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domingo, 16 de fevereiro de 2020

O Orgulho é Quebrado

E Recebereis Poder

Jornada Espiritual 2020 - 366 Dias Recebendo o Poder de Deus
16 de fevereiro 
O Orgulho é Quebrado

Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um. Rom. 12:3.

A aceitação da verdade é um dos meios divinos de santificação. Quanto mais claramente compreendermos a verdade que Deus nos envia, e quanto mais fielmente obedecermos a ela, mais humildes seremos em nossa própria avaliação e mais elevados na avaliação do universo celestial. Quanto mais altruístas forem os nossos esforços para Deus, mais semelhante à de Cristo será sua influência e maior o bem que realizarão.

Há enorme diferença entre o espírito do mundo e o Espírito de Cristo. Um conduz ao egoísmo, à batalha por tesouros que serão destruídos pelos fogos do último dia; o outro conduz à abnegação e sacrifício pessoal, à procura dos tesouros que nunca desaparecerão.

O Espírito Santo, recebido pela fé, subjuga corações obstinados. Isto é a essência e o poder da santificação pela verdade, a fonte da fé que atua pelo amor e purifica o coração. Toda exaltação verdadeira provém da humilhação desenvolvida na vida de Cristo, manifestada pelo maravilhoso sacrifício que Ele fez para salvar almas prestes a perecer. Aquele que é exaltado por Deus primeiro deve humilhar-se. Deus exaltou a Cristo acima de todo nome. Mas Cristo chegou primeiro às profundezas da aflição humana, entretecendo-Se na simpatia da raça humana por Sua mansidão e delicadeza. Ele deu um exemplo que deve ser seguido por todos os que se empenham no Seu serviço.

“Aprendei de Mim”, disse o maior Mestre que o mundo já conheceu. “Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.” Mat. 11:29. Ler a Palavra de Deus não é suficiente. As Escrituras foram dadas para nossa instrução, e devemos examiná-las com atenção e diligência. Devemos estudar a Palavra de Deus, comparando uma parte com outra. Uma passagem é a chave que descerra outra passagem. Quando lemos, estudamos e oramos, está ao nosso lado um Mestre divino: o Espírito Santo, iluminando nosso entendimento, para compreendermos as grandes verdades da Palavra de Deus. Pacific Union Recorder, 23 de fevereiro de 1905.

Meditação Matinal de Ellen White - E Recebereis Poder– Pág. 55–
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💡Desafio para hoje da Jornada "E Recebereis Poder"

“Aprendei de Mim”, disse o maior Mestre que o mundo já conheceu. “Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.” Mat. 11:29. (E Recebereis Poder)

🛐Motivos de Oração para hoje da Jornada "E Recebereis Poder"

•Ore para que o Senhor, nos ajude a ser pacientes e bondosos, mostrando Seu amor e piedade àqueles que ainda não o conhecem.

•Ore por um coração cheio de gratidão e amor, e renuncia a todo egoísmo e pecado...

•Ore para que o Senhor nos ajude a vencer  o egoísmo e a exaltação própria e posssamos contemplar a Jesus nosso Salvador que humilhou-Se por amor a nós.

🎧Música para hoje da Jornada "E Recebereis Poder" - HA 305 - O Teu Querer


@jespiritual #jornadas  #oração

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Estudando Salmos-12


Salmo 12 - A Maior Necessidade do Mundo

Davi clama a Deus: “Socorro, Senhor!” (v. 1). Outras versões dizem: “Salva-me, Senhor!” Davi não pede por salvação do seu pecado, mas do pecado dos outros. De fato, ele está pedindo mesmo é socorro, em um tempo difícil de se viver.

E Davi clama por socorro. Com efeito, quando estamos em dificuldade, temos que clamar a Deus. Clamar é uma ação muito mais intensa do que simplesmente pedir. Temos na Bíblia muitos exemplos de pessoas que clamaram a Deus e foram atendidas em suas orações. Ana estava angustiada porque a sua esterilidade não só a impedia de ter filhos, mas provocava o escárnio e o desprezo. Então, ela clamou ao Senhor e obteve a bênção de um filho que se tornou um grande homem de Deus.

Pedro estava afundando em meio a uma grande tempestade no mar da Galileia, quando ele clamou a Jesus Cristo, fazendo a oração mais curta do Evangelho, ao proferir as palavras: “Salva-me, Senhor!” E a mão socorredora de Jesus se estendeu e Ele salvou aquele pescador duvidoso. E aqui temos a oração mais curta dos Salmos: “Socorro, Senhor!”

I – Carência de homens

Por que clama Davi? “Porque já não há homens piedosos; desaparecem os fiéis entre os filhos dos homens.” (v. 1). Este lamento nos faz lembrar de Elias, depois de ameaçado por Jezabel, quando aparentemente desamparado, fugiu para o deserto, e depois caminhou por 40 dias e 40 noites até o monte Horebe, o monte de Deus (1Rs 19:8). Então passou a noite em uma caverna onde ouviu a voz do Senhor que lhe falou: “Elias, que fazes aqui?” Ele respondeu de imediato: “Tenho sido zeloso pelo Senhor, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida.” (v. 10). No conceito de Elias, faltavam os homens piedosos e fiéis. E do mesmo modo, Davi lamentava.

O que são “homens piedosos”? A palavra original do hebraico dá a conotação de pessoas que tem um bom relacionamento com Deus. Em Português, temos o mesmo significado, adicionado ao outro sentido de pessoas que têm pena, dó, piedade diante da miséria dos outros. Pelo contexto, os dois sentidos são necessários. Mas é claro que aqueles que têm um bom relacionamento com o seu Deus, terão piedade, misericórdia e hão de ajudar aos menos favorecidos. Mas a falta do segundo significado é causado pela falta do primeiro: quando não temos uma boa relação com Deus, então, seguramente hão de se manifestar todas as maldades próprias à natureza humana.

A outra carência é de “homens fiéis” que desapareceram, conforme lamenta o salmista. Um homem fiel de acordo com o termo original é um homem estável, que permanece firme, digno de confiança. Falta de fidelidade é algo que se observa facilmente entre os filhos dos homens. Faltam homens fiéis, estáveis, dignos de confiança. Proliferam como cogumelos, mesmo entre muitos “cristãos”, os homens em quem não se pode confiar.

“Porque já não há homens piedosos; desaparecem os fiéis entre os filhos dos homens.” (v. 1). Esta é a grande questão: Onde estão os homens piedosos, justos? Onde estão os homens verdadeiros e honestos? Davi estava vivendo em um tempo de perigo. Não por causa do tempo em si mesmo, mas por causa dos homens. Ele não sofria por causa de calamidades temporais, tempestades. Não havia terremotos, furacões, ciclones ou enchentes. O problema eram os homens: havia uma grande carência de homens piedosos, justos e verdadeiros.

Paulo, por sua vez, fala de um tempo difícil, não por causas naturais, mas por causa da falta de homens honestos e fiéis: “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes.” (II Timóteo 3:1-5).

Mas, qual era o problema que provocou a angústia de Davi? Disse o salmista, inconformado com a sociedade dentre os filhos de Israel, considerados o povo de Deus: “Falam com falsidade uns aos outros, falam com lábios bajuladores e coração fingido... língua que fala soberbamente.” Aqui temos 4 pecados graves que se destacavam no caráter desses homens:

1) Falsidade. Davi disse que os homens falavam com falsidade uns para com os outros. E podia confirmar o pensamento do Padre Antônio Vieira: "O caminho da verdade é único e simples; o da falsidade, vário e infinito." Este grande pregador também lamentava em seu tempo a falta de homens verdadeiros e honestos. Como disse Renato Russo: “Quero ter alguém com quem conversar. Alguém que depois não use o que eu disse contra mim.” Muitos hoje falam com falsidade para com o semelhante, como se nada fosse lhe acontecer. Mas o grande engano dos enganadores é desconsiderar que eles fatalmente também serão enganados. E isso pode ser muito danoso, sem pensar na parte espiritual.

2) Bajulação. É o que também acontecia naquele tempo e em nosso. Disse Davi: “falam com lábios bajuladores... Corte os Senhor os lábios bajuladores...” (v. 2,3). Bajular é lisonjear, elogiar com excessos e afetação, é adular visando às vantagens e recompensas. Mas dá para perceber quando alguém elogia com más intenções. "A bajulação é a moeda falsa que só circula por causa da vaidade humana." (Duque de La Rochefoucauld). E é por isso, pela vaidade humana de ser glorificado, que cresce a corda dos bajuladores.

3) Hipocrisia. Davi condena também a hipocrisia, afirmando que os infiéis falavam com o “coração fingido” (v. 2). O original diz: “com um coração e um coração” querendo dizer dois corações contrários; tais homens de mente dúbia não são confiáveis. A hipocrisia é o seu recurso habitual. Por exemplo, uma amizade fingida: “A amizade? Desaparece quando o que é amado cai na desgraça ou quando o que ama se torna poderoso.” (François René). Muitas vezes isso acontece; há muitas pessoas que confundem amizades verdadeiras com amizades interesseiras.

4) Orgulho. Davi continua em sua prece e pede a Deus que corte “a língua que fala soberbamente”. E ele exemplifica o que estava acontecendo. Esses ímpios diziam: “Com a língua prevaleceremos, os lábios são nossos; quem é senhor sobre nós?” (v. 3,4). No passado, o faraó egípcio disse estas mesmas palavras, referindo-se a Deus: “Quem é o Senhor para que lhe ouça eu a voz ...? Não conheço o Senhor...” (Êxodo 5:2). Orgulho é um defeito pecaminoso do coração que se extravasa na língua. Faraó podia proferir qualquer palavra presunçosa, mas logo estaria destruído, porque palavras orgulhosas apenas indicam o pecado de um coração rebelde. Mas a arrogância e altivez dos homens serão abatidas (Isaías 2:17).

5) Opressão. Davi ainda fala dos pecados desses homens ímpios: “Por causa da opressão dos pobres e do gemido dos necessitados” (v. 5). Eles oprimem aos que não podem falar por si mesmos. Eles estão em silêncio a fim de que a sua defesa não se torne a sua ofensa e culpa. Mas estão clamando e gemendo ao Senhor para que sejam libertos. Deus mesmo toma nota desse estado de coisas injustas contra os que são oprimidos porque são pobres.

Com efeito, quais são os problemas do nosso mundo? Se perguntarmos a algum homem pensante: "O que faz com que os tempos sejam maus, difíceis?" Eles nos dirão que a escassez de dinheiro, a desonestidade do comércio e as angústias da guerra fazem com que os tempos sejam ruins. As calamidades, terremotos e tsunamis – tudo isso torna os nossos dias em tempos difíceis. Porém, as Escrituras atribuem a raiz dos males dos tempos a causas diferentes: faltam os homens verdadeiros. Virão tempos perigosos porque o pecado abundará, e Davi já se queixava disto, em seus dias. Quando a piedade se deteriora, os tempos são realmente maus.

Abraão foi visitado por três anjos, e um deles era o próprio Senhor, que lhe trouxe a grande notícia de que, depois de um ano, Sara haveria de ter um filho dele. Mas Sara, que ouvira da porta da tenda, riu-se dessa notícia, imaginando a impossibilidade de tal coisa se cumprir. E o Senhor perguntou: “Por que se riu Sara, dizendo: ‘Será verdade que darei ainda à luz, sendo velha?’ Acaso, para o Senhor há coisa demasiado difícil? Daqui a um ano, neste mesmo tempo, voltarei a ti, e Sara terá um filho.”

Então, o que você acha que aquela mulher do grande patriarca Abraão falou? Ela veio se ajoelhar e louvar a Deus, reconhecendo o seu erro e pedindo-Lhe perdão, e agradecendo ao Senhor por tão maravilhosa notícia? Não foi isso que aconteceu; antes note o que ela teve a coragem de fazer: “Então, Sara, receosa, o negou, dizendo: Não me ri. Ele, porém, disse: Não é assim, é certo que riste.” (Gênesis 18:12-15). Lá se encontrava uma mulher “justa”, que temendo por sua honra, usou de falsidade diante do próprio Deus que vê de todas as coisas, até as que estão escondidas, quer sejam boas quer sejam más.

E eles se levantaram para prosseguir viagem rumo à cidade de Sodoma, e Abraão os acompanhou até certo ponto, a fim de encaminhá-los. E o Senhor lhe falou a respeito da destruição daquela cidade ímpia, em virtude da gravidade dos seus pecados. E foram-se os três homens-anjos. Mas Abraão ficou em uma profunda angústia, e se aproximou de Deus e lhe falou: “Senhor, destruirás o justo com o ímpio? Se houver, porventura, 50 justos na cidade, destruirás ainda assim e não pouparás o lugar por amor dos 50 justos que nela se encontram? Longe de ti o fazeres tal coisa, matares o justo com o ímpio, como se o justo fosse igual ao ímpio; longe de ti. Não fará justiça o Juiz de toda a terra?”

E diante deste apelo tão convincente, Deus lhe deu uma resposta cheia de misericórdia, dizendo que pouparia a cidade nessas condições, por amor aos 50 justos que porventura houvesse na cidade. Mas Abraão continuou a interceder e fez várias outras tentativas, na suposição de haver em Sodoma 45, 40, 30, 20, até que finalmente chegou aos 10 justos. Deus lhe deu a mesma resposta: “Não destruirei Sodoma por amor dos 10.” E Abraão teve que se calar, porque não havia nem 10 justos naquela ímpia e condenada cidade, embora muito populosa. Onde estão os justos, homens fiéis, verdadeiros e tementes a Deus? Assim pensava Abraão (vs. 22-33).

O profeta Jeremias escreveu estas palavras de Deus: “Dai voltas às ruas de Jerusalém; vede agora, procurai saber, buscai pelas suas praças a ver se achais alguém, se há um homem que pratique a justiça ou busque a verdade! E Eu lhe perdoarei a ela” (Jr 5:1). Deus estava procurando apenas um justo na cidade de Jerusalém; se Ele o encontrasse, pouparia a cidade da destruição vindoura pelos exércitos de Babilônia. Onde estão os justos, os fiéis e verdadeiros? Assim dizia Deus.

E Jeremias pensava que os insensatos eram apenas os pobres, porque não tinham o conhecimento de Deus. Então, ele se dirigiu aos grandes da nação e se decepcionou porque aqueles líderes que conheciam o caminho do Senhor rejeitavam a Sua palavra e endureciam a sua consciência, “porque as suas transgressões se multiplicaram, se multiplicaram as suas traições” e falsidades. (v. 5,6). “Que é isso? Furtais e matais, cometeis adultério e jurais falsamente, queimais incenso a Baal e andais após outros deuses que não conheceis, e depois vindes, e vos pondes diante de mim nesta Casa que se chama pelo Meu nome, e dizeis: Estamos salvos; sim, só para continuardes a praticar estas abominações!” (Jr 7:9-10). E Deus procurava um homem justo ao lado do profeta Jeremias, nas ruas daquela condenada cidade.

Diógenes de Sínope (412-323 a.C.) era um filósofo grego desterrado de sua pátria que fora morar em Atenas. Diz-se que ele perambulava pelas ruas da cidade com uma lamparina em suas mãos em pleno dia. Perguntaram-lhe: “Diógenes, por que você carrega essa lamparina, em pleno Sol do meio-dia?” Ele respondeu prontamente: “Eu procuro um homem!” Ele procurava um homem honesto, verdadeiro, sincero, alguém em quem ele pudesse confiar! Esta é a maior necessidade do mundo.

Disse a escritora americana Ellen G. White: “A maior necessidade do mundo é a de homens - homens que não se comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus.” (E.G.White, Educação, 57). O profeta Jeremias procurava um homem; Davi lamentava a carência de homens retos e justos. Diógenes com a sua lamparina procurava um homem. E Ellen White diz que esta é a maior necessidade do mundo.

II – Intervenção divina (v. 5)

Estas são as palavras de Deus, em resposta à necessidade de homens justos, e em contemplação da “opressão dos pobres e do gemido dos necessitados” esquecidos: “Eu me levantarei agora, diz o Senhor; e porei a salvo a quem por isso suspira.”

Esta é a grande promessa divina de Sua intervenção. Deus não pode ver o mal sem tomar providências redentoras. Os atos de Deus são atos de salvação pelo Seu povo oprimido. Ele promete Se levantar. Esta é uma linguagem figurada que indica uma reação de Deus diante da opressão do Seu povo. Ele Se levantou quando o povo de Israel estava sendo oprimido no Egito. Ele Se levantou quando o Seu povo estava sendo oprimido na Palestina pelos cananeus e enviou a muitos juízes libertadores. Ele Se levantou quando o Seu povo estava sendo oprimido pelos babilônios, e enviou a Ciro para libertá-los.

Mas Ele também Se levantou para salvar a humanidade inteira e enviou a Jesus Cristo para libertar-nos do pecado. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16).

Certa noite João Wesley estava a caminho de casa, voltando do trabalho. Na estrada, apareceu dentre as trevas um homem, exigindo-lhe bruscamente o dinheiro ou a vida.
– Meu amigo, – disse Wesley bondosamente, enquanto lhe entregava o que tinha – talvez um dia o senhor deseje abandonar essa vida. Quando chegar esse tempo, lembre-se disto: "Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores" e: "O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado".

Anos mais tarde estava Wesley cumprimentando o povo, à porta da igreja. Um membro se lhe aproximou e lembrou-lhe aquele incidente. Wesley bem se recordava do fato.
– Fui eu aquele salteador – disse o homem, humildemente. – As palavras que o senhor me disse nunca mais me abandonaram. Minha vida foi transformada completamente! Descobri que de fato Jesus Cristo pode salvar o mais vil pecador.

O amor e a salvadora graça do Salvador convencem e convertem o mais indigno dos homens! E através dos séculos Ele tem trazido vida e esperança a milhões de pessoas que para Ele ergueram os olhos.

III – Certeza libertadora (6-7)

1 – Certeza de Davi para os homens. Com efeito, podemos confiar na promessa de Deus de que nos porá a salvo, a nós que suspiramos por isso (Salmo 12:5), e “gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo.” (Romanos 8:23). E como podemos ter essa confiança? Como podemos ter essa fé? Como podemos ter esta certeza? O salmista nos responde a esta pergunta não formulada em seu salmo, dizendo: “As palavras do Senhor são palavras puras, prata refinada em cadinho de barro, depurada sete vezes.” (Salmo 12:6).

Ou seja, embora os homens falhem em sua palavra, sendo falsos, bajuladores, hipócritas, pretensiosos e opressores, Deus é fiel e cumpre a Sua Palavra que é santa, justa e boa. É a pureza de Sua Palavra que nos transforma e salva. É pela Sua Palavra de pureza que somos animados a ter fé nEle, como disse o apóstolo Paulo: “a fé vem pelo ouvir e o ouvir pela Palavra de Cristo” (Romanos 10:17).

2 – Certeza de Davi para Deus.  Mas, se antes Davi falou para homens, e deu o seu testemunho acerca da Palavra de Deus, agora, ele fala para Deus sobre a certeza que ele tem de que crê na Sua intervenção salvadora: “Sim, Senhor, tu nos guardarás; desta geração nos livrarás para sempre.” (Salmo 12:7-8).

Davi fala para Deus sobre a sua fé em Sua libertação: “Sim, Senhor, Tu nos guardarás!” Faz muito bem à nossa alma falar de Deus para Deus! E Ele também Se compraz em nos ouvir falar de nossa fé nEle para Ele. Quando a alma está em angústia, deve clamar a Deus, como Davi fez no início do salmo, em sua queixa; mas não ficaremos só em queixas e lamentações, à procura de homens fiéis, mas vamos além disso, da dúvida para a fé, dizendo a Deus que nós cremos nEle, e que não estamos decepcionados com Ele, embora estejamos decepcionados com os homens.

Quando Elias estava no monte Horebe lamentado a falta de homens fiéis, justos e retos, dizendo que só restava ele, que havia ficado só no caminho da justiça, e ainda procuravam caçar a sua vida, Deus lhe deu uma resposta consoladora: “Conservei em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal, e toda boca que o não beijou.” (1Reis 19:18). Pode ser que as nossas lamentações devam ser substituídas por louvores e declarações de fé para Deus ao dizermos: “Sim, Senhor, Tu nos livrarás para sempre!”

Conclusão (v. 8)

Vivemos em um mundo terrível, em que “por todos os lugares andam os perversos, quando entre os filhos dos homens a vileza é exaltada.” Há um aumento de crimes e criminosos; há uma proliferação de lugares contaminados por homens perversos e maus, prontos para eliminar a vida por qualquer motivo. Há uma inversão de valores, em que a vileza é exaltada, o crime levanta a sua hedionda cabeça, a depravação é elogiada, e parece que ninguém atenta para isso e a justiça anda tropeçando pelas praças.

Entretanto, há uma grande multidão de homens e mulheres dos quais o mundo não é digno, que se levantam em suas preces para louvar a Deus e dizer: “Sim, Senhor, Tu nos livrarás para sempre!” Estes são os verdadeiros e justos, que não dobraram os seus joelhos a Baal, nem aos deuses modernos da televisão, nem à Babilônia “cristã”.

Sim, existe uma multidão de cristãos, “homens que não se compram nem se vendem; homens que no íntimo da alma são verdadeiros e honestos; homens que não temem chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consciência é tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo; homens que permanecem firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus.” Estes são os escolhidos de Deus. Agora, só uma pergunta: Você é um destes? Você é um escolhido? Você tem certeza de que anda no caminho da justiça e da retidão?

Você pode dizer a verdade ainda que seja ameaçado pelos ímpios?  Há muitos anos certo jovem prestava serviço no Exército Confederado do Sul, nos Estados Unidos. Estava sob as ordens do general Robert E. Lee e sentia-se muito orgulhoso dele. Certo dia, esse jovem recebeu a notícia de que sua mãe estava muito doente. De modo que pediu licença ao general Lee para visitá-la. O general lhe deu uma ordem escrita e lhe sugeriu que se vestisse à paisana, porquanto sua casa se encontrava muito perto da linha de combate.

Com toda pressa o soldado começou sua viagem. Finalmente, conseguiu divisar seu querido lar. Mas, para sua decepção, notou que vários soldados da União interceptaram o seu caminho. Pôde ver sua casa à distância. Os inimigos não demoraram em prendê-lo e levá-lo perante o comandante do acampamento dos soldados da União, onde tremulavam as bandeiras com a brisa, e havia soldados por todas as partes.

Se ele dissesse que se simpatizava com os do norte, talvez o teriam deixado ir livremente; se dissesse que era do Sul, provavelmente o levariam a um acampamento de prisioneiros.
- Quem é o você? - interrogou o oficial.

O jovem hesitou. Então pensou no seu general, e serenamente, levantando a cabeça orgulhosamente, disse:- "Sou um soldado confederado sob o comando do general Lee."
- Então, você é um espião. Será fuzilado ao amanhecer. Soldados, levai-o daqui!
- Mas, senhor, não sou um espião. Estou usando roupas civis, porque fui dispensado, vou ver minha mãe, doente, mora no fim desta rua.
- Revistem-no! - foi a ordem do oficial. Assim o fizeram, encontraram só a ordem do general Lee para visitar sua mãe. Era um momento de angústia; o oficial examinava o pedaço de papel.

Finalmente disse: "Parece que você está dizendo a verdade. Além disso, não se envergonha de sua causa. Por estas duas razões ponham-no em liberdade."

Temos certeza de que a nossa libertação é “para sempre”. Nossa suprema esperança é a vida eterna. Em uma vida tão fugaz, hoje, podemos nos preparar a fim de sermos fiéis ao dever como a bússola é fiel ao pólo. Podemos afinar a nossa consciência para ouvir a voz de Deus em meio ao vozerio carnavalesco de um mundo que se encaminha para a perdição! Como está a sua consciência? Você tem uma certeza eterna?

Pr. Roberto Biagini
Mestrado em Teologia

terça-feira, 26 de junho de 2012

Estudando Salmos-10

SALMO 10 – QUANDO DEUS PARECE DISTANTE

O salmo 10 pode ser dividido em duas partes principais, como vemos na sua introdução. (v. 1-2). Embora este salmo não tenha uma subscrição, o autor mais provável é Davi pela semelhança com o salmo anterior, que foi escrito por ele. Nestes versos introdutórios surge a grande questão: Por que Deus parece estar tão distante, enquanto os ímpios estão reinando e oprimindo os pobres?

Mas quem são os pobres? Primeiro, “pobres” eram os desamparados daquele tempo de Davi, os órfãos, as viúvas, os necessitados, os que não possuíam bens deste mundo. Mas, num sentido mais amplo, em uma segunda aplicação, pobres também são os “humildes de espírito” de quem Jesus Cristo falou que são bem-aventurados (Mt 5:3). O próprio Davi, que era um homem riquíssimo em bens materiais, disse de si mesmo: “Eu sou pobre e necessitado.” (Sl 70:5).

As palavras iniciais são: “Por que, SENHOR, te conservas longe? E te escondes nas horas de tribulação?” (v. 1). O salmista se encontrava em grande angústia, e expressou isso perguntando: “Por que, Senhor?” Este é o reflexo da aflição de sua alma. “Por que Te escondes justamente quando mais precisamos de Ti, em plena tribulação? O salmista está se sentindo só, enquanto Deus parecia manifestar uma letárgica indiferença, escondendo-Se nas horas mais difíceis.

Muitas vezes somos levados a perguntar: “Por que, Senhor?” “Por que, Senhor,” isso está acontecendo comigo? “Por que, Senhor,” essas tribulações pesam sobre a minha alma? Você já se sentiu em uma situação semelhante? Você já esteve decepcionado com Deus? Por que Deus não responde? Por que Deus não age? Por que Deus parece tão distante? Estas são questões que muitas vezes se levantam na vida de muitas pessoas que estão cansadas e decepcionadas com Deus.

Certa vez um jovem foi a uma danceteria e se divertiu muito alegre com as moças que estavam lá, e bebeu muito. Então, quando já era muito tarde de madrugada, ele pegou a sua moto e resolveu voltar para sua casa – que ficava num sítio distante da cidade. Ele teve que enfrentar uma estrada cheia de curvas perigosas; então, como era fácil de se prever, aquele jovem, controlado pelas bebidas alcoólicas, perdeu-se numa curva e foi parar num barranco bem abaixo da estrada. Ele bateu o pescoço e atingiu a coluna cervical e os seus membros inferiores foram afetados e não reagiam mais; ele foi parar numa cadeira de rodas. Então, um pastor adventista foi chamado a fim de consolar o jovem acidentado que não podia mais crer em Deus. Quando o pastor se aproximou do moço, ele perguntou: “Onde está Deus que não me responde?” De fato, parece que Deus está muito distante nas horas amargas da tribulação. Mas às vezes somos nós os próprios culpados por estas horas amargas de dor.

Se pensarmos física ou astronomicamente, Deus está muito longe, acima de mais de 200 milhões de galáxias no espaço sideral, a 500 milhões de anos-luz de distância de nossa humilde Terra, perdida no espaço sideral que nos parece infinito. Mas, se pensarmos na onipresença de Deus e no seu grande amor por nós, saberemos que Ele está muito perto de nós. Ele está bem aí perto de você enquanto você pensa que Ele mantém-Se distante. Ele pode ver o seu sofrimento e a sua angústia, pode dizer onde você mora, o que você gosta mais de fazer, qual é a sua família, quais são os seus amigos e sabe quem é que está lhe perseguindo, e desejando o seu mal.  

I – O DOMÍNIO DOS ÍMPIOS (vs. 2-11)

Com efeito, não vivemos em um mar de rosas.  Quando contemplamos o nosso mundo, não podemos deixar de ver como reinam os perversos. Davi procura uma razão para a distância de Deus diante das perversas obras dos ímpios habitantes de sua terra, homens que viviam uma religião apostatada. Davi procura um motivo para a indiferença de Deus diante da opressão dos pobres, justos, inocentes e desamparados.

 Como são os ímpios? Qual é o seu caráter? O que fazem eles?

1 – Os ímpios são orgulhosos. Os versos 2-4 apresentam este aspecto do caráter dos ímpios. Eles são cheios de orgulho. “Com arrogância, os ímpios perseguem os pobres” (v. 2). O grande pecado desses ímpios é originado em seu coração, está no íntimo de sua alma. O seu pecado é o orgulho que fundamenta a sua cobiça insaciável por bens materiais, que se reflete na perseguição dos pobres. “Pois o perverso se gloria da cobiça de sua alma” (v. 3). Eles se glorificam a si próprios, cantam um hino de louvor a si mesmos em seu pecado.

Jesus Cristo contou uma parábola sobre um homem rico que era avarento e ímpio, cujo campo frutificou com abundância. E como ele era muito egoísta, pensava apenas em si mesmo, e não era justo para com o seu próximo, gloriou-se na sua cobiça, e disse à sua alma: “Tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lc 12:19-20). A lição de Cristo serve para todos: “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui.” (Lc 12:15).

A arrogância desses ímpios do salmo 10 chegava ao ponto de maldizer o Senhor. Certamente, algumas coisas não davam certo como eles queriam e, então, eles blasfemavam de Deus e colocavam a culpa sobre Ele. No seu orgulho, julgavam que Deus era o seu servo e tinha a obrigação de fazer a sua vontade e atender aos seus caprichos pronta e imediatamente.

2 - Os ímpios são ateus. Diz o v. 4: “O perverso, na sua soberba, não investiga; que não há Deus são todas as suas cogitações.” Embora o judaísmo cria firmemente na existência de um Deus Criador do universo, os homens ímpios de Israel estavam prontos a duvidar até da existência de Deus, intelectualmente, porque praticavam essa crença na sua vida perversa. Na sua superficialidade, eles não investigavam as evidências da operação de um Deus soberano, e nos seus pensamentos, nas suas cogitações, eles viviam como se Deus não existisse, embora a sua consciência religiosa pudesse apontar a Deus.

Esta é uma descrição fiel de nossos dias. Vivemos em um tempo de muita superficialidade, apesar de tanto conhecimento, apesar de tanta informação por inúmeros meios. A humanidade ainda é formada por um superficialismo que leva à descrença em Deus ou na sua verdade. Mesmo entre os que professam crer em Deus, muitos O negam por suas atitudes e incredulidade. Muitos estão discordando da Lei de Deus, do Sábado, do Dízimo, do Espírito de Profecia, da Liderança da Igreja, da Divindade de Cristo, da Personalidade do Espírito Santo, e logo passarão a apostatar do próprio Deus, abandonando as fileiras dos cristãos, para se unirem aos ímpios habitantes da Terra.  

E qual é a razão apontada pelo salmista para tudo isso? Falta de investigação. Mas muitos poderiam racionalizar que eles de fato estão negando muitas dessas coisas, justamente porque investigam, examinam os fatos e as “verdades”. Entretanto, o texto do salmo fala que o perverso não investiga “na sua soberba” (v. 4). Não basta só a investigação; é preciso muita humildade para que reconheçamos a verdade exposta pelo Espírito Santo. Sem humildade e disposição para aprender de Deus, não é possível alguém chegar ao pleno conhecimento da verdade.

Mas também é preciso achar a Fonte cristalina da verdade; há necessidade de se investigar na fonte verdadeira, porque podemos facilmente ser desviados da verdade – se confiarmos num falso sistema de investigação.

Uma jovem certa vez escreveu a um pastor adventista sobre a doutrina da Trindade. Ele lhe enviou um farto material sobre o assunto. Então, ela respondeu que havia lido tudo, mas não podia crer que aquilo fosse verdade, e que não se imaginava mais crendo na Trindade.

O pastor lhe respondeu diretamente e sem rodeios: “Moça, se você está confiando em fontes poluídas, como poderá crer na verdade? Se você já foi vacinada pelos dissidentes, se você já recebeu uma lavagem cerebral nas fontes da apostasia da verdade, o que Deus poderá fazer por você? Que argumento pode convencê-la, se você não pesa a força da verdade e não percebe as contradições? A única solução é abandonar essas fontes da mentira, e voltar à única Fonte da verdade, confiando em Deus e em como Ele dirige a Sua igreja.” Então, ela se humilhou e pediu oração.

3 – Os ímpios são escarnecedores. Lemos no v. 5: “São prósperos os seus caminhos em todo tempo; muito acima e longe dele estão os Teus juízos; quanto aos seus adversários, ele a todos ridiculariza.” Eles têm os seus inimigos que os censuram porque sua prosperidade é o fruto de perseguir e assolar aos pobres, e por não atenderem às leis de Deus, que eles rejeitaram. Entretanto, eles escarnecem desses adversários.

Os justos podem perguntar como fez Jeremias: “Por que prospera o caminho dos perversos?” (12:1). Perguntava o salmista por que Deus estava tão longe. Agora, parece que a prosperidade está perto dos ímpios e as leis de Deus estão muito longe deles. É evidente que os ímpios estão prosperando na base de sua desonestidade e opressão contra os pobres e desamparados. Mas eles estão escarnecendo de tudo e de todos, inclusive de Deus, que permite a sua prosperidade e parece estar muito longe de seus ímpios caminhos. Assim, podem os perversos reinar, como se Deus não estivesse presente num mundo em que dominam.

O salmista ainda descreve a razão do caráter do perverso cheio de orgulho pelo que é rápido em escarnecer: “Pois diz lá no seu íntimo: Jamais serei abalado; de geração em geração, nenhum mal me sobrevirá.” (v. 6). Ele parece estar muito confiante e seguro de que jamais será destronado. A ausência de uma punição imediata sobre aqueles que praticam o mal é sempre um forte argumento para continuarem no pecado. É uma falsa segurança. Logo veremos isto.

4 – Os ímpios são maldizentes. “A boca, ele a tem cheia de maldição, enganos e opressão; debaixo da língua, insulto e iniqüidade.” (v. 7). O perverso usa a sua língua de modo ferino, enganoso e ofensivo. A verdade não está em sua boca, porque ela só fala mentiras. Fala mal de tudo e de todos; fala mal de homens e de Deus. Não se pode confiar nele.

5 – Os ímpios são criminosos. O perverso “trucida os inocentes nos lugares ocultos” (v. 8), fica “de emboscada como leão na sua caverna... para enlaçar o pobre (ou aflito)” (v. 9), e “em seu poder lhe caem os necessitados” (v. 10). E, depois de cometer os seus atos homicidas e assassinos, o perverso ainda pensa que pode se livrar da sua merecida recompensa, de cair nas mãos de um Deus irado: “Diz ele, no seu íntimo: Deus se esqueceu, virou o rosto e não verá isto nunca.” (v. 11).

Esta é a prova de que não existe ateu realmente. É como disse um ateu, faz algum tempo, a alguém que lhe perguntou: “Você crê em Deus?” E ele respondeu: “Eu sou ateu, graças a Deus!” No verso 4, lemos acerca do ímpio: “que não há Deus são todas as suas cogitações”. Agora, ele não pode sopitar a sua angústia, e tenta se convencer a si mesmo, em seu íntimo, tenta abafar a voz de sua consciência, da qual ele não pode fugir, de que Deus, que ele sabe que existe sim, não se lembrará, Se esqueceu, virou o rosto, e ele, enfim, escapará livre da punição. Só por um tempo.

II – O REINADO DE DEUS (vs. 12-18)

Contemplando o nosso mundo hoje, deveríamos orar mais intensamente pelos pobres e aflitos que estão sendo oprimidos pelos ímpios, pois o quadro se repete. Temos que orar mais pelos pobres, humildes e fiéis servos de Deus, homens e mulheres justos que estão sendo perseguidos.

1 – Davi ora para que Deus Se manifeste. V. 12: “Levanta-te, SENHOR! Ó Deus, ergue a mão! Não te esqueças dos pobres.” Davi está angustiado pela atuação dos perversos contra os pobres, e faz um apelo a Deus para que Se levante. O salmista desejava que o Eterno Se interpusesse entre os justos e os ímpios, a fim de salvar aos primeiros, que são chamados de pobres, ou aflitos, tanto fisicamente como espiritualmente.

Quando Deus Se levanta, Ele age em benefício de Seu povo. Ele diz: “Chega de esperar! O tempo da salvação está prestes a manifestar-se!” Ele não Se esquece dos aflitos, dos pobres de espírito, dos perseguidos e oprimidos pelo sistema da corrupção dos ímpios..

Muitos pensam que Deus Se esquece dos Seus filhos. Muitos hoje estão simplesmente acreditando na filosofia de Wilhelm Nietzsche (1844-1900), filósofo alemão do século XIX, que espalhou a ideia de que “Deus está morto”! Quem está morto é o filósofo, e morreu de modo triste, porque desceu louco à sepultura. Hoje a sua filosofia é pregada e cantada, como a banda que propaga a música “Heresy” (Heresia), cujo refrão diz: “O seu Deus morreu e ninguém se importa!” De fato, muitos estão confiantes na mentira de que Deus morreu e, por isso, não se importam com Ele e ainda dizem que Ele não Se importa; está longe e, se é que existe, abandonou o mundo.

O salmista simplesmente faz esta pergunta aos que, como aquele filósofo, se dizem ateus ou incrédulos, no v. 13: “Por que razão despreza o ímpio a Deus, dizendo no seu íntimo que Deus não se importa?” Como poderia Deus permitir que triunfasse a iniquidade, sem se importar com isso? Por que razão deveria alguém imaginar que Deus não se levantará para defender o justo e punir ao ímpio? De fato, não há razão para pensar assim, porque Deus já deu abundantes provas de Sua atuação na História de todos os povos, em todos os tempos.

2 – Davi ora para que Deus reprima as obras do ímpio. V. 15: “Quebranta o braço do perverso e do malvado;” Esta é uma oração para que os próprios instrumentos da perversidade sejam impedidos, reprimidos. Deus pode quebrar os braços dos opressores e assassinos, e impedi-los de agir. Deus pode quebrar os dentes dos perversos (Sl 3:7) e fazê-los passar fome como fazem com os pobres. Deus pode cegar os olhos dos ímpios cobiçosos (v. 3), como Ele fez com os habitantes de Sodoma, para que fossem impedidas as suas ações concupiscentes e criminosas (Gn 19:11). O salmo torna-se assim um apelo a Deus para que Ele intervenha e elimine a impiedade.

3 – Davi ora a Deus para que julgue aos ímpios. Ele diz, v. 15: “Esquadrinha-lhes a maldade, até nada mais achares.” Esta é uma oração por justiça. Os justos estão angustiados pela opressão dos ímpios; estão sendo roubados de suas propriedades, sofrendo pela perseguição, padecendo fome e necessidade, e Deus parece muito distante.

Aqui está a resposta para a pergunta inicial do v. 1. Aparentemente, Deus se conserva distante, porque Ele está dando um tempo para que os ímpios possam se revelar em sua plenitude de caráter. Mas, brevemente, virá o julgamento de todos. Os seus atos, pensamentos e palavras serão julgados, esquadrinhados, examinados, testados segundo a reta justiça. O exame será tão minucioso, de acordo com tudo o que se encontra registrado nos livros, que “nada mais” será achado. Nada escapará diante dos olhos perscrutadores do Juiz de toda a Terra. Os ímpios que agora estão perseguindo, zombando e escarnecendo dos justos e de Deus responderão pelos seus atos de perversidade.

4 – Davi louva a Deus por Seu reinado. Disse ele: “O SENHOR é Rei eterno!” No original, o escritor usou 4 palavras significativas: Yahweh Rei eterno perpétuo. Mas, se Yahweh também significa eterno, ele disse: “O Eterno é Rei eterna e perpetuamente”. Isso indica que ele encontrou a resposta para as suas inquietações. Embora pareça que Deus esteja distante, longe de nós, na realidade, Deus sempre esteve reinando, está reinando, e reinará pelos séculos intérminos da eternidade.

Deus tem ouvido “o desejo dos humildes” (v. 17), e há de fortalecê-los em seu coração ansioso por uma resposta divina. Então, quando o Juízo se manifestar no tempo próprio de Deus, as nações ímpias serão desbaratadas, desarraigadas da Terra (v. 16), o terrorismo será extinto (v. 18), e os justos e oprimidos hão de louvar para sempre a salvação de nosso Deus eterno. Então, a justiça será estabelecida e restaurada a paz eternamente.

CONCLUSÃO

Muitas pessoas estão decepcionadas com Deus. Em angústia, clamam de dia e de noite: Por que, Senhor? Por que Deus não responde às minhas preces? Por que Ele se esconde e não Se comunica com os Seus filhos atribulados? Por que não temos respostas definidas para as nossas dúvidas?

Aconteceu um acidente automobilístico, numa cidade dos Estados Unidos e uma criança de 5 anos foi atropelada. Os pais estavam lá quando chegou, imediatamente, o seu pastor. Neste momento, a mãe, segurando a criança ensangüentada nos braços, se dirige ao pastor e diz: “Pastor, onde estava Deus quando o meu filho foi acidentado?” O pastor foi muito feliz em sua resposta. Ele disse: “Minha irmã, Deus estava no mesmo lugar de quando o Seu próprio Filho estava morrendo na cruz do Calvário!”

Agora, podemos ter uma resposta plenamente satisfatória de um Deus que parece distante. Mas Ele está tão perto e Se importa tanto que enviou o Seu Filho para morrer em nosso lugar e pagar o preço de nossa redenção. De fato, Ele está tão perto de você que pode, neste exato momento, saber quais são os seus sentimentos, qual é a sua aflição, sua dor e angústia. Mas Ele precisa de mais um tempo. Apenas um pouco mais, “porque, ainda dentro de pouco tempo, Aquele que vem virá e não tardará; todavia, o Meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a Minha alma.” (Hb 10:37-38). É só um pouquinho mais!

Pr. Roberto Biagini
Mestrado em Teologia
prbiagini@gmail.com

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