ele. Conheço um pastor cujo filho se alterou contra ele e disse: “Eu vou colocar você na justiça!” Temos ouvido muitas histórias de revoltas dos filhos contra os seus pais, e vice-versa. Num tempo em que os pais se levantam contra os filhos e os filhos se levantam contra os pais, podemos dizer com o salmista Davi: “Senhor, como tem crescido o número dos meus adversários! São numerosos os que se levantam contra mim!”

4 – O que diziam os inimigos?  Davi ficou desesperado quando sentiu o poder do veneno da língua dos inimigos que diziam: “Não há em Deus salvação para ele!” Estas palavras produziram um profundo pesar em Davi, mesmo vindo de adversários. Esta é a mais amarga de todas as aflições: temer que não haja consolo nem salvação para nós em Deus.

5 – É importante o que os outros dizem a seu respeito? Sim, é muito importante, porque pode nos influenciar positiva ou negativamente. Mesmo Cristo quando esteve aqui na Terra ansiava pela simpatia humana, e perguntou certa vez aos Seus discípulos: “Quem diz o povo ser o Filho do Homem?” (Mt 16:13). Cristo estava interessado no que os outros diziam dEle, porque sabia que era muito importante o que os outros dizem acerca de nós.

6 – Algumas pessoas falam: “Não se importe com o que os outros dizem! Viva a sua vida!” Este é um bom conselho, mas na prática, ele não consola, porque a realidade é muito diferente. É importante o que os outros dizem a seu respeito, e é muito importante o que você diz dos outros, porque os resultados podem ser benéficos ou nefastos.

(1) Saul teve um problema com o que os outros disseram dele. Após a vitória de Davi sobre o gigante Golias, o coro das mulheres de Israel influenciou negativamente ao rei Saul, “só” porque cantavam: “Saul feriu os seus milhares; porém Davi, os seus dez milhares!” (1Sm 18:7). “Então, Saul se indignou muito, pois estas palavras lhe desagradaram em extremo; e disse: Dez milhares deram elas a Davi, e a mim somente milhares; na verdade, que lhe falta, senão o reino?” (1Sm 18:8).

(2) Aitofel teve um problema com o que os outros disseram dele. Ele era um grande conselheiro nos tempos de Davi, e tinha a fama de ser muito sábio, e bem acatado em tudo o que dizia. Entretanto, bastou por uma só vez ser desatendido e desprezado o seu conselho por outro, bastou que alguém dissesse que desta vez o seu conselho não era bom, que ele armou a forca e se suicidou.

7 – Davi ficou abalado com o que os seus inimigos diziam dele, porque ele estava muito consciente de que caíra em pecado grave, contra Deus, contra Urias, contra Bate-Seba, contra a nação, e contra a sua própria família, além de manchar o seu próprio corpo, que era o templo do Espírito Santo, sobre quem ele agora clamava:  “Ó Deus... não me retires o Teu Espírito Santo” (Sl 51:10-11). Ele sabia que a causa de suas maiores aflições estava em seu pecado. E ele temia ser deixado fora da graça de Deus.

8 – Davi entrou em desespero. Ele ouviu a opinião dos inimigos a seu respeito, e acreditou neles, e entrou em pânico, de tal modo que ao fugir apressadamente do palácio, disse, para os poucos homens ao seu lado: “Levantai-vos, e fujamos, porque não poderemos salvar-nos de Absalão.” (2Sm 15: 14). E ele tinha razão; se ele não fugisse, o seu filho o mataria dentro do seu próprio palácio.

II – DAVI TEM CONFIANÇA

Sal. 3:3: “Porém tu, Senhor, és o meu escudo, és a minha glória e o que exaltas a minha cabeça.”

1 – Na vida de Davi sempre há um “Porém”. Ele era um pecador, ele cometeu um pecado grave, os seus filhos o acusavam, as suas esposas o repeliam, os seus oficiais o repreendiam, o profeta Natã o censurou, o povo falava mal dele, Deus o castigava, Absalão juntamente com milhares de traidores se ajuntaram contra ele. Davi estava condenado à morte. Ele certamente, não escaparia, porque não seria melhor do que Saul, que aparentemente, era menos culpado e foi morto! Mas Davi tinha confiança em Deus.

 2 – Ambos fizeram confissão de pecado. Saul disse: “Pequei!” diante de Samuel (1Sm 15:24). Davi disse: “Pequei!” diante de Natã (2Sm 12:13). Ora, se ambos fizeram a mesma confissão do pecado, por que Saul foi condenado e Davi foi salvo? A diferença estava na confiança: Davi tinha confiança em Deus. Ele colocara toda a sua confiança no Eterno, ao se recompor e dizer: “Senhor (Yahweh, Eterno), és o meu escudo, és a minha glória e o que exaltas a minha cabeça.” Em outras palavras: “Senhor, Tu és a minha proteção; és a minha honra e Tu restauras o meu trono!”

3 – Os inimigos disseram: “Não há em Deus salvação para ele!” Mas Davi dissera: “Senhor, Tu és o meu Escudo!” Senhor, os meus inimigos estão dizendo que não há em Deus salvação para mim; entretanto, eles não sabem que Tu és o Meu Auxílio e Proteção mesmo contra eles! E Davi foi poupado. Quando as pessoas falavam mal dele, Davi se dirigia a Deus, declarando toda a sua confiança no Eterno.

4 - Porventura, as pessoas estão dizendo: “Você não tem jeito, você está acabado, você vai se dar mal! Você está perdido!”? Não acredite! Não permita que os outros digam que você não é querido ou querida! Do Céu o Senhor contempla a todos a quem Ele ama, para ver quem realmente confia nEle! Quando os outros falam de você, você tem alguma palavra para dizer sobre o que você pensa de Deus? Todas as coisas podem mudar se você disser a Deus, sinceramente: “Senhor, Tu és o meu Escudo, o meu Protetor, o meu Salvador!”  

5 - Davi clamou a Deus. V. 4: “Com a minha voz clamo ao Senhor, e ele do seu santo monte me responde.” Davi tinha tanta confiança, que era capaz de orar e saber que seria respondido pelo Deus do Céu. Mas há condições para ser atendido. Davi não orava de modo formal, intelectualmente ordenado em suas petições; ele clamava a Deus com toda a sua alma, com fervor e devoção, colocando todo o seu empenho em confiança, sabendo que Deus haveria de responder, mesmo antes de ele ver alguma evidência da atuação divina.

6 - Na última Guerra Mundial, m paraquedista e um capelão, ambos de origem belga, estavam presos em salas distintas; eles  não se comunicavam, nem podiam se comunicar e tampouco se conheciam. O paraquedista estava no mais profundo desespero, sumido em sua angústia. Ele havia sido telegrafista, ele conhecia o código Morse, e comunicou a mensagem de angústia que ia em seu coração, batendo na parede da cela e dizendo, por sinais de telegrafia: "Quão desesperador é estar sozinho." O capelão que estava preso na cela vizinha que também entendia o código Morse, ouviu a mensagem, traduziu-a e enviou outra mensagem para o prisioneiro ao lado; e a mensagem era diferente, dizia ele: "Quão venturoso é estar sozinho com Deus."

III – DAVI TEM SEGURANÇA

Sal. 3:5: “Deito-me e pego no sono; acordo, porque o Senhor me sustenta.”

1 – Disse Furtonchin, arcebispo de Nova York, que nos Estados Unidos da América são consumidos 6 milhões de sedativos cada dia. Homens e mulheres que não conseguem dormir. Não conseguem conciliar o sono natural, a noite se arrasta monótona, e eles buscam nestes sedativos, nestes tranqüilizantes, nestes barbitúricos afrouxar a tensão nervosa, buscam conciliar o sono, sono artificial. O homem moderno pode comprar um bom colchão de molas, mas não pode comprar um sono reparador.

2 – Davi tinha fortes razões para não dormir. Ele estava sendo traído por alguns de seus oficiais de confiança, ele foi traído pelo povo, ele foi traído pelo próprio filho Absalão, a quem ele amava. E após ser obrigado a fugir de seu próprio palácio e deixar o seu trono, escapava por sua vida, porque já estava condenado à morte. De fato, “o salário do pecado é a morte” (Rm 6:23), e Davi havia pecado contra Deus. E, para piorar a sua situação, os inimigos de Davi diziam: “Não há em Deus salvação para ele”, porque ele pecou à plena luz do dia! Como poderia Davi dormir diante de tudo isso?  

3 – Mas quando um homem confia em Deus, mesmo em meio às circunstâncias mais escuras, mesmo em meio às condições mais adversas, ele tem segurança e desfruta paz, doce paz interior, alegria inexprimível. Mesmo assediado por uma multidão de inimigos, Davi podia conciliar o sono e dormir tranquilamente. Davi podia dormir em paz, mesmo quando havia um exército rebelde no encalço de sua vida! Jesus Cristo podia dormir, mesmo sabendo que muitos inimigos planejavam a Sua morte. Certa vez, Ele surpreendeu aos Seus discípulos, dormindo em meio a uma grande tempestade no mar da Galileia. A maior segurança é dormir em meio a uma situação perigosa, com risco de vida.

4 – Por que as pessoas não podem dormir? Muitos não dormem por causa do medo. Os pobres não dormem com medo de não ter o que comer; os ricos não dormem com medo de ser roubados pelos pobres. Os perseguidos não dormem com medo dos seus perseguidores; e os perseguidores não dormem com medo da vingança dos perseguidos.

5 – O medo se agiganta e assusta a milhões de pessoas neste mundo. Em nosso tempo, muitos temem perder o emprego; outros temem um ataque cardíaco, outros ainda temem chegar à velhice. Algumas pessoas temem as trevas da noite, outros temem perder a popularidade. Mas o pior de todos os temores é o medo de pessoas, assassinos, bandidos, homens armados, ou tarados que crescem como cogumelos, afrontando e atemorizando os mais destemidos, em nossa era após o século da luzes.

6 – Mas Davi podia dizer: V. 6: “Não tenho medo de milhares do povo que tomam posição contra mim de todos os lados.” Ele podia dormir em paz, e acordar tranquilo, porque Deus o sustentava. Esta era a sua maior segurança. Se Deus nos sustenta, não precisamos temer. Basta confiar em Sua segurança, porque Ele tem cuidado de nós.

7 - Certa vez, caminhavam por uma estrada escarpada, um pai com o seu filho de 5 anos. A noite era escura, a montanha se apresentava  áspera em seu apêndice.   O menino loquaz no início da jornada, a pouco e pouco silenciava, vestido pelo medo. Era escuro e ele estendeu a sua pequena mão, e tomou em sua mão débil a mão robusta, a mão calosa do papai, e disse:-- "Papai, nós não estamos com medo, não é verdade?" Os dois juntos não estavam com medo, mas um sozinho temia. O contato da mão do pai lhe deu coragem naquela noite escura.

Sim, diz a Bíblia: "Eu, o Senhor, teu Deus, te tomo pela Minha mão direita, e te digo: Não temas, porque Eu te ajudo." (Isa. 41:13).

IV – DAVI TEM CERTEZA

Sal. 3:7: “Levanta-te, Senhor! Salva-me, Deus meu, pois feres nos queixos a todos os meus inimigos e aos ímpios quebras os dentes.”

1 – Davi faz uma fervente prece. No v. 4, ele disse que clamava; no v. 7, ele apresenta o conteúdo do seu clamor.  Ele clama a Deus para que tome uma iniciativa e se levante para salvá-lo dos seus inimigos.

2 – Mas há uma expressão singular nesta oração: “pois feres nos queixos a todos os meus inimigos e aos ímpios quebras os dentes.” Os inimigos de Davi eram inimigos de Deus porque são “ímpios”. Alguns poderiam estranhar que um homem de Deus pudesse fazer tal oração. Não nos ensinou Jesus Cristo que orássemos em benefício de nossos inimigos? (Mt 5: 44). Sim, mas no contexto do Antigo Testamento, era isso mesmo o que  acontecia nas guerras de Israel que  foram ordenadas por Deus, a fim de serem executados os Seus julgamentos contra as nações ímpias. Os inimigos de Davi eram também inimigos de Deus, pois são chamados de “ímpios” (v. 7).

3 – Mas Davi também está falando em termos proféticos sobre o que acontecerá finalmente com todos os adversários de Deus. O salmo 3, que estamos estudando, diz que Deus fere os ímpios e quebra os seus dentes (v. 7). O Salmo 1, diz que “o caminho dos ímpios perecerá” (v. 6); o Salmo 2, diz que o Messias regerá as nações de ímpios “com vara de ferro”, e serão despedaçadas (v. 9), e esta é uma profecia que se cumpre escatologicamente em Ap 19:15, onde lemos: “Sai da sua boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com cetro de ferro e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso.” 

4 – Davi tem certeza de salvação. Ele tem a certeza de que a salvação é propriedade de Deus: V. 8: “Do Senhor é a salvação”. Mais tarde, quando Jonas se encontrava no ventre do grande peixe, em meio ao seu desespero, ele disse: “Ao Senhor pertence a salvação!” (Jn 2:9). Assim devemos nós ter certeza de nossa salvação e dizer: “Salvação? Só em Deus!” Enquanto as pessoas confiarem em si mesmas para a salvação, jamais poderão ter certeza de serem salvos. A certeza de salvação só ocorre quando descansamos em Deus.  

5 – Davi ora pelos seus inimigos. Ele continua a sua oração dizendo no v. 8: “e sobre o teu povo, a tua bênção.” Davi estava decepcionado com o seu povo, mas não estava decepcionado com Deus. E se o seu povo era o povo de Deus, ele é capaz de orar em favor do seu povo, perdoar a traição e rogar a bênção de Deus para o mesmo povo. Aqui o pastor de Israel ora por seu povo que o traía, e deseja-lhes a bênção de Deus. Ele cumpriu as palavras de Jesus, amando os inimigos e orando por eles. Esta é a nobreza de Davi cujo coração era semelhante ao coração de um Deus perdoador e completamente misericordioso.

6 - Você está orando pelos seus inimigos? Ora por seus traidores? Muitas pessoas se dizem cristãs, mas estão sendo usadas pelo arqui-inimigo, Satanás. Se alguém está perseguindo a você, talvez ele esteja sendo enganado por outros, como muitos dentre o povo de Israel estavam sendo enganados por Absalão e seus líderes seguidores. O que fazer? Você deve orar por eles, a fim de que a bênção de Deus seja sobre eles, e finalmente sejam iluminados e reconheçam que fazem o trabalho do inimigo de Deus, e se convertam e sejam transformados em amigos. 

7 – Um dia veremos todos os inimigos sendo destruídos, mas hoje ainda há tempo para que muitos se convertam e deixem de fazer a obra de Satanás e façam as obras da justiça de Deus. Não temos tempo para formar inimizades, e nos ofender por pouco, muito menos abandonar a igreja por motivos corriqueiros. Não temos tempo de nos vingar. Isso é um assunto para Deus resolver. Vamos hoje assegurar a nossa própria salvação. O nosso tempo também deve ser dedicado pregando a mensagem de que “Do Senhor é a salvação!”

Pr. Roberto Biagini
Mestrado em Teologia

domingo, 17 de junho de 2012

Estudando Salmos- 2

Salmo 2 – 
A Coroação do Ungido de Deus

O livro dos Salmos é o próprio coração da Bíblia. Os Salmos contém as orações que Deus atende porque foi Ele mesmo quem as inspirou. É o fundamento de uma religião viva. São 150 orações inspiradas que nos ensinam como orar e como nos relacionar sinceramente com Deus.

Os Salmos são a maior fonte poética para penetrarmos no conhecimento de Deus. Eles contém mensagens de ânimo e encorajamento para o povo de Deus em nosso tempo. Eles contém mensagens de fé, esperança e vitória. Ali nós encontramos o segredo da verdadeira religião, que é a religião do coração. Temos ali na beleza da poesia, a história passada dos atos salvadores de Deus e a promessa segura de um futuro eterno.

Temos ainda no Livro dos Salmos o ensino de todas as doutrinas da Bíblia. Nele encontramos a doutrina da Criação, da Redenção e da Preservação. Os atributos comunicáveis e incomunicáveis de Deus estão claramente expostos. As expressões do caráter de Jeová Se encontram ali,  a Sua justiça, a misericórdia e a graça, bem como a Sua onipotência, imutabilidade e eternidade. Os Salmos nos falam sobre o Santuário, a Lei de Deus, o Juízo final, a Salvação e a Cruz. Ali encontramos a doutrina da Mortalidade da alma, da Ressurreição e a esperança da Vida Eterna. Ali encontramos o verdadeiro conhecimento de Deus e de Jesus Cristo.

O Salmo 2 foi chamado "A Canção do Ungido do Senhor" e foi citado no Aleluia de Handel. O Salmo 2 é o primeiro salmo messiânico e apocalíptico, porque contém uma revelação surpreendente de Cristo tanto do passado como para o futuro. Portanto, a sua mensagem é cristocêntrica e escatológica, e foi citado pelo apóstolo João no Apocalipse, com duas referências ao governo justo de Cristo contra os ímpios habitantes da Terra. Davi, que escreveu este Salmo (At 4:25) e mais outros 72, é o suave cantor e pastor de Israel.

I – REBELIÃO UNIVERSAL (1-3)

1. O Salmo 2 começa com duas perguntas: (v. 1).

(1) A 1ª pergunta: "Por que se enfurecem os gentios?"

(a) Os gentios estavam irados. Esta era a atitude das nações idólatras no tempo de Davi. Eles estavam enfurecidos. A prova disso estava nas guerras com que se envolviam para matar e roubar. A ira das nações se manifesta nas guerras; a ira dos estados se manifesta nas revoluções; a ira dos indivíduos se manifesta nas brigas. É a rebelião universal.

(b) Esta é uma profecia muito atual que se cumpre em nossos dias. A Bíblia diz que no tempo do fim as nações se enfureceriam (Ap 11:18). Disse Cristo que antes de Sua vinda surgiriam "guerras e rumores de guerras... Porquanto se levantará nação contra nação, reino contra reino." (Mt 24:6-7). Portanto, isso indica que estamos no tempo do fim, que se apressa a passos largos, culminando na destruição do mundo e dos pecadores.

(c) Mas a pergunta mais perscrutadora é "por quê?" Por que se enfurecem os povos, as nações e os homens em geral? Por que estão irados? A resposta já está implícita na pergunta: não há nenhuma razão para ficarem irados. Deus perguntou a Caim: "Por que andas irado? E por que descaiu o teu semblante?" (Gn 4:6). Ele perguntou a Jonas: "É razoável essa tua ira?" (Jn 4:9). É racional mostrar toda a sua ira? Aonde isto o levaria? É irracional resolver as coisas com ira! Quando você encontra alguém que não respeita os seus limites, como você reage?   

(2) A 2ª pergunta: "Por que os povos imaginam coisas vãs?"

(a) A palavra "imaginam" é a mesma palavra traduzida por "medita", no original do Sal. 1:4. O justo medita na Lei de Deus. Os ímpios também "meditam", e como resultado, ficam furiosos. A ira é um sentimento interno que se demonstra externamente, mas se origina nas meditações secretas do coração.  

(b) Deus conhece a revolta de dentro do próprio coração dos rebeldes, que por sua vez "imaginam coisas vãs". A imaginação, se não for direcionada, pode se desviar da justiça para as coisas vãs. É inútil se revoltar, é inútil revelar a ira de dentro do coração.

2. Contra quem os gentios estão revoltados e irados? V. 2-3: "Os reis da terra se levantam, e os príncipes conspiram contra o SENHOR e contra o seu Ungido." Reis e príncipes, ou governantes em geral, foram colocados em elevadas posições pelo próprio Deus (Rm 13:1,4). No entanto, esses mesmos que receberam de Deus a honra estão desonrando o seu Benfeitor.

 (1) Os reis estão revoltados contra o SENHOR. A palavra SENHOR é tradução de Yahweh, e significa "o Eterno", "Aquele que vive por Si Mesmo". Jehovah, é o grande, o glorioso e incomunicável nome de Deus, e é expressivo de Seu Ser eterno e auto-existência. Ele tem esse nome de modo exclusivo, porque só Ele possui esta qualidade.

Então, esses reis e príncipes estão se revoltando contra Alguém que é o próprio Eterno. Portanto, eles estão se irando contra a Pessoa errada, porque estão em completa e esmagadora desvantagem. Como pode alguém de posição privilegiada e conhecimento se revoltar contra Deus? Eles estão revoltados contra Jeová, o Eterno, o próprio Criador. Este é o mistério da iniquidade.

(2) Os reis e príncipes estão revoltados contra "o Seu Ungido". Quem é o Ungido de Deus? Ungido é a tradução de "Messias" no hebraico e "Cristo" no grego. A Bíblia diz que o Ungido seria o Senhor Jesus Cristo. Daniel já falava dEle como o "Ungido, o Príncipe" (Dn 9:25). Ele é 'Miguel, o grande Príncipe, o Defensor dos filhos do teu povo" (Dn 12:1).

3. Mas, como podem reis e príncipes conspirar contra Deus e o Seu Ungido? Eles não estão seguros no Céu? Como podem fazer complôs e se levantar contra Eles? Herodes o grande, o rei da Judéia, tentou tirar a vida de Jesus na Sua infância; o rei Herodes Antipas, o tetrarca da Galiléia, com seus homens de guerra zombaram dEle, e O desprezaram; Anás e Caifás se reuniram em concílio para decidirem o que fariam para tirar a vida de Jesus. Pôncio Pilatos, o governador da Judéia, que representava o imperador romano, condenou-O à morte. E todos os reis da terra desde os mais remotos tempos, que se levantaram contra Deus e contra o Seu Ungido na pessoa do Seu povo, em guerras, perseguições e massacres, cumpriram esta profecia. 

4. O que eles estão "dizendo"? V.3: "Rompamos os seus laços". As palavras revelam o caráter; podemos saber o motivo da rebelião por suas palavras. Eles dizem: "Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas." Laços e algemas são uma  referência às leis de Deus. Eles não querem se submeter à Lei de Deus que é uma lei de amor e sabedoria e que promove a felicidade. Eles rejeitam as regras e as leis de Deus. Eles querem plena liberdade.

(1) Este é o grande conflito dos séculos que Satanás está promovendo, desde o  começo. Ele não queria que Deus governasse sobre ele. Ele teve inveja de Jesus Cristo porque Ele foi escolhido, honrado e ungido como o Filho de Deus. Lúcifer disse que as leis de Deus eram restrições injustas e desnecessárias. Assim ele espalhou esse argumento no Céu. E muitos se uniram a ele. É o princípio do antinomianismo: falta de lei. É o princípio da anarquia: não querem que Deus seja rei sobre eles, e vem o caos. É auto-deificação: quando os homens rejeitam as leis de Deus, se deificam a si mesmos, fazendo suas próprias leis.

(2) Hoje não é diferente de antigamente. Os governantes fabricam as suas leis e se insurgem contra a Lei de Deus, e é por isso que falta a justiça e a verdade anda tropeçando pelas praças. E como um resultado, a insatisfação cresce de uns para com os outros e a revolta se multiplica. As multidões estão "sem ar, sem luz, sem razão", para usarmos as expressões de Castro Alves.

(3) Com efeito, não há razões palpáveis para ficarem irados e revoltados contra Deus. Não há motivos nem para os reis nem para os príncipes, nem para as nações fazerem levantes nem conspiração contra o Senhor da Terra. Também não há motivos para você ficar revoltado.

(4) Você conhece alguém revoltado contra Deus? Conhece algumas pessoas que falam contra Deus e contra o Senhor Jesus Cristo? Eles apresentam as suas acusações, falam da injustiça e dos atos e "omissões" de Deus. Falam do avanço da ciência e do neodarwinismo. E ficam nervosos se você tentar convencê-los, eles ficam irados, enfurecidos se você os desmascarar, apresentando a inteligência da necessidade de um "designer inteligente". Você não vai convencer a uma pessoa irada, enfurecida e revoltada. Ela sempre tem razão, embora agindo irracionalmente. 

II – A INDIGNAÇÃO DIVINA (4-5)

1. Qual a reação de Deus? V.4: "Ri-se Aquele que habita nos céus; o Senhor zomba deles."

(1) Este é um aspecto interessante da personalidade de Deus. Temos ouvido acerca dos atributos divinos, mas é difícil ouvirmos que Ele se ri. Eu gosto desta expressão que indica que nós temos um Deus um tanto humorístico, um Deus que reage, que tem sentimentos, muito diferente dAquele Deus impassível que nos pintam muitos teólogos. Entretanto, as Escrituras nos tem retratado a personalidade divina desse modo mais relacional. Este é um aspecto antropomórfico, visando explicar o sentimento de Deus em linguagem humana.

(2) Pode imaginar o Deus Todo-poderoso olhando para esses fracos humanos conspirando contra Ele? Pode imaginar o Criador contemplando estas pobres criaturas revoltadas e levantando os seus punhos em luta contra Ele? Pode imaginar as infinitas desvantagens nas quais se encontram esses rebeldes? Como podem finitos mortais se levantar contra o Eterno e infinito Deus? Não poderia ser diferente. Se é Deus que os contempla, só pode mesmo se rir e zombar da pretensão desses ímpios.

2. Qual é a outra reação de Deus? V. 5: "Na sua ira, a seu tempo, lhes há de falar e no seu furor os confundirá."

(1) Aqui está a ira de Deus. Este é um segundo antropomorfismo: temos que explicar a Deus na linguagem humana; não há outro meio, porque não entenderíamos a linguagem dos anjos. Mas mesmo os anjos não teriam muito a nos dizer porque eles também não conheciam este aspecto do caráter de Deus e de Sua reação. Antes do pecado, Deus nunca Se manifestara com ira; isto é novo até mesmo para os anjos.

(2) O que é a ira de Deus? Se os gentios se enfureceram, se as nações estão iradas, agora é a vez de Deus revelar a sua ira. O homem foi feito à semelhança de Deus e como nós temos ira, Deus tem ira. Mas qual é a diferença entre a ira de Deus e a ira do homem? A ira do homem é motivada pelo pecado; a ira de Deus é motivada pela santidade. A ira do homem é uma paixão irracional e descontrolada, visando a vingança; a ira de Deus é um princípio controlado, racional, visando a justiça. A ira do homem revela injustiça; a ira de Deus revela Sua inescapável justiça.

(3) Quando será o Dia da Ira de Deus? Diz o salmista Davi que ela se demonstrará "a seu tempo". Sabemos que esse tempo será pouco antes da volta de Cristo, o Seu Ungido, e se revelará nas 7 Últimas Pragas que sobrevirão ao mundo. Hoje vemos que a ira de Deus está mesclada com a misericórdia. Mas isto é apenas por esse tempo de graça, enquanto temos oportunidade de nos arrepender de nossos pecados e nos levantar a favor do nosso grande Deus e de Jesus Cristo. Mas naquele tempo a Sua ira se revelará sem misericórdia, e todos os ímpios habitantes da terra serão destruídos. E todos proclamarão a justiça do Rei do universo.

III – A UNÇÃO DO REI (6-9)

1. Até o v. 5, falava Davi. Agora, Deus está falando. O que Ele está dizendo? "Eu, porém, constituí o meu Rei sobre o Meu santo monte Sião." (v. 6). A palavra "Eu" se refere a Deus o Pai que diz: "Eles estão irados e insatisfeitos com a Minha lei e com o Meu Ungido. Eu, porém, constituí o Meu Rei".

2. Deus tem o Seu Rei teocrático. Ele vai estabelecer um reino universal sobe esta Terra, em breve. O seu Rei a quem Ele escolheu já foi constituído. Ele estará sobre o monte Sião. Sião era a fortaleza de Jerusalém; sobre o monte Sião estava edificada a cidade de Jerusalém terrestre. O monte Sião é descrito como habitação de Deus, o Céu dos céus (Hb 12:22; Ap 14:1). Lá estará o Rei constituído por Deus. Lá Jesus Cristo foi constituído como o "Rei dos Reis e Senhor dos senhores". Esta é uma mensagem poética, mas também profética e escatológica.

3. Mas agora, é a vez do Rei ungido falar. V. 7: "Proclamarei o decreto do SENHOR: Ele me disse: Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei." Aqui o próprio Messias está falando ao proclamar o decreto de Deus o Pai. Este é um decreto eterno e imutável, estabelecido por Deus diante de todo o universo. Qual é o decreto? Deus Se revela como o Pai do Messias e diz para o Seu escolhido: "Tu és o Meu Filho! Eu, hoje, Te gerei!"

(1) O que significam estas palavras? Porventura Deus gerou a Jesus Cristo, originando o Filho de Sua própria natureza? Estaria certa a mitologia grega que ensinava que os seus deuses eram gerados entre si mesmos, como acontece com a família humana?

(a) Foi o próprio Diabo que inventou toda essa estória, e torceu as Escrituras, de tal modo que mesmo hoje muitos estão ensinando que Jesus Cristo é o Filho de Deus no sentido restrito da palavra, no sentido humano. Eles dizem que Jesus Cristo Se originou da natureza de Deus, que o Soberano gerou literalmente a Cristo, dando-Lhe origem de existência.

(b) Entretanto, esta interpretação é equivocada. Precisamos interpretar a Bíblia nos termos da Bíblia, considerando os antropomorfismos, que são, como vimos, a descrição de Deus na linguagem humana. Os profetas jamais poderiam usar linguagem divina, porque eles nem a possuíam e nem nós a compreenderíamos.

(2) Em que sentido Jesus Cristo foi "gerado"? Em que sentido Cristo é o Filho de Deus? Poderia ser Ele "gerado" por Deus, no sentido humano da palavra? É impossível interpretar literalmente estas palavras, porque a própria Bíblia testifica que Jesus Cristo é eterno, imortal, incriado e sem origem (Jo 1:1-3). Ele jamais Se originou em qualquer tempo da eternidade. Ele sempre existiu e sempre existirá.

(3) Como podemos interpretar corretamente o Salmo 2:7? Consideremos a explicação baseada num paralelismo bíblico. Se tivermos o apoio de outros escritores inspirados, conheceremos a devida significação.
(a) Em At 13:33, Pedro disse que Deus ressuscitou a Jesus Cristo e cumpriu o Salmo 2:7. Paulo também tem o mesmo pensamento, e disse que Cristo "foi designado ('constituído', BJ) Filho de Deus ...pela ressurreição dos mortos". (Rm 1:4).
(b) Em Heb 1:5, Paulo aplica as mesmas palavras de Davi para a divindade de Cristo, comparando-O aos anjos, quando disse: "Pois a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei Pai, e ele me será Filho?"
(c) Mas em Heb. 5:5, Paulo introduz um novo significado: Ele diz que quando Cristo foi constituído Sumo Sacerdote, cumpriu-se mais uma vez o Salmo 2:7.

(d) Mas há um outro sentido em que estas palavras foram usadas, e que corresponde mais diretamente ao sentido e ao contexto do Salmo 2:7. Natã recebeu uma palavra de Deus que dirigiu a Davi, referindo-se a Salomão, e usou a mesma linguagem do Sal. 2:7: "... Eu estabelecerei o seu trono para sempre. Eu lhe serei por Pai, e ele me será por filho." (1Cr 17: 12-13). Estas palavras tiveram um cumprimento parcial através de Salomão, que foi constituído rei por ordem de Deus, que por esse fato, o chamou de "filho" de modo especial e incomum, porque o constituía como rei de um reino teocrático. Mas Salomão era um tipo de Cristo. Portanto, estas palavras em sentido secundário, se cumprem em Cristo, como Rei que reinará para sempre. Desse modo, o Sal. 2:7 nos diz que Cristo é o Filho de Deus, que foi "gerado" simbolicamente, porque foi ungido como Rei sobre todos os reis da Terra.

(4) Portanto, estas palavras do Sal. 2:7 foram interpretadas pelos apóstolos como se referindo à ressurreição, à divindade e ao sacerdócio e vemos agora, no Antigo Testamento que estas palavras do se aplicam também ao reinado de Cristo e, consequentemente, confirmam a Sua natureza não originada. Desse modo, sempre que temos uma unção de Deus a Jesus Cristo, cumprem-se as palavras do Sal.2:7.

(5) Portanto, quando Deus disse: "Tu és o Meu Filho; Eu, hoje, Te gerei!" dirigiu-se ao Messias, e emitia o Seu decreto de filiação real para uma Pessoa já existente, não de um ser que nascia de Sua natureza divina. Não era uma filiação literal do tipo humano que ocorria, era a linguagem figurada de uma filiação real, quando Deus constituía ao Messias como o Rei das nações. Assim aconteceu com Salomão e assim sucedeu com Jesus Cristo.

(6) Quando foi o Messias "gerado"? A resposta do texto é "hoje". Pelo contexto, "hoje" se refere a um ponto histórico, quando as nações da Terra já conspiravam "contra o Senhor e contra o seu Ungido". Num momento da História, quando já existiam os reis da Terra Se opondo ao Senhor, Ele chamou o Seu escolhido que já existia por toda a eternidade, e Lhe disse: "Tu és o meu Filho! Eu, hoje, Te gerei". Assim, foi ungido o Messias como Rei. E então, foi chamado de "Filho".

(7) Mas o que significa ser Jesus Cristo o "Filho" de Deus? Este foi um grande problema para os judeus do tempo de Cristo, porque eles não estavam satisfeitos pelo fato de que o Salvador Se intitulava desse modo. Ele dizia frequentemente que era o Filho do homem, mas também pretendia ser o Filho de Deus. O que significa isso? João explica desse modo: os judeus queriam matar a Cristo porque Ele "dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus" (Jo 5:18). Portanto, a pretensão de Jesus Cristo foi de que Ele era "igual a Deus" com todos os Seus atributos, não criado nem originado, mas eterno.

4. Qual é a promessa de Deus ao Messias, constituído como Rei? Qual é a herança do Pai ao Filho? V. 8: "Pede-me, e Eu te darei as nações por herança e as extremidades da terra por tua possessão." Mas, se Jesus Cristo é o próprio Criador, e como tal é Dono de todo o mundo, como Lhe promete Deus a posse da mesma Terra? De fato, como Deus Ele é o Dono do universo, mas como o Messias Jesus Cristo é o Rei desta Terra. Como Messias, Ele é o Filho do homem e foi ungido para a salvação deste planeta e recebe de Deus o reinado deste mundo.

5. Como seria o reinado do Messias? V. 9: "Com vara de ferro as regerás e as despedaçarás como um vaso de oleiro." Esta profecia há de se cumprir em sua fase apocalíptica, na destruição dos ímpios, e na consumação dos séculos. O apóstolo Paulo usou estas palavras para descrever a vinda de Cristo e seu efeito sobre os desprezadores de Sua graça (2Ts 2:8). Finalmente, o apóstolo João também falou de Seu "cetro de ferro", em um contexto da destruição dos ímpios que finalmente se confirmaram em sua rebelião (Ap 12:5; 19:15).

IV – O ÚLTIMO APELO DIVINO (10-12)

Os versos finais (10-12) contém o último apelo do Céu para os reis, governantes e povo em geral. Assim como o Apocalipse tem o último apelo de Deus para o Seu povo, assim termina o Salmo 2, com 5 imperativos:
(1) "Sede prudentes". Buscai a sabedoria. Isto é indispensável para termos a segurança da felicidade e da salvação. Não há mais a perder nas cisternas rotas das loucuras do mundo. Carecemos de mais prudência.
(2) "Deixai-vos advertir". Muitos não querem reconhecer os seus erros, e julgam difícil se deixar persuadir a fim de receber a advertência divina. Isso requer que deixemos o orgulho de lado, porque sem humildade não podemos conseguir nada diante de Deus.
(3) "Servi ao Senhor com temor". O serviço de Deus é o mais alto privilégio de criaturas humanas; mas temos que servi-Lo com temor, porque se trata de um serviço para o majestoso Rei dos reis.  
(4) "Alegrai-vos nEle com tremor". Como podemos nos alegrar com tremor? A vida cristã é cheia de alegria, mas servimos a Deus com temor, porque o temor é o equilíbrio necessário para não nos desviarmos pelos caminhos deste mundo. 

(5) Mas são particularmente interessantes as palavras do último imperativo: "Beijai o Filho para que se não irrite, e não pereçais no caminho; porque dentro em pouco se lhe inflamará a ira." A ira mencionada é a ira do Cordeiro, diante da qual todos os ímpios correrão, naquele dia da volta de Cristo dizendo aos montes e rochas: "Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?" (Ap 6:16-17).

Portanto, o apelo divino é este: "Beijai o Filho!" O beijo nos tempos antigos era um símbolo de reconciliação, como no caso de Jacó e Esaú. O apelo para beijar o Filho é um claro chamado à reconciliação com Deus, através da fé no sacrifício de Cristo, que derramou o Seu sangue para nos reconciliar com o Pai: "Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus." (2Co 5:20).

Finalmente, o clímax do Salmo 2 contém estas palavras: "Bem-aventurados todos os que nEle se refugiam." Como o Salmo 1 se inicia com uma bem-aventurança, assim termina o Salmo 2.

Houve nos Estados Unidos um juiz famoso, porém ateu. Certa noite, estando fora de casa a esposa, sentiu-se possuído de uma convicção de estar errado em relação a Deus e às coisas espirituais e reais, e agora, que se achava sozinho, pôs-se a refletir sobre o caso. Quando ela voltou, ele ainda estava imerso em meditações. Ela procurou convencê-lo a dormir, mas ele não cedeu. Passou a noite em claro, andando para cá e para lá.
Pela manhã, bem cedo, foi para o escritório, fechou-se no gabinete, e deu ordens para não o interromperem. Tomou a resolução de não sair por aquela porta antes de ter descoberto a verdade acerca de Cristo. Prostrou-se de joelhos e começou a orar. Fora educado de modo a considerar Cristo apenas como homem, de modo que ao ajoelhar-se, orou: "Ó Deus, tem misericórdia de mim e salva-me!" Continuou assim clamando muitas vezes, mas nenhum alívio lhe veio. Então ouviu uma voz que sugeriu que ele dissesse: " - Deus, por amor de Jesus, salva-me!
Mas disse ele:
–       Isso não! Não posso orar assim!
Ali jazia, literalmente estendido no soalho, de bruços, ansiando o alívio, mas só conseguia dizer:
–       Ó Deus, salva-me!
Afinal, do íntimo da alma angustiada, clamou:
–       Ó Deus, por amor de Jesus, salva-me!
–       Oh – diz ele agora – como a luz irrompeu e o Céu veio para dentro daquele escritório!
Algo acontecera, e Deus viera em socorro de sua vida, transformando-a toda, e desse dia em diante ele se tornou um dos mais nobres membros da igreja. Não encontrara alívio enquanto não reconhecera que Jesus é o Filho de Deus.

E você, já reconheceu a Jesus Cristo como o Filho de Deus? Crê nEle, realmente? De fato, se queremos ser salvos, se queremos ser realmente felizes, temos que seguir o bendito caminho de Deus e nos refugiarmos no seu Messias, o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Pr. Roberto Biagini
Mestrado em Teologia

sexta-feira, 15 de junho de 2012

-Estudando os Salmos -1

SALMO 1-
A BEM-AVENTURANÇA DO JUSTO

Há muitas divisões em nosso mundo, quando nós estudamos as pessoas. Há muitas raças, muitos temperamentos, muitas classes sociais. Entretanto, na Bíblia só há dois tipos principais de pessoas, apresentadas no livro dos Salmos. Os Salmos tratam desses dois tipos de pessoas. Isso é evidente logo na própria introdução do Saltério.

O salmo de número 1 apresenta o tema de todo o Livro. Aqui está a diferença que existe entre o justo e o ímpio. Aqui está o Deus que faz a diferença. E aqui estão também os meios da graça que fazem a diferença.

Portanto, vamos estudar hoje o primeiro salmo, a fim de conhecer mais de perto o assunto que prevalece em todo o livro e, então, tirar algumas lições indispensáveis para a nossa vida espiritual.

Verso 1: "Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores." Aqui temos uma bem-aventurança. Bem-aventurança significa felicidade. O salmista começa o livro dos salmos com uma bem-aventurança, exatamente como Jesus Cristo fez quando iniciou seu memorável Sermão do Monte.
    
I – O CRISTÃO É BEM-AVENTURADO, FELIZ

     Por que o cristão é feliz?
¨    Não é por ser rico, porque muitos cristãos são pobres e são felizes.
¨    Não é por ser famoso, porque muitos cristãos são desconhecidos, quase anônimos.
¨    Não é por ser isento de tribulação, porque os cristãos são muito atribulados.
¨    O cristão é feliz, não porque não tenha inimigos, pelo contrário, ele os tem.  

Note as coisas que os justos não fazem. Em primeiro lugar, eles são descritos negativamente:  

1) O cristão "não anda no conselho dos ímpios"

"Ímpios" são aqueles que não tem relacionamento com Deus, que não tem o Seu temor diante dos olhos. O seu "conselho", naturalmente só pode dar como resultado a ruína de qualquer pessoa.

Alguns podem dar o seguinte conselho: "Vai, case-se com ela; se não der certo, vocês se separam." Outro conselho inspirado por ímpios: "Você tem que ganhar muito dinheiro e essa história de sábado pode arruinar a sua vida profissional. Você vai perder o seu emprego com esse negócio de religião!" "Você precisa ser feliz; faça tudo o que o seu coração manda. Ninguém tem nada com a sua vida. Se você quer, e se sente feliz fazendo, por que se importar com o que os outros vão dizer?"

Os ímpios acham que têm muito que aconselhar: eles falam sobre o Vestuário: modas, desfiles, indecências; eles falam sobre as Comidas: finas iguarias, comidas caras, carne de porco, e frutos do mar; e as Bebidas? Naturalmente que deve ter um pouco de álcool, para esquentar no inverno e refrescar no verão. E as Diversões: você deve ir a cinemas, futebol, boates, shows de rock. Mas naPolítica, os ímpios também sabem como administrar o país: enchendo os cofres dos parlamentares, e aumentando as suas mordomias, enquanto o povo paga e sofre. E qual é a sua Filosofia? Existencialismo, fatalismo, evolucionismo, marxismo, entre outras correntes. Se os ímpios querem aconselhar a você, não deixe que isso aconteça. "Filho meu," disse o nosso Pai celestial: "se os pecadores querem seduzir-te, não o consintas!" (Prov. 1:10).

Conselho é algo fundamental para a vida. Muitas pessoas se arruinaram por causa de um mau conselho! Mas, em contrapartida, muitos também se acertaram na vida por um conselho e uma orientação bem colocados. É por isso que os cristãos sabem de onde devem buscar o seu conselho.

2) O cristão "não se detém no caminho dos pecadores"

"Pecadores" aqui são os que estão em aberta transgressão da Lei de Deus. O "caminho dos pecadores" é a prática do conselho dos ímpios. É o caminho do egoísmo, do orgulho e da avareza; é o caminho da cobiça, da inveja e da luxúria; é o caminho da violência, da vingança e da morte.

Olhando as condições prevalecentes em nosso mundo moderno, vemos milhares que "se detém" num caminho de crimes, de violência, de assassinatos, de adultérios, de pedofilia, de degradação dos bons costumes. Os jornais de todos os dias alimentam as multidões com esse tipo de notícia, e vemos aí tantos se detendo e seguindo o exemplo dos pecadores.

3) O cristão "não se assenta na roda dos escarnecedores"

"Escarnecedor" é uma pessoa irreverente que gosta de zombar, criticar e ridicularizar. A "roda dos escarnecedores" é a reunião dos zombadores, que ridicularizam a Deus e a religião. A "roda dos escarnecedores" é aquele círculo onde estão os contadores de piadas irreverentes, dos que zombam dos cristãos e dos bons princípios. E dão risadas e gargalhadas dos que temem a Deus. E num dia, quando eu me encontrei com um desses, eu apenas lhe disse: "Amigo, não se esqueça: 'Quem ri por último, ri melhor!' " E ele silenciou. 

Aqui está o progresso do pecado. Ninguém começa a zombar das coisas de Deus sem uma causa. Há alguns passos que devem ser dados para que alguém seja um escarnecedor. Disse E.G.White: "Andar no conselho dos ímpios é o primeiro passo para deter-se no caminho dos pecadores e sentar-se na roda dos escarnecedores." (1 TS 585).

O justo é feliz porque não está nesse meio, porque, pelo contrário, tal círculo só lhe traria infelicidade. Em outras palavras, ele não entra em sociedade com esta gente, não sai a passear e comer e a se divertir com eles, não mantém estreito relacionamento. Nesse contexto, vale o ditado popular: "Dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és!" Quem anda com devassos, será devasso; quem anda com mentirosos, será mentiroso; quem anda com impuros, será impuro. Mas "quem anda com os sábios, será sábio." (Prov. 13:20).

Mas agora, notemos o que os justos fazem, positivamente:
V. 2: "Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite."

Os justos são felizes não simplesmente porque não fazem certas coisas que os outros fazem. Os justos são felizes não só porque evitam o mal e o pecado, mas também porque especialmente andam na "Lei do Senhor". O prazer, a alegria, o entusiasmo, a felicidade do justo, onde está? "O seu prazer está na Lei do Senhor."
    
Pense em algumas pessoas, boas pessoas, lá fora: há homens que são bons, pessoas retas que não bebem, não fumam, jamais provaram drogas, atendem aos seus compromissos pontualmente – mas não é isso que o salmista quer dizer. Isso apenas não basta, porque muitos não crêem em Deus, e, portanto, não podem experimentar essa bem-aventurança, essa felicidade celestial do justo.
    
1) O que significa essa "Lei do Senhor"? É fácil pensarmos nos 10 Mandamentos. O justo, realmente tem prazer nessa Lei, ele se alegra nessa Lei; ele sabe, como disse Paulo, que essa lei é "santa, justa e boa". (Rom. 7:12). Mas o salmista não se refere só a essa lei. A palavra "Lei" aqui traduzida vem do hebraico torah, que significa toda a Instrução Divina, e se refere a toda palavra que procede de Deus. Esta palavra inclui a lei, a graça e todos os escritos dos profetas. Ela fala do concerto e da salvação. A Palavra de Deus está em foco. O prazer e a alegria do justo está na Palavra que procede da boca do Senhor nosso Deus.
    
2) Por que a alegria do justo está na Palavra de Deus?
(1) A Palavra de Deus, contém grandíssimas e preciosas promessas.
Através dessas promessas nós nos tornamos filhos de Deus, perdoados, temos a certeza de nossa herança no Céu, onde viveremos eternamente com Deus, junto a todos os anjos da glória.
(2) A Palavra de Deus contém conforto de que tanto necessitamos neste mundo cheio de tribulações e angústias, quando somos abandonados, decepcionados ou quando perdemos os nossos entes queridos pelas tragédias da vida.
 (3) A Bíblia também contém comunhão com Deus. Através desse Livro Santo, temos comunhão com o Pai, com o Seu Filho Jesus Cristo, e com o Espírito Santo. Dessa comunhão procede toda a nossa alegria.
    
3) O que faz o homem justo com esse Livro? "Na Sua Lei", no Torah, na Palavra de Deus, ele "medita." Meditar significa demorar o pensamento na mensagem que estamos lendo, desenvolvendo as idéias, retirando e aplicando as lições, sentindo as belezas da verdade, planejando as novas perspectivas descobertas, orando com a Palavra e transformando as frases em uma comunhão e num diálogo com Deus, enquanto lemos.

A meditação é o silêncio da alma, que nos permite descobrir as gemas da verdade. É a contemplação do pensamento que nos leva a ver o invisível, tocar o intocável e perceber o imperceptível. É por meio da meditação na Palavra de Deus que desvendamos muitos mistérios, atingimos as profundidades e nos deleitamos na sublimidade dos atributos divinos escondidos na Pessoa de Jesus Cristo.  

Vivemos em um mundo agitado, numa vida atarefada, e os homens não têm mais tempo para meditar.
O excesso de trabalho tirou o tempo para meditar. A corrida por mais recursos para sustentar a família, a competição nos empregos, a luta pelo ganha-pão tirou o tempo para meditar. E ainda muitos nem precisando tanto, trabalham por mais lucros, a fim de satisfazer às suas ambições, e por isso não tem muito tempo. É a intemperança no trabalho prejudicando a vida espiritual.

O excesso de diversões, porém, é a principal razão por que as pessoas não têm mais tempo para meditar. Satanás multiplicou os divertimentos para desviar o homem da Palavra de Deus, e assim levá-lo à perdição. A televisão, o cinema, as corridas de carro, as corridas de cavalo, as corridas atrás de bolas, em várias modalidades, como futebol, handebol, voleibol, basquetebol, etc, bailes, teatros, e agora a Internet em suas múltiplas formas. Se todos, crianças, jovens, homens e mulheres, estiverem ocupados com tantos divertimentos, como poderão ler a Bíblia e meditar na Palavra? Como poderão os homens descobrir o plano da salvação? 

Entretanto, o justo tem o seu prazer na Palavra de Deus e nela medita.
    
4) Por quanto tempo ele medita? Constantemente, continuamente, sem cessar. "De dia e de noite" – significa todos os dias e o dia todo. Isso não significa que estaremos 12 horas por dia lendo e meditando, com a Bíblia na mão. Isso implica em que os seus pensamentos estarão entrelaçados com os pensamentos divinos, a todo o momento e mantendo comunhão com as palavras inspiradas, as quais foram lidas no começo do dia. Portanto, o cristão é feliz porque não anda no conselho dos ímpios, mas anda sempre e constantemente no conselho de Deus, e é, como resultado, cada vez mais feliz.
    
5) De que modo ele faz isso? Ele lê a Bíblia, e medita nas promessas de Deus, nas advertências, nos ensinos, nos mandamentos, nas profecias, nas histórias, nas lições, na Pessoa de Deus e Jesus Cristo, ele medita nos atributos e perfeições de Deus.

II – A QUE É COMPARÁVEL O JUSTO?

Verso 3: "Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem sucedido." – Por que essa comparação?

1) O justo é como a árvore, porque tem raízes. A árvore está "plantada", firme, estável, tem as suas raízes firmemente apegadas na profundidade do solo, e é inabalável diante de fortes tempestades. Assim é o justo; ele está plantado na Rocha dos Séculos, em Jesus Cristo, e é inabalável em meio das tempestades da tentação, das perseguições e provas da vida.

Na Idade Média, um cristão foi preso e ameaçado porque não queria se retratar de sua fé. Foi levado perante o tribunal, onde lhe foi dito: "Se você não renunciar sua fé, você vai ser expatriado." Ele respondeu: "Não ficarei sem pátria, porque sou cidadão celestial, e a minha pátria está no Céu." "Mandaremos confiscar seus bens." O cristão respondeu: "Os meus tesouros estão no Céu, e lá tenho uma herança eterna." Por último eles o ameaçaram de morte pelo carrasco, e ele respondeu sem vacilar: "Os senhores podem me tirar a vida física, não a vida espiritual, porque ela está escondida com Deus em Jesus Cristo."

2) O justo é como a árvore, porque tem fruto.
(1) A árvore mencionada não é qualquer uma que está apenas ocupando um lugar ocioso, e está pronta para ser cortada – porque a árvore que não dá fruto deve ser cortada e lançada no fogo.
 (2) Mas Davi fala de uma árvore frutífera. Assim é o cristão – ele dá o seu fruto. O fruto é dado pelo Espírito Santo, e é o amor, a paz, a alegria, a bondade, a fidelidade, a benignidade ou cortesia, a longanimidade ou paciência, o domínio próprio ou temperança.
 (3) "No devido tempo", ele dá o seu fruto. Assim como a árvore tem o seu tempo para dar frutos, quando vem o tempo, quando as circunstâncias exigem, o cristão revela os seus frutos, e se manifesta em atos de amor, bondade, ou se mostra cortês, ou revela paciência, e quando vem a tentação, ele é temperante, domina o seu corpo e os seus pensamentos.

3) O justo é como a árvore porque tem aparência. "A sua folhagem não murcha".
(1) As folhas na árvore servem para embelezar, revelar uma boa aparência. O cristão revela também uma boa aparência. Ele tem aparência externa, porque embora pobre, sabe se vestir, modestamente, com bom senso, não como os ímpios que se vestem com ostentação, luxúria e indecência.
(2) O cristão revela também aparência interior que se mostra no exterior. Os outros conhecem os cristãos pelo seu rosto. Muitos deles já foram identificados pela paz do seu rosto ou pelo sorriso amorável dos lábios, ou pelo seu olhar meigo. A aparência do cristão não se lava com água e sabão.
       
Um pastor esperava na fila de um banco em Canoas, no Rio Grande do Sul. Uma senhora desconhecida lhe perguntou: "O senhor é pastor?" "Sim", disse ele, e deu o seu testemunho. Noutro dia, esse mesmo pastor deu carona em seu carro a uma pessoa, que entrou e, depois de alguns minutos, lhe perguntou: "Desculpe, mas o senhor é um pastor?" Ele respondeu: "Sim, por quê?" A resposta veio pronta: "Ah, eu logo imaginei, porque quando eu entrei senti uma atmosfera diferente, como se fosse uma luz envolvente dentro do carro!"

4) O justo é como árvore porque tem crescimento. Disse Davi: "tudo quanto ele faz será bem sucedido."
(1) A árvore está sempre crescendo, ela nunca pára de crescer. A 1a lei da árvore é crescer.
(2) Da mesma forma, o cristão sempre cresce. Mas em que sentido ele cresce? Ele cresce "na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo." (2Ped. 3:18). A graça é o seu crescimento espiritual, ao perceber as virtudes do amor de Deus em Cristo. O conhecimento tem dois sentidos: intelectual e experimental. Ele já possui um pouco desse conhecimento intelectual a respeito de Cristo, mas ele cresce mais, lendo e estudando a Bíblia a respeito de Jesus. Ele também já possui conhecimento experimental de Cristo, mas ele cresce mais e mais nesse conhecimento, ao ter uma experiência diária com Ele, orando e mantendo comunhão com Ele.

III – MAS COMO SÃO OS ÍMPIOS?

Versos 4-5: "Os ímpios não são assim; são, porém, como a palha que o vento dispersa. Por isso, os perversos não prevalecerão no juízo, nem os pecadores, na congregação dos justos."
     
1) "Os ímpios não são assim". Assim como? Não são como os justos que Davi descreve aqui no primeiro salmo. Não são felizes – sua felicidade é ilusória, passageira. Não tem frutos. Embora façam muitas obras de caridade, isso não é levado em conta, porque Deus não aceita boas obras misturadas com o pecado e a auto-suficiência. Não são bem sucedidos no sentido real. O fato é que vivem enganando e sendo enganados. Sua riqueza, se a possuem, é riqueza efêmera, passageira.

2) Se os ímpios não são assim como os justos, como são eles? São como PALHA: A palha não tem estabilidade, segurança, mas é conduzida e agitada pelo vento. A palha não tem vida, não dá fruto. A palha não tem crescimento. A palha não tem valor. A palha será queimada no fogo.
     
3) Dois ateus certa vez se encontraram; e um deles estava em seus últimos momentos, no seu leito de dor, e contou de suas angústias, seu temor do futuro ao seu amigo. Por sua vez, o amigo lhe aconselhou: "Firme-se, meu amigo, firme-se bem." E o moribundo respondeu: "Firmar-me? Mas firmar-me em quê?" Os ímpios não tem nada em que se firmar e estão em completa insegurança.

De fato, os ímpios não tem segurança. Entretanto, todos eles tiveram a sua oportunidade para receber a Jesus Cristo e se salvar. Mas quando se depararam diante de uma escolha, eles preferiram o caminho do mal. Portanto, quando Deus julgar aos ímpios no Dia do Juízo final, eles não prevalecerão. Eles serão condenados e não terão nenhuma desculpa a dar. Pelo contrário, eles terão de reconhecer a justiça de Deus.

CONCLUSÃO

Então, o salmista termina o salmo esboçando o seu tema do salmo 1 e de todo o livro dos Salmos: Verso 6: "Pois o SENHOR conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá."

Aqui temos apenas dois caminhos. Não são muitos caminhos. Alguns dizem que muitos caminhos levam a Roma, e aplicam isso para a religião. Isso é verdade apenas geograficamente. Não é verdade espiritualmente, porque só há dois caminhos. Cristo falou no Sermão do Monte, que há apenas dois caminhos: um largo que leva à perdição; outro estreito, que leva à salvação.

Qual é o seu caminho? Você já escolheu o melhor caminho? Para onde você está indo? Em que direção está viajando?

Certa vez um pastor visitou e falou por alguns momentos a um grupo de jovens em Santa Maria (RS), e um deles disse o seguinte: " – Olha, sabe como é, pastor, eu gosto de pornografia e acho isso muito bonito." Ele falou isso diante de algumas moças, e julgou que falava com muita sabedoria, num tom de soberba mundana. O pastor respondeu: – "Jovem, vou lhe fazer só uma pergunta: Você sabe para onde você está indo? Sabe qual é o destino daqueles que amam o pecado, gostam do pecado e não o querem largar?" Aquele jovem que até ali, na presença das moças se demonstrou loquaz e falador, nesse momento emudeceu, e ficou aturdido, calado, pensativo e cabisbaixo, enquanto o pastor se despedia de todos. Amigo, você sabe para onde você está indo? Qual é o seu caminho?

Num dia de sábado, o Dr. Rossi foi abordado por uma jovem repórter que procurava respostas rápidas a suas perguntas inquiridoras sobre os Adventistas do 7º Dia.
     – Dr. Rossi – disse ela – as pessoas dizem que os adventistas             não podem ser felizes, porque não participam dos prazeres que o mundo oferece, que eles não podem comer certos alimentos saborosos, não tomam bebidas alcoólicas e não vão a certos lugares de diversões. Afirmam que vocês não vivem, vocês vegetam. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
     Ele respondeu, sorrindo espontaneamente:
     – Você me acha infeliz?
     A repórter observou a sua face, e o brilho do seu sorriso simpático e fácil, e respondeu:
     – Não, Dr. Rossi, o senhor não me parece infeliz.
     Então, ele tomou um livro com o título de "O Grande Conflito" e lhe entregou, dizendo:
     – Leia esse livro, e você encontrará as razões por que o povo adventista é um povo feliz.
     Dois anos se passaram. O Dr. Rossi se encontrava na igreja central da cidade de Curitiba, quando alguém se aproximou e lhe disse:
     – Dr. Rossi, o senhor se lembra de mim?
     Era uma jovem sorridente, e ele não se lembrava, mas ela disse:
     – Eu sou aquela repórter que falou com o senhor, quando eu fazia uma pesquisa sobre os adventistas. Quero lhe dizer que li o livro que o senhor me deu.
     – Ah, sim, agora me lembro! Muito bem, gostou do livro?
     – Sim, mas não só gostei do livro, como aceitei a sua mensagem, e me batizei com toda a minha família (e apresentou os seus familiares).
     – Dr. Rossi, agora pertenço à Igreja Adventista. Posso testificar que os adventistas são um povo feliz, porque têm muitas razões para ser o povo mais feliz do mundo.

"Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores."

Pr. Roberto Biagini
Mestrado em Teologia
prbiagini@gmail.com
05/05/2009

sábado, 2 de junho de 2012

Luz para a vida diária


O Sermão da Montanha nos dá Luz para a Vida Diária

É incrível ver como a Bíblia nos traz dicas tão valiosas para a nossa vida diária. Inspire-se e viva melhor com estas reflexões sobre partes do sermão da montanha.

"Não existem muitos, mesmo entre educadores e estadistas, que compreendem as causas que estão subjacentes ao presente estado da sociedade. Aqueles que mantém as rédeas do governo não são aptos para solucionar o problema de corrupção moral, pobreza, indigência e aumento do crime. Eles estão lutando em vão para colocar as operações de negócios sobre uma base mais segura. Se os homens dessem mais atenção aos ensinos da Palavra de Deus, eles encontrariam a solução para os problemas que causam perplexidade a eles. As Escrituras descrevem a condição do mundo justamente antes da segunda vinda de Cristo. Dos homens que por roubo e extorsão estão acumulando grandes riquezas, está escrito: "O vosso ouro e a vossa prata se enferrujaram; e a sua ferrugem dará testemunho contra vós, e comerá como fogo a vossa carne. Entesourastes para os últimos dias. Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras, e que por vós foi diminuído, clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos exércitos. Deliciosamente vivestes sobre a terra, e vos deleitastes; cevastes os vossos corações, como num dia de matança. Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu." Tiago 5:3-6. (Testimonies, vol.9, 13.)

Um dos sinais do fim dos tempos é a confusão econômica, desemprego, exploração capitalista maligna, culto ao bens materiais como se fossem deuses, acúmulo de bens nas mãos de poucos, monopolização de poder. É triste, mas, no Sermão da Montanha  (Mateus 5:3-12) Jesus falou coisas que nos dão consolo, conforto e esperança diante disto. Veja, em resumo, o sentido das palavras dEle neste sermão:

"Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus." Estes são os que estão conscientes de sua necessidade de mudança espiritual interior e procuram por isto ativamente.

"Bem-aventurados (felizes) os que choram, porque eles serão consolados." Estes são os que olham para si e ao verem a contaminação do caráter, choram, e suplicam a purificação do ser.

"Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra." A sociedade está agressiva. Arrogantes egocêntricos abundam. Os mansos são os que, tendo consciência da sua fragilidade, contam com a força de Deus, se submetem a Ele, e abandonam toda prepotência pessoal.

"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos." Justiça aqui tem que ver com a percepção da necessidade de receber a justiça de Jesus Cristo, por ver que a própria não existe.

"Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia." Você age com misericórdia ou abusivamente na família, no trabalho, consigo mesmo? Feliz é ser misericordioso(a).

"Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus." Como ser limpo de coração? Recebendo a justiça de Jesus pela fé e obedecendo Sua Lei, os Dez Mandamentos conforme Êxodo capítulo 20.

"Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus." Você cria muita polêmica? É uma pessoa briguenta? Se lutar consigo para se tornar pacificador(a), a paz surgirá em seu coração.

"Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus." Está sendo perseguido injustamente? Jesus sofreu isto o tempo todo quando vivia aqui. Fale com Ele em oração sobre isto e Ele o(a) aliviará e colocará um limite para o mal.

"Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós." Ao seguir os passos do Deus Filho Jesus Cristo, teremos lutas, mas nEle vencemos.

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