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sexta-feira, 23 de julho de 2021

Julgamento Pelos Registros

 Jornada Diária-Dia 23/07/2021 

365 Dias Vivendo ''A MARAVILHOSA GRAÇA DE DEUS'' 

Tema do mês: O Santuário de Deus

🛐 Desafios de Oração 

•Ore e peça ajuda a Deus para conseguir gerir melhor o seu tempo. Faça uma lista de prioridades e busque dedicar tempo a essas coisas importantes: tempo a sós com Deus, família, igreja, trabalho, estudos...

•Ore se está cansado, triste ou abatido. Leia e encontre ânimo e consolo na Palavra de Deus. Leia-a com confiança e fé. Confie em Deus de todo o coração e entregue a Ele os seus problemas.

•Busque estar perto de Deus diariamente, demonstrando na prática o seu amor e a sua dedicação a Ele.

✓Apresente a Deus os seus pedidos de oração e fale com Ele de suas necessidades...

✍Leia a Meditação a seguir👇🏻

A Maravilhosa Graça de Deus 

23 de julho 

Julgamento Pelos Registros

Porque Deus há de trazer a juízo toda obra e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau. Ecl. 12:14.

O povo de Deus ter agora os olhos fixos no santuário celestial, onde se está processando a ministração final de nosso grande Sumo Sacerdote na obra do juízo – e onde está intercedendo por Seu povo. …

Os livros de registro no Céu, nos quais estão relatados os nomes e ações dos homens, devem determinar a decisão do juízo. …

O livro da vida contém os nomes de todos os que já entraram para o serviço de Deus. Jesus ordenou a Seus discípulos: “Alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos Céus.” Luc. 10:20. Paulo fala de seus fiéis cooperadores, “cujos nomes estão no livro da vida”. Filip. 4:3. …

“Há um memorial escrito diante” de Deus, no qual estão registradas as boas ações dos “que temem ao Senhor, e para os que se lembram do Seu nome.” Mal. 3:16. Suas palavras de fé, seus atos de amor, acham-se registrados no Céu. …

Há também um relatório dos pecados dos homens. “Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra.” … Os propósitos e intuitos secretos aparecem no infalível registro; pois Deus “trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações”. I Cor. 4:5. …

A obra de cada homem passa em revista perante Deus … Ao lado de cada nome, nos livros do Céu, estão escritos, com terrível exatidão, toda má palavra, todo ato egoísta, todo dever não cumprido, e todo pecado secreto, juntamente com toda artificiosa hipocrisia. Advertências ou admoestações enviadas pelo Céu, e que foram negligenciadas, momentos desperdiçados, oportunidades não aproveitadas, influência exercida para o bem ou para o mal, juntamente com seus resultados de vasto alcance, tudo é historiado pelo anjo relator. O Grande Conflito, págs. 480-482.

Se vosso nome se acha registrado no livro da vida, do Cordeiro, então tudo está bem convosco. Estejais prontos e ansiosos para confessar vossas faltas e abandoná-las, a fim de que vossos erros e pecados possam ir antecipadamente a juízo, e ser apagados. Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, pág. 523.

Meditação Matinal de Ellen White – A fé pela qual eu vivo,  pag. 210🌼

Lembre-se: 

•de orar e colocar nas mãos de Deus o seu dia e todas as coisas que planeja fazer.

•orar para ser reverente a Deus em todas as ocasiões. Na igreja, em casa, no trabalho, onde você estiver seja reverente  ao Senhor...

• Orar pelos participantes desta jornada para que  possam ser praticantes da Palavra de Deus e seguir a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão, a temperança...

•Agradecer pela vida, pelas vitórias e conquistas que você tem alcançado.

•Orar para que ''A Maravilhosa Graça de Deus'' se manifeste na nossa vida, na vida de nossa família, de nossos amigos e na vida de todas as pessoas pelas quais oramos... 


@jespiritual #meditação #oração #graçadeDeus

terça-feira, 26 de junho de 2012

Estudando Salmos-10

SALMO 10 – QUANDO DEUS PARECE DISTANTE

O salmo 10 pode ser dividido em duas partes principais, como vemos na sua introdução. (v. 1-2). Embora este salmo não tenha uma subscrição, o autor mais provável é Davi pela semelhança com o salmo anterior, que foi escrito por ele. Nestes versos introdutórios surge a grande questão: Por que Deus parece estar tão distante, enquanto os ímpios estão reinando e oprimindo os pobres?

Mas quem são os pobres? Primeiro, “pobres” eram os desamparados daquele tempo de Davi, os órfãos, as viúvas, os necessitados, os que não possuíam bens deste mundo. Mas, num sentido mais amplo, em uma segunda aplicação, pobres também são os “humildes de espírito” de quem Jesus Cristo falou que são bem-aventurados (Mt 5:3). O próprio Davi, que era um homem riquíssimo em bens materiais, disse de si mesmo: “Eu sou pobre e necessitado.” (Sl 70:5).

As palavras iniciais são: “Por que, SENHOR, te conservas longe? E te escondes nas horas de tribulação?” (v. 1). O salmista se encontrava em grande angústia, e expressou isso perguntando: “Por que, Senhor?” Este é o reflexo da aflição de sua alma. “Por que Te escondes justamente quando mais precisamos de Ti, em plena tribulação? O salmista está se sentindo só, enquanto Deus parecia manifestar uma letárgica indiferença, escondendo-Se nas horas mais difíceis.

Muitas vezes somos levados a perguntar: “Por que, Senhor?” “Por que, Senhor,” isso está acontecendo comigo? “Por que, Senhor,” essas tribulações pesam sobre a minha alma? Você já se sentiu em uma situação semelhante? Você já esteve decepcionado com Deus? Por que Deus não responde? Por que Deus não age? Por que Deus parece tão distante? Estas são questões que muitas vezes se levantam na vida de muitas pessoas que estão cansadas e decepcionadas com Deus.

Certa vez um jovem foi a uma danceteria e se divertiu muito alegre com as moças que estavam lá, e bebeu muito. Então, quando já era muito tarde de madrugada, ele pegou a sua moto e resolveu voltar para sua casa – que ficava num sítio distante da cidade. Ele teve que enfrentar uma estrada cheia de curvas perigosas; então, como era fácil de se prever, aquele jovem, controlado pelas bebidas alcoólicas, perdeu-se numa curva e foi parar num barranco bem abaixo da estrada. Ele bateu o pescoço e atingiu a coluna cervical e os seus membros inferiores foram afetados e não reagiam mais; ele foi parar numa cadeira de rodas. Então, um pastor adventista foi chamado a fim de consolar o jovem acidentado que não podia mais crer em Deus. Quando o pastor se aproximou do moço, ele perguntou: “Onde está Deus que não me responde?” De fato, parece que Deus está muito distante nas horas amargas da tribulação. Mas às vezes somos nós os próprios culpados por estas horas amargas de dor.

Se pensarmos física ou astronomicamente, Deus está muito longe, acima de mais de 200 milhões de galáxias no espaço sideral, a 500 milhões de anos-luz de distância de nossa humilde Terra, perdida no espaço sideral que nos parece infinito. Mas, se pensarmos na onipresença de Deus e no seu grande amor por nós, saberemos que Ele está muito perto de nós. Ele está bem aí perto de você enquanto você pensa que Ele mantém-Se distante. Ele pode ver o seu sofrimento e a sua angústia, pode dizer onde você mora, o que você gosta mais de fazer, qual é a sua família, quais são os seus amigos e sabe quem é que está lhe perseguindo, e desejando o seu mal.  

I – O DOMÍNIO DOS ÍMPIOS (vs. 2-11)

Com efeito, não vivemos em um mar de rosas.  Quando contemplamos o nosso mundo, não podemos deixar de ver como reinam os perversos. Davi procura uma razão para a distância de Deus diante das perversas obras dos ímpios habitantes de sua terra, homens que viviam uma religião apostatada. Davi procura um motivo para a indiferença de Deus diante da opressão dos pobres, justos, inocentes e desamparados.

 Como são os ímpios? Qual é o seu caráter? O que fazem eles?

1 – Os ímpios são orgulhosos. Os versos 2-4 apresentam este aspecto do caráter dos ímpios. Eles são cheios de orgulho. “Com arrogância, os ímpios perseguem os pobres” (v. 2). O grande pecado desses ímpios é originado em seu coração, está no íntimo de sua alma. O seu pecado é o orgulho que fundamenta a sua cobiça insaciável por bens materiais, que se reflete na perseguição dos pobres. “Pois o perverso se gloria da cobiça de sua alma” (v. 3). Eles se glorificam a si próprios, cantam um hino de louvor a si mesmos em seu pecado.

Jesus Cristo contou uma parábola sobre um homem rico que era avarento e ímpio, cujo campo frutificou com abundância. E como ele era muito egoísta, pensava apenas em si mesmo, e não era justo para com o seu próximo, gloriou-se na sua cobiça, e disse à sua alma: “Tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lc 12:19-20). A lição de Cristo serve para todos: “Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui.” (Lc 12:15).

A arrogância desses ímpios do salmo 10 chegava ao ponto de maldizer o Senhor. Certamente, algumas coisas não davam certo como eles queriam e, então, eles blasfemavam de Deus e colocavam a culpa sobre Ele. No seu orgulho, julgavam que Deus era o seu servo e tinha a obrigação de fazer a sua vontade e atender aos seus caprichos pronta e imediatamente.

2 - Os ímpios são ateus. Diz o v. 4: “O perverso, na sua soberba, não investiga; que não há Deus são todas as suas cogitações.” Embora o judaísmo cria firmemente na existência de um Deus Criador do universo, os homens ímpios de Israel estavam prontos a duvidar até da existência de Deus, intelectualmente, porque praticavam essa crença na sua vida perversa. Na sua superficialidade, eles não investigavam as evidências da operação de um Deus soberano, e nos seus pensamentos, nas suas cogitações, eles viviam como se Deus não existisse, embora a sua consciência religiosa pudesse apontar a Deus.

Esta é uma descrição fiel de nossos dias. Vivemos em um tempo de muita superficialidade, apesar de tanto conhecimento, apesar de tanta informação por inúmeros meios. A humanidade ainda é formada por um superficialismo que leva à descrença em Deus ou na sua verdade. Mesmo entre os que professam crer em Deus, muitos O negam por suas atitudes e incredulidade. Muitos estão discordando da Lei de Deus, do Sábado, do Dízimo, do Espírito de Profecia, da Liderança da Igreja, da Divindade de Cristo, da Personalidade do Espírito Santo, e logo passarão a apostatar do próprio Deus, abandonando as fileiras dos cristãos, para se unirem aos ímpios habitantes da Terra.  

E qual é a razão apontada pelo salmista para tudo isso? Falta de investigação. Mas muitos poderiam racionalizar que eles de fato estão negando muitas dessas coisas, justamente porque investigam, examinam os fatos e as “verdades”. Entretanto, o texto do salmo fala que o perverso não investiga “na sua soberba” (v. 4). Não basta só a investigação; é preciso muita humildade para que reconheçamos a verdade exposta pelo Espírito Santo. Sem humildade e disposição para aprender de Deus, não é possível alguém chegar ao pleno conhecimento da verdade.

Mas também é preciso achar a Fonte cristalina da verdade; há necessidade de se investigar na fonte verdadeira, porque podemos facilmente ser desviados da verdade – se confiarmos num falso sistema de investigação.

Uma jovem certa vez escreveu a um pastor adventista sobre a doutrina da Trindade. Ele lhe enviou um farto material sobre o assunto. Então, ela respondeu que havia lido tudo, mas não podia crer que aquilo fosse verdade, e que não se imaginava mais crendo na Trindade.

O pastor lhe respondeu diretamente e sem rodeios: “Moça, se você está confiando em fontes poluídas, como poderá crer na verdade? Se você já foi vacinada pelos dissidentes, se você já recebeu uma lavagem cerebral nas fontes da apostasia da verdade, o que Deus poderá fazer por você? Que argumento pode convencê-la, se você não pesa a força da verdade e não percebe as contradições? A única solução é abandonar essas fontes da mentira, e voltar à única Fonte da verdade, confiando em Deus e em como Ele dirige a Sua igreja.” Então, ela se humilhou e pediu oração.

3 – Os ímpios são escarnecedores. Lemos no v. 5: “São prósperos os seus caminhos em todo tempo; muito acima e longe dele estão os Teus juízos; quanto aos seus adversários, ele a todos ridiculariza.” Eles têm os seus inimigos que os censuram porque sua prosperidade é o fruto de perseguir e assolar aos pobres, e por não atenderem às leis de Deus, que eles rejeitaram. Entretanto, eles escarnecem desses adversários.

Os justos podem perguntar como fez Jeremias: “Por que prospera o caminho dos perversos?” (12:1). Perguntava o salmista por que Deus estava tão longe. Agora, parece que a prosperidade está perto dos ímpios e as leis de Deus estão muito longe deles. É evidente que os ímpios estão prosperando na base de sua desonestidade e opressão contra os pobres e desamparados. Mas eles estão escarnecendo de tudo e de todos, inclusive de Deus, que permite a sua prosperidade e parece estar muito longe de seus ímpios caminhos. Assim, podem os perversos reinar, como se Deus não estivesse presente num mundo em que dominam.

O salmista ainda descreve a razão do caráter do perverso cheio de orgulho pelo que é rápido em escarnecer: “Pois diz lá no seu íntimo: Jamais serei abalado; de geração em geração, nenhum mal me sobrevirá.” (v. 6). Ele parece estar muito confiante e seguro de que jamais será destronado. A ausência de uma punição imediata sobre aqueles que praticam o mal é sempre um forte argumento para continuarem no pecado. É uma falsa segurança. Logo veremos isto.

4 – Os ímpios são maldizentes. “A boca, ele a tem cheia de maldição, enganos e opressão; debaixo da língua, insulto e iniqüidade.” (v. 7). O perverso usa a sua língua de modo ferino, enganoso e ofensivo. A verdade não está em sua boca, porque ela só fala mentiras. Fala mal de tudo e de todos; fala mal de homens e de Deus. Não se pode confiar nele.

5 – Os ímpios são criminosos. O perverso “trucida os inocentes nos lugares ocultos” (v. 8), fica “de emboscada como leão na sua caverna... para enlaçar o pobre (ou aflito)” (v. 9), e “em seu poder lhe caem os necessitados” (v. 10). E, depois de cometer os seus atos homicidas e assassinos, o perverso ainda pensa que pode se livrar da sua merecida recompensa, de cair nas mãos de um Deus irado: “Diz ele, no seu íntimo: Deus se esqueceu, virou o rosto e não verá isto nunca.” (v. 11).

Esta é a prova de que não existe ateu realmente. É como disse um ateu, faz algum tempo, a alguém que lhe perguntou: “Você crê em Deus?” E ele respondeu: “Eu sou ateu, graças a Deus!” No verso 4, lemos acerca do ímpio: “que não há Deus são todas as suas cogitações”. Agora, ele não pode sopitar a sua angústia, e tenta se convencer a si mesmo, em seu íntimo, tenta abafar a voz de sua consciência, da qual ele não pode fugir, de que Deus, que ele sabe que existe sim, não se lembrará, Se esqueceu, virou o rosto, e ele, enfim, escapará livre da punição. Só por um tempo.

II – O REINADO DE DEUS (vs. 12-18)

Contemplando o nosso mundo hoje, deveríamos orar mais intensamente pelos pobres e aflitos que estão sendo oprimidos pelos ímpios, pois o quadro se repete. Temos que orar mais pelos pobres, humildes e fiéis servos de Deus, homens e mulheres justos que estão sendo perseguidos.

1 – Davi ora para que Deus Se manifeste. V. 12: “Levanta-te, SENHOR! Ó Deus, ergue a mão! Não te esqueças dos pobres.” Davi está angustiado pela atuação dos perversos contra os pobres, e faz um apelo a Deus para que Se levante. O salmista desejava que o Eterno Se interpusesse entre os justos e os ímpios, a fim de salvar aos primeiros, que são chamados de pobres, ou aflitos, tanto fisicamente como espiritualmente.

Quando Deus Se levanta, Ele age em benefício de Seu povo. Ele diz: “Chega de esperar! O tempo da salvação está prestes a manifestar-se!” Ele não Se esquece dos aflitos, dos pobres de espírito, dos perseguidos e oprimidos pelo sistema da corrupção dos ímpios..

Muitos pensam que Deus Se esquece dos Seus filhos. Muitos hoje estão simplesmente acreditando na filosofia de Wilhelm Nietzsche (1844-1900), filósofo alemão do século XIX, que espalhou a ideia de que “Deus está morto”! Quem está morto é o filósofo, e morreu de modo triste, porque desceu louco à sepultura. Hoje a sua filosofia é pregada e cantada, como a banda que propaga a música “Heresy” (Heresia), cujo refrão diz: “O seu Deus morreu e ninguém se importa!” De fato, muitos estão confiantes na mentira de que Deus morreu e, por isso, não se importam com Ele e ainda dizem que Ele não Se importa; está longe e, se é que existe, abandonou o mundo.

O salmista simplesmente faz esta pergunta aos que, como aquele filósofo, se dizem ateus ou incrédulos, no v. 13: “Por que razão despreza o ímpio a Deus, dizendo no seu íntimo que Deus não se importa?” Como poderia Deus permitir que triunfasse a iniquidade, sem se importar com isso? Por que razão deveria alguém imaginar que Deus não se levantará para defender o justo e punir ao ímpio? De fato, não há razão para pensar assim, porque Deus já deu abundantes provas de Sua atuação na História de todos os povos, em todos os tempos.

2 – Davi ora para que Deus reprima as obras do ímpio. V. 15: “Quebranta o braço do perverso e do malvado;” Esta é uma oração para que os próprios instrumentos da perversidade sejam impedidos, reprimidos. Deus pode quebrar os braços dos opressores e assassinos, e impedi-los de agir. Deus pode quebrar os dentes dos perversos (Sl 3:7) e fazê-los passar fome como fazem com os pobres. Deus pode cegar os olhos dos ímpios cobiçosos (v. 3), como Ele fez com os habitantes de Sodoma, para que fossem impedidas as suas ações concupiscentes e criminosas (Gn 19:11). O salmo torna-se assim um apelo a Deus para que Ele intervenha e elimine a impiedade.

3 – Davi ora a Deus para que julgue aos ímpios. Ele diz, v. 15: “Esquadrinha-lhes a maldade, até nada mais achares.” Esta é uma oração por justiça. Os justos estão angustiados pela opressão dos ímpios; estão sendo roubados de suas propriedades, sofrendo pela perseguição, padecendo fome e necessidade, e Deus parece muito distante.

Aqui está a resposta para a pergunta inicial do v. 1. Aparentemente, Deus se conserva distante, porque Ele está dando um tempo para que os ímpios possam se revelar em sua plenitude de caráter. Mas, brevemente, virá o julgamento de todos. Os seus atos, pensamentos e palavras serão julgados, esquadrinhados, examinados, testados segundo a reta justiça. O exame será tão minucioso, de acordo com tudo o que se encontra registrado nos livros, que “nada mais” será achado. Nada escapará diante dos olhos perscrutadores do Juiz de toda a Terra. Os ímpios que agora estão perseguindo, zombando e escarnecendo dos justos e de Deus responderão pelos seus atos de perversidade.

4 – Davi louva a Deus por Seu reinado. Disse ele: “O SENHOR é Rei eterno!” No original, o escritor usou 4 palavras significativas: Yahweh Rei eterno perpétuo. Mas, se Yahweh também significa eterno, ele disse: “O Eterno é Rei eterna e perpetuamente”. Isso indica que ele encontrou a resposta para as suas inquietações. Embora pareça que Deus esteja distante, longe de nós, na realidade, Deus sempre esteve reinando, está reinando, e reinará pelos séculos intérminos da eternidade.

Deus tem ouvido “o desejo dos humildes” (v. 17), e há de fortalecê-los em seu coração ansioso por uma resposta divina. Então, quando o Juízo se manifestar no tempo próprio de Deus, as nações ímpias serão desbaratadas, desarraigadas da Terra (v. 16), o terrorismo será extinto (v. 18), e os justos e oprimidos hão de louvar para sempre a salvação de nosso Deus eterno. Então, a justiça será estabelecida e restaurada a paz eternamente.

CONCLUSÃO

Muitas pessoas estão decepcionadas com Deus. Em angústia, clamam de dia e de noite: Por que, Senhor? Por que Deus não responde às minhas preces? Por que Ele se esconde e não Se comunica com os Seus filhos atribulados? Por que não temos respostas definidas para as nossas dúvidas?

Aconteceu um acidente automobilístico, numa cidade dos Estados Unidos e uma criança de 5 anos foi atropelada. Os pais estavam lá quando chegou, imediatamente, o seu pastor. Neste momento, a mãe, segurando a criança ensangüentada nos braços, se dirige ao pastor e diz: “Pastor, onde estava Deus quando o meu filho foi acidentado?” O pastor foi muito feliz em sua resposta. Ele disse: “Minha irmã, Deus estava no mesmo lugar de quando o Seu próprio Filho estava morrendo na cruz do Calvário!”

Agora, podemos ter uma resposta plenamente satisfatória de um Deus que parece distante. Mas Ele está tão perto e Se importa tanto que enviou o Seu Filho para morrer em nosso lugar e pagar o preço de nossa redenção. De fato, Ele está tão perto de você que pode, neste exato momento, saber quais são os seus sentimentos, qual é a sua aflição, sua dor e angústia. Mas Ele precisa de mais um tempo. Apenas um pouco mais, “porque, ainda dentro de pouco tempo, Aquele que vem virá e não tardará; todavia, o Meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a Minha alma.” (Hb 10:37-38). É só um pouquinho mais!

Pr. Roberto Biagini
Mestrado em Teologia
prbiagini@gmail.com

sábado, 23 de junho de 2012

Estudando Salmos- 7


SALMO 7 – VOCÊ FOI ACUSADO INJUSTAMENTE?

INTRODUÇÃO (vs.1-2)

Todo discurso e todo sermão deve ter 3 partes indispensáveis: (1) Introdução, (2) Corpo e (3) Conclusão, ou se preferir, eles tem Começo, Corpo e Conclusão. E assim são os salmos que são sermões inspirados, que tem um começo, em que se introduz um assunto, tem um desenvolvimento dele, e logo a seguir, vem o final geralmente climático. Neste salmo, vemos uma introdução inicial, um assunto que se desenvolve por 3 palavras-chave, e um clímax no final. As 3 palavras que revelam todo o salmo 7 são estas: Acusação, Julgamento e Condenação.

Este salmo é considerado o primeiro dentre os Salmos Imprecatórios, que contém uma solicitação de juízo, calamidade ou maldição contra os inimigos do salmista, que são vistos como inimigos de Deus. Estes salmos tem deixado perplexos a muitos estudiosos, mas devemos levar em conta o propósito deles: (1) demonstrar o trato de Deus contra os ímpios, (2) dar uma oportunidade de arrependimento para eles, (3) vindicar os justos perseguidos e (4) motivar a todos, justos e injustos, a louvar a justiça divina, agora e no grande Julgamento divino.

O salmo 7 é introduzido com estas palavras de Davi: “Senhor, Deus meu, em ti me refugio; salva-me de todos os que me perseguem e livra-me; para que ninguém, como leão, me arrebate, despedaçando-me, não havendo quem me livre.” (v. 1-2).

Davi faz uma declaração diretamente a Deus, afirmando que Ele é o seu “Refúgio”. Toda oração geralmente começa com uma prece de gratidão, exceto quando a alma está atribulada. E esse era o caso daquele homem, que agora clamava dizendo: “Salva-me e livra-me!” Ele não orava por salvação do pecado; ele orava por livramento dos seus inimigos, que o perseguiam “como leão”.

Davi conhecia a força destruidora de um leão. Ele via leões destruindo vidas inocentes e indefesas, e certa vez, quando era jovem, ele apascentava as ovelhas de seu pai, e viu um leão levando uma ovelha em sua boca, e ele correu atrás do animal, e tirou a ovelha da boca do leão e o matou. Mas agora, ele temia um inimigo que se comparava a um leão mais forte do que ele, que podia arrebatá-lo, despedaçando-o, sem chance de escapar, sem uma possibilidade de livramento.

Que palavras desesperadoras: “não havendo quem me livre!” Parece bem com as palavras que são retratadas pelo apóstolo Paulo: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7:24). Mas Paulo não falava de si mesmo, porque ele conhecia o seu Libertador; ele falava de um homem perdido, que, embora conhecesse a Lei de Deus, desconhecia o Salvador. Davi conhecia o seu Libertador, mas falou desse modo para ressaltar a sua desesperança se ele não tivesse a Deus como o seu Refúgio.

De fato, se não fosse a ajuda constante de Deus, seríamos despedaçados pelo nosso maior inimigo. Satanás é comparado a um leão, “que ruge procurando alguém para devorar” (1Pe 5:8). Os leões são traiçoeiros e se aproveitam das fraquezas de suas vítimas. E assim age Satanás e todos os nossos inimigos que nos ameaçam, e rondam procurando uma ocasião oportuna para atacar pelas costas, a fim de nos destruir. Mas, como Davi, nossa única esperança está em buscar o refúgio em nosso poderoso Deus.

I – ACUSAÇÃO (vs. 3-5)

V. 3-4: “Senhor, meu Deus, se eu fiz o de que me culpam, se nas minhas mãos há iniqüidade, [4]  se paguei com o mal a quem estava em paz comigo, eu, que poupei aquele que sem razão me oprimia.”

1 - Davi foi acusado falsamente. Ele usa as mesmas palavras que usou no verso 1, dirigindo-se ao “Senhor, meu Deus”, porque estas são as expressões de alguém que está ofendido e profundamente angustiado, sem poder achar uma solução para o seu caso. Ele disse: “se eu fiz o de que me culpam...” Ele estava sendo inculpado de alguma coisa que ele não praticara.

2 – Davi afirma a sua inocência. Diz ele: “se nas minhas mãos há iniqüidade...” Ele se nega a confessar um pecado que ele não praticou. O tríplice uso da palavra “se” indica claramente a afirmação de sua fidelidade. Davi já havia feito um protesto diante de Jônatas a quem dirigiu estas palavras: “Que fiz eu? Qual é a minha culpa? E qual é o meu pecado diante de teu pai, que procura tirar-me a vida?” (1Sm 20:1). Ele tinha uma consciência limpa e era fiel e verdadeiro.

3 – Davi revela o crime de que o acusavam. Notem o que ele diz: “se paguei com o mal a quem estava em paz comigo.” Isto se refere ao rei Saul porque logo ele acrescenta: “eu, que poupei aquele que sem razão me oprimia...” De acordo com o título, o salmo foi escrito “com respeito às palavras de Cuxe”. Esse homem era um parente de Saul, da mesma tribo de Benjamim. Ele havia caluniado a Davi, acusando-o de conspiração contra o rei Saul, a fim de matá-lo. Quando Davi se defrontou com o rei Saul disse-lhe: “Por que dás tu ouvidos às palavras dos homens que dizem: ‘Davi procura fazer-te mal!’?” (1 Sam 24:9).
  
Esta foi a explicação de Davi ao rei Saul, quando foi instigado a matar o rei Saul, o seu inimigo opressor: “Os teus próprios olhos viram, hoje, que o Senhor te pôs em minhas mãos nesta caverna, e alguns disseram que eu te matasse; porém a minha mão te poupou; porque disse: Não estenderei a mão contra o meu senhor, pois é o ungido de Deus.” (1Sm 24:10). Davi tinha mostrado claramente sua inocência ao poupar a vida de Saul, quando ele podia tê-lo matado facilmente.

Este é o fato: acusação falsa de conspiração contra um homem de Deus que tinha a misericórdia de até poupar a vida de um grande inimigo seu, que procurava matá-lo a todo custo, em muitas ocasiões, vivendo “à caça de minha vida”, “como leão” (disse ele, 1Sm 24:11)! Assim era Davi. Não admira que fosse chamado de “o homem segundo o coração de Deus” (At 13:22), porque Deus é misericordioso até com os Seus piores inimigos, poupando a vida deles, e dando-lhes oportunidade de se arrependerem para serem salvos e viverem eternamente com o Seu Benfeitor!

4 – Davi faz o juramento de sua inocência. Disse no v. 5: [Se eu sou culpado] “persiga o inimigo a minha alma e alcance-a, espezinhe no chão a minha vida e arraste no pó a minha glória”. É como se diz hoje em dia: “Se eu fiz isso, quero que caia um raio do céu na minha cabeça!” Isto é um juramento; ele está disposto a sofrer, se ele for culpado de alguma coisa de que é acusado. Isso indica que ele realmente é inocente, e usa uma linguagem muito forte, quase em desespero, para se defender diante de Deus.

Com efeito, o veneno da calúnia pode levar a vítima ao desespero ou à loucura. As palavras de Cuxe feriram os sentimentos de Davi, atacaram a sua reputação e destruíram a sua paz.

Conta uma lenda que os animais um dia perguntaram, desafiando a serpente:
 - O leão, disseram eles, atira-se contra a presa, mata-a e devora-a. O lobo estraçalha a ovelha que lhe serve de alimento. O tigre, quando faminto ataca o carneiro e arrasta-o para o seu covil. Mas você, malvada serpente, o que faz? Pica a sua vítima e transmite o veneno para ela. Ora, que proveito você tira da sua perversidade peçonhenta?
Contorcendo-se, responde a serpente:
- Nada espero dos golpes venenosos que eu aplico. Do mal que faço, não tiro o menor proveito. Sigo traindo, envenenando, semeando a dor e a morte, mas não sou pior que o caluniador”.   (Malba  Tahan).

A Bíblia diz que muitos outros foram caluniados, acusados injusta e falsamente, e sofreram muito por causa de pessoas perversas e invejosas. (1) José do Egito foi acusado injustamente de seduzir a mulher de Potifar. (2) Jeremias foi acusado de profetizar falsamente em nome do Senhor contra Jerusalém. (3) Daniel foi acusado de rebelião contra o decreto do rei Dario. (4) Paulo foi acusado pelos judeus de ensinar contra a lei. (5) Jesus Cristo foi acusado de blasfêmia, de traição e de insurreição contra Roma, e foi “açoitado para pacificar os acusadores” (O Desejado de Todas as Nações, p. 732).

Era tempo de guerra. Aprisionaram um soldado que regressara ao acam­pamento, vindo de uma mata próxima. Ele foi acusado de estar traindo o seu exército, mantendo contato com o inimigo e foi levado à presença do comandante.
- O que você estava fazendo naquela mata, àquela hora da noite? - perguntou o oficial.
- Fui ali para orar por mim, fazer uma oração ao meu Deus - respondeu o jovem.
Não convencido, o comandante ordenou friamente que o jovem se ajoelhasse e orasse.
- Se você tem o hábito de orar tanto por auxilio, faça-o agora.
Compreendendo que a acusação de traição poderia significar morte, o jovem caiu de joelhos, e desabafou o coração diante de Deus. Foi patente, em vista de sua fervorosa conversa com o Senhor, que esta não era uma nova experiência em sua vida. Ao soltar ele as últimas palavras e abrir os olhos, viu uma nova expressão da fisionomia do comandante.
- Ergue-te - disse simplesmente o oficial - pode ir embora. Creio no que você disse; do contrário, não poderia fazê-lo tão bem como fez agora.

Disse o apóstolo Paulo que todos os cristãos sofrerão perseguição; todos os que pretendem servir a Deus serão chamados a suportar as mais vis calúnias e falsas acusações (2Tm 3:12). A Bíblia também diz que Satanás nos acusa de dia e de noite (Ap 12:10). Portanto, o salmo 7 contém uma grande mensagem de conforto e esperança para todos os cristãos. Esta é também uma mensagem escatológica, porque traz uma grande consolação a todos os que no tempo do fim são injustamente perseguidos. Ele contém um grande encorajamento para o remanescente fiel quando for vítima das maldições do conflito final com os poderes das trevas, e quando for acusado falsamente.

II – JULGAMENTO (vs. 6-11)

Davi apela para a intervenção divina. Ele disse, v. 6: “Levanta-te, Senhor, na Tua indignação!” Este é um apelo para que Deus tome uma iniciativa, e intervenha a fim de julgar o seu caso. Ele estava sofrendo horrivelmente pela língua caluniosa dos seus inimigos, e de Cuxe em particular. “Mostra a Tua grandeza contra a fúria dos meus adversários!” Isso demonstra claramente que os seus inimigos queriam destruí-lo, e estavam ferozes contra ele. Mas ele sabia que Deus estava indignado contra eles.

Toda acusação será levada a julgamento; senão dos homens, o caso será levado a julgamento divino. Toda palavra proferida tem as suas conseqüências ou para o bem ou para o mal de quem a proferiu. Disse Jesus Cristo sobre este solene assunto: “Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado.” (Mt 12:36-37).

Mas Davi responde a pergunta: Como será o Julgamento divino?

1 – O Julgamento será universal. V. 7: “Reúnam-se ao redor de Ti os povos!” V. 8a: “O Senhor julga os povos”, como foi no passado, e como será no futuro! Davi não tem receio da presença de todos os povos para presenciar ao julgamento de sua causa. Ele mesmo chama agora os povos reunidos para serem suas testemunhas. Ele lembra que o seu próprio povo contemplava as suas perseguições, e ouvia as acusações contra ele, e muitos estavam na dúvida.  

Ele prevê o dia do grande Juízo em que todos universalmente comparecerão diante do Tribunal divino, em que Deus estará acima de todas as nações da Terra. A doutrina do Juízo é encontrada em muitos lugares na Bíblia, e nos salmos isto é uma realidade impressionante. “O Senhor julga os povos”!

2 – O Julgamento será individual.V. 8b: “Julga-me, Senhor!” Embora seja um julgamento universal, cada pessoa será julgada separadamente. Davi faz um forte apelo para que Deus venha julgá-lo pessoalmente. “Se Deus julga a todos os povos, por que Se demora em me julgar e defender a minha causa?” Não é admirável que ele peça que Deus o julgue? Não seria de se temer o julgamento divino? Não, pelo contrário; ele temia mais o juízo humano; porque ele já estava sendo julgado pelos homens que o condenaram por atos que ele não praticara, e, portanto, julgaram mal ao inocente. Eles queriam matá-lo, porque o juízo dos homens é preconceituoso, injusto, e implacável. Mas Davi, então, recorre ao julgamento de Deus.

Neste ponto, fazemos 3 perguntas pertinentes:
(1) Os justos serão julgados? Esta é a verdade mais clara do texto. Davi era um homem justo e queria ser julgado por Deus. Mas, pergunte aos teólogos populares e eles responderão que os cristãos não serão julgados. Eles dizem que os cristãos não precisam de julgamento, e não passarão pelo tribunal porque eles já estão justificados. Esses teólogos sem teologia baseiam o seu argumento em João 3:18: “Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado.” Mas o que acontece é que eles estão baseando a sua doutrina no equívoco de uma tradução.

A palavra grega original é “krino”, que significa “julgar”, mas também significa “condenar, punir”. A versão Corrigida diz: “Quem crê nele, não é condenado”, corretamente. De fato, quem crê em Cristo não será condenado, como afirmou Paulo: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.” (Rm 8:1). Portanto, os cristãos não serão condenados, mas serão julgados. Entretanto, ao invés de temer o julgamento, eles, como Davi, querem apressar a Deus para que os julgue e vindique a sua causa contra os seus inimigos opressores. Disse Davi: “Julga-me, Senhor!”

(2) Qual era o critério de Davi? Ele mesmo diz, v. 8: “segundo a minha retidão e segundo a integridade que há em mim.” Davi queria ser julgado pela sua retidão e integridade. Mas como pode Davi se dirigir a Deus e apresentar a sua justiça? Não é estranho que Lhe apresentasse esse critério e esta condição, quando se esperava dele que se humilhasse e confessasse a sua culpa? Ele disse no Salmo 40:12: “Não têm conta os males que me cercam; as minhas iniqüidades me alcançaram, tantas, que me impedem a vista; são mais numerosas que os cabelos de minha cabeça.”

Como poderia ele apresentar alguma justiça diante de Deus? A pergunta é correta, mas está fora de contexto. Davi apresentava a correção de sua vida com relação às coisas de que o julgavam e ele sabia com toda a certeza que não tinha praticado aquilo de que o acusavam. Este era um caso específico em que um homem justo estava sendo condenado e acusado injustamente.

 (3) Qual é o grande desafio de hoje? Integridade. Davi tinha um caráter íntegro, e os cristãos também a possuem. Prega-se em nosso tempo muito sobre os pecados dos cristãos, mas pouco, ou quase nada, sobre a integridade deles. Os cristãos sinceros são íntegros. Vemos em nosso mundo pessoas que mentem, roubam, adulteram e matam com muita tranquilidade. Os cristãos revelam a sua integridade nas circunstâncias mais difíceis, nos momentos mais dramáticos de sua vida. Eles não mentem como é comum em nossa sociedade. Eles não se aproveitam das horas em que o seu patrão está fora de sua vista. Eles são fiéis à sua esposa. Não entram em confusão e respeitam as pessoas, e não são vistos em brigas com os outros. Eles sabem amar e são pessoas em quem se pode confiar.

3 – O Julgamento será vindicatório. V. 9: “Cesse a malícia dos ímpios, mas estabelece tu o justo!” Os justos serão vindicados, justificados, defendidos perante todos, e então, eles serão estabelecidos e os ímpios derrotados, e cessarão a sua malícia. Os falsos acusadores saberão que suas mentiras serão expostas diante de todo o Universo. E eles ficarão sem poder dizer nada para se justificar. Será uma situação terrível e embaraçosa. Então, o mal cessará; o pecado não se levantará pela segunda vez. Então, os justos serão estabelecidos para sempre num reino eterno. E Deus será glorificado!

4 – O Julgamento será justo. Por 2 razões, claras nos v. 9b-11:
(1) Deus tem o poder. Deus é onisciente: “Sondas a mente e o coração!” (v. 9). Deus é tão sábio que pode penetrar até na mente do homem e nada escapa ao seu olhar penetrante e perscrutador. Ele é capaz de ler os pensamentos da mente e perceber os sentimentos e afeições do coração. Ele é sábio demais para errar, e vê o coração além das aparências. Ele não julga pelo exterior, mas vê o coração de cada um, e julga pela reta justiça. Se é assim, Ele tem o poder para fazer justiça.

(2) Deus tem o caráter. Deus não somente tem o poder para fazer justiça, como também tem o caráter justo; Ele é chamado de “justo Juiz” (v.11). “Deus é o meu escudo; Ele salva os retos de coração.” Davi confia em Deus como o seu Escudo porque tem certeza de que Deus o salvará de seus inimigos que desejavam a sua morte. Mas o Senhor é o “justo Juiz”, e, portanto, Ele faz distinção entre pessoas, salvando “os retos de coração” e demonstrando a Sua indignação e ira contra os ímpios.

Mas esta declaração do v. 10 é polêmica: “Ele salva os retos de coração”! Como assim? Deus salva os justos? Então, temos de ser justos e retos para que Deus nos salve? Isso não é salvação pelas obras? Como entender estas palavras? A resposta fica por conta do contexto. Salvação aqui se refere à libertação dos que nos oprimem e nos acusam injustamente. Davi desejava esta libertação, e por isso confiava em Deus como o seu Refúgio (v. 1) e como o seu Escudo (v. 10), Aquele que salva e livra os que são retos e íntegros e tem uma vida em harmonia com os ditames da Sua Lei. 

III – CONDENAÇÃO (v. 12-16)

Agora, o salmista apresenta a sorte dos ímpios e dos que gostam de dar um falso testemunho a respeito do caráter íntegro dos filhos de Deus. Ele responde agora à seguinte pergunta: Como serão os ímpios condenados?

1 – Os ímpios serão condenados por um Deus justo. V. 12-13: “Se o homem não se converter, afiará Deus a sua espada; já armou o arco, tem-no pronto; para ele preparou já instrumentos de morte, preparou suas setas inflamadas.” Muitos dizem que Deus não condena a ninguém. Mas nós encontramos outra história na Bíblia. Deus condenou a Adão e Eva, e os expulsou do Paraíso. Deus condenou a Sodoma e Gomorra com fogo e enxofre. De condenou a Ananias e Safira, da igreja primitiva. Condenou a Herodes. A Sua espada está preparada e as Suas flechas prontas contra todos os ímpios que não se converterem. Ele pode fazer isto por ser um Deus justo que não Se compraz com o pecado e a iniquidade. Ele sempre condena o pecado, seja em quem estiver!

Mas estas palavras estão cheias de esperança. O salmista apresenta uma condição, cuja recíproca também é verdadeira, segundo a qual se os homens se converterem, o Senhor desviará deles a Sua espada e as Suas setas inflamadas, a fim de que possam ser salvos. Mas se eles não se converterem, serão condenados porque Deus é justo e não pode inocentar ao ímpio.

2 – Os ímpios serão condenados por seus pecados. V. 14: “Eis que o ímpio está com dores de iniqüidade; concebeu a malícia e dá à luz a mentira.” Em figura, a fertilidade para o mal é comparada ao processo de gestação e parto. No simbolismo da poesia deste salmo, o ímpio produz o engano e a mentira naturalmente. O pecado é a vida do ímpio. O pecado está nele por dentro e por fora. Nos seus pensamentos, palavras e atos. O ímpio nasce no pecado, cresce no pecado e respira no pecado. Não admira que as pessoas digam frequentemente: “Que mal tem isso?” Entretanto, “quanto ao perverso, as suas iniqüidades o prenderão, e com as cordas do seu pecado será detido.” (Pv 5:22).

3 – Os ímpios serão condenados por suas próprias mãos. V. 15-16: “Abre, e aprofunda uma cova, e cai nesse mesmo poço que faz. A sua malícia lhe recai sobre a cabeça, e sobre a própria mioleira desce a sua violência.” Hamã ergueu uma forca para o justo Mardoqueu, mas ele é que foi enforcado nela. A sua maldade e violência lhe recaiu sobre a sua própria cabeça, porque “tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl. 6:5). O mal traz sua própria punição contra o malfeitor. O justo Juiz destruirá aqueles que perseguem os cristãos fazendo sua violência cair sobre as suas próprias cabeças.

CONCLUSÃO (v. 17)

Davi, finalmente conclui este salmo com as palavras gloriosas: “Eu, porém, renderei graças ao Senhor, segundo a sua justiça, e cantarei louvores ao nome do Senhor Altíssimo.” Este é o seu grande clímax. Esta é a maior razão por que Davi tanto procurava o julgamento divino. Este é o motivo mais impressionante por que Davi podia ter segurança de que seria salvo: a justiça de Deus. Ele sabia que o seu caso seria julgado a seu favor, porque Deus vê o coração sincero e amorável, e não julga pelas aparências, e é capaz de revelar a justiça que emoldura o seu caráter maravilhoso.

Portanto, qual seria a atitude natural e espontânea de Davi? Gratidão e louvor. Ele rende graças a Deus por Sua justiça e canta os seus louvores ao nome de um Deus que tem o Seu trono soberano no Universo, como o Excelso Senhor Altíssimo.

Precisamos ter esta experiência em nossa própria vida. Necessitamos conhecer mais da justiça misericordiosa de Deus. E se você também está decepcionado com algumas pessoas, se você também foi acusado injustamente, este é o momento de voltar-se para Deus e louvar a Sua justiça imparcial e compassiva, em favor de sua libertação. Os resultados serão logo vistos e sentidos.

Roberto Biagini
Mestrado em Teologia
prbiagini@gmail.com

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