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terça-feira, 10 de julho de 2012

Estudando Salmo 31

Salmo 31 - O que Fazer Diante de Inimigos

Quem não possui inimigos? Parece que todos os têm. Mas se há alguém que tem mais inimigos do qualquer pessoa, se há alguém que possui muito mais adversários, esse é o cristão. O cristão tem inimigos na escola, no trabalho, na vizinhança, dentro de casa, dentro da família, e muitas vezes até dentro da sua própria igreja. O cristão tem inimigos até dentro de si mesmo. Ele tem os próprios demônios que o perseguem tentando controlar a sua mente. O cristão tem a sua própria natureza lutando contra ele mesmo!
Por isso, os Salmos são sempre muito atuais, cheios de conforto e ânimo para os cristãos que vivem em nosso tempo, em que há perigo por todos os lados. Neste salmo, podemos ver como agiram os inimigos de Davi em seu tempo, e como ele reagiu diante dos seus adversários, e como é correto agirmos nós diante de situações semelhantes.
O tom do salmo oscila entre lamento e ações de graças. Mas o salmista está procurando a proteção divina (1-8) porque chegou até a ficar doente (9-12) por causa das acusações que o pressionavam e de sua consciência de pecado (13-18). Mas finalmente, ele louva a Deus por Sua bondade pela qual ele é salvo e liberto (19-24). Portanto, o esboço natural é este: Oração (lamento) e Ações de graças, e ambos mostram um extensivo uso de repetições como um recurso literário:
        I. Oração (vs. 1-18)
            A. Oração pela Justiça de Jeová (vs. 1-5)
                B. Expressão de Confiança (vs. 6-8)
            A'. Oração pelo Favor de Jeová (vs. 9-13)
                B'. Expressão de Confiança (vs. 14-18)
        II. Ações de Graças (vs. 19-24)
  A. Grandeza da Bondade de Deus (v. 19)
                B. Razão: proteção dos fiéis (v. 19-20)
            A'. Grandeza da Misericórdia de Deus (vs. 21)
                B'. Razão: proteção do rei Davi (v. 21-22)
         III. Apelo (v. 23-24)
           A. Amai a Jeová (v. 23)
           B. Sede Fortes (v. 24)
Mas, se você quiser um esboço mais didático, mais fácil de seguir para compreender e/ou pregar, então, me acompanhe nessas próximas divisões, seguidas do comentário correspondente, nos textos indicados.
I – Os Atos dos Inimigos
1. Os Inimigos Praticavam a Traição: Os ímpios armaram ciladas às ocultas contra Davi (v. 4), de tal modo que ele horrorizado pôde dizer: “Tenho ouvido a murmuração de muitos, terror por todos os lados; conspirando contra mim, tramam tirar-me a vida.” (v. 13). Pelo contexto, parece que esta era a traição de Absalão, o próprio filho de Davi que às ocultas conspirava contra o seu pai, a fim de lhe usurpar o trono. “10 Enviou Absalão emissários secretos por todas as tribos de Israel, dizendo: ‘Quando ouvirdes o som das trombetas, direis: Absalão é rei em Hebrom!’ 11 De Jerusalém foram com Absalão duzentos homens convidados, porém iam na sua simplicidade, porque nada sabiam daquele negócio. 12 Também Absalão mandou vir Aitofel, o gilonita, do conselho de Davi, da sua cidade de Gilo; enquanto ele oferecia os seus sacrifícios, tornou-se poderosa a conspirata, e crescia em número o povo que tomava o partido de Absalão.” (2Sm 15:10-12).
Geralmente, a vítima é a última a saber do que se passa. Os homens maus estavam conspirando e tramando contra o servo de Deus, buscando tirar-lhe a vida, mas ninguém lhe dizia nada diretamente, apontando os nomes principais da conspiração. Nesse momento, ninguém queria se envolver; ninguém sabia de nada; havia apenas boatos. Mas havia muita murmuração, e atrás de todo boato há um fundo de verdade. Isso tirou a paz, o sossego e a tranquilidade de Davi.
Hoje acontece o mesmo contra os filhos de Deus. Muitas vezes estamos sendo traídos, sem mesmo desconfiar do perigo que nos cerca, por causa de certas pessoas em quem confiamos. Há muita traição da parte de inimigos desconhecidos, ou de pretensos amigos. Mas nós podemos repetir confiantes as palavras do salmista, dirigindo-nos ao Protetor dos perseguidos: “Tirar-me-ás do laço que, às ocultas, me armaram, pois Tu és a minha Fortaleza” (v. 4).
2. Os Inimigos Praticavam a Idolatria. Eles eram idólatras: “adoram ídolos vãos”, disse o salmista (v. 6); eles não adoravam a Deus como Davi e todos os justos. Eles adoravam aos ídolos de pedra, madeira e ouro. Em nosso tempo, eles são mais sutis e adoram ao sexo, à tecnologia, aos artistas da televisão e do cinema, à filosofia e ao dinheiro. Eles adoram a si mesmos e a Satanás.
Mas, embora ainda exista muita sutileza na adoração de falsos ídolos, há muitos que ainda orientados pelo romanismo, adoram diretamente a ídolos em suas procissões, e exaltam à virgem Maria como sendo a “mãe de Deus”, conduzindo os seus ídolos que nada podem fazer. Multidões estão sendo enganados por falsos líderes que estimulam essa idolatria de imagens de escultura que têm boca, mas não falam; têm braços, mas estão inertes; têm ouvidos, mas nãos os ouvem, e é o nosso dever adverti-los, a fim de que sejam salvos os que temem a Deus, e O servem na ignorância.
Outros adoram os ídolos do paganismo, do budismo e do xintoísmo, talhados em pau e pedra. Eles se esquecem do Deus que os criou, e ignoram as evidências que demonstram que há um Deus de majestade e excelência, que não pode ser adorado por imagens de escultura. Eles desatendem os apelos do Espírito Santo convidando-os para a salvação. 
3. Os Inimigos Praticavam a Ameaça. De acordo com o verso 21, no contexto do Salmo 31, eles sitiaram a cidade de Jerusalém, a cidade de Davi, e ele se encontrava em um grande perigo. Quando uma cidade antiga era sitiada, faltava água e alimento, que se encontravam fora da cidade. E como consequência, havia fome, crimes internos, como a morte de filhos para satisfazer aos pais que os matavam para se alimentar. Havia revoltas, e muito sofrimento, enquanto os inimigos sitiando a cidade zombavam deles e destruíam as suas cearas e tapavam os seus poços, e ameaçavam entrar, destruir a cidade e matar a todos. Mas Deus libertou a Davi e o seu reino desta situação aflitiva.
Ainda teremos de enfrentar a ameaça dos nossos inimigos antes da volta de Cristo e após o milênio. Nesse tempo, os justos estarão dentro da cidade querida, a nova Jerusalém, enquanto todos os ímpios do lado de fora estarão nos ameaçando juntamente com Satanás, sitiando “a cidade querida” com todos os preparativos de guerra para invadir a cidade de ouro e cristal. Mas então, desce fogo do céu e consome a todos. Será a mais esmagadora derrota e destruição de todos os ímpios de todos os tempos, para nunca mais se levantar a angústia por duas vezes (Ap 20:7-10).
4. Os Inimigos Praticavam a Mentira. No v. 18,  o salmista revela o caráter desses homens: “Emudeçam os lábios mentirosos”; eles são mentirosos, e devem ser calados: “que se cale toda boca, e todo o mundo [de ímpios] seja culpável perante Deus.” (Rm 3:19).
Há muitos mentirosos em nosso tempo, mas você pode ter certeza de que nenhum deles é cristão. Alguém pode se dizer cristão e ainda praticar a mentira; mas isto é outra história. Pode haver um cristão professo e ser mentiroso, mas não pode haver um cristão verdadeiro e ser mentiroso, porque os mentirosos são filhos de Satanás. Disse Jesus Cristo, a uma classe  de mentirosos e hipócritas: “Vós sois do Diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.” (Jo 8:44). Mas a parte que cabe aos mentirosos é “o lago que arde com fogo e enxofre, a saber a segunda morte.” (Ap 21:8).
5. Os Inimigos Praticavam o Orgulho. No v. 18, o salmista continua ainda pintando o quadro do caráter dos inimigos: “Falam insolentemente contra o justo, com arrogância e desdém.”  Como  se não bastasse a mentira para serem punidos os ímpios, eles ainda adicionam à mentira o pecado do orgulho, da arrogância e o desprezo dos filhos de Deus. Mas, o salmista lembra que “o Senhor preserva os fiéis, mas retribui com largueza ao soberbo” (v. 23).
Não ficarão sem castigo aqueles que menosprezam os fiéis, falando insolentemente contra eles e se  levantando em tribunais para condená-los, desprezando aqueles que são preciosos à vista de Deus. Esta é a promessa divina para o cristão: “Toda arma forjada contra ti não prosperará; toda língua que ousar contra ti em juízo, tu a condenarás; esta é a herança dos servos do Senhor e o seu direito que de Mim procede, diz o Senhor.” (Is 54:17).
II – Os Atos de Davi
O que deveria fazer Davi diante de tantos atos detestáveis dos seus inimigos?
1. Davi confiava em Deus. “Em ti, Senhor, me refugio”. “Confio no Senhor.” “Quanto a mim, confio emTi, Senhor. Eu disse: Tu és o meu Deus.” (v. 1, 6, 14)
Para Davi, Deus é SENHOR, Jeová (Yahweh, v. 1), que significa “o Eterno”. Para Davi, Deus é o seu Refúgio (v. 1). Ele é o seu Castelo forte (v. 2), uma Cidadela fortíssima (v. 2), uma Rocha inquebrantável (v. 3), a “minha Fortaleza” (v. 3, 4). Deus é o Pastor que conduz o justo pelo caminho da justiça (v. 3). Ele é o Redentor (v. 5) que me redimiu. Ele é o “Deus da verdade” (v. 5), em quem habita a plenitude do conhecimento. Ele é Onisciente, e sabe de tudo o que se passa comigo, conhece a aflição de minha alma, as angústias que me são tão próprias (v. 7). Sua presença é o esconderijo dos justos (v. 20). Ele é a nossa única Esperança (v. 24)
Se nosso Deus possui tantas e infinitas qualidades, não é de se admirar que Davi confie tanto nEle. O que é mais de admirar é que sendo Deus como Ele é de fato e de verdade, haja tantos milhões que não podem confiar nEle, porque confiam mais em si mesmos, fracos pecadores sem noção das realidades da vida espiritual. Entretano, Deus é plenamente confiável; é Alguém que não pode falhar, fiel em todas as Suas múltiplas promessas da esperança, poderoso para cumprir tudo o que disse para o nosso bem eterno. Assim como o salmista, sempre podemos confiar em Deus.
2. Davi clamou por libertação. Ele disse: “Tirar-me-ás do laço que, às ocultas, me armaram”. “Pois tenho ouvido a murmuração de muitos, terror por todos os lados; conspirando contra mim, tramam tirar-me a vida.” (v. 4, 13). Ele era vítima de traição de seus próprios súditos e oficiais, além de ter sido traído por seu próprio filho Absalão, que procurou matá-lo para lhe usurpar o trono. Então, ele clama desse modo: “Livra-me por tua justiça. Inclina-me os ouvidos, livra-me depressa!” “Livra-me das mãos dos meus inimigos e dos meus perseguidores.” (vs. 1-2, 15úp).
“Livra-me depressa!” Davi se sentiu acossado, pressionado de todos os lados, e pediu que fosse liberto “depressa”. A pressa do pedido indica o aperto e a intensidade da aflição. Quanto maior é a dor, maior é a pressa por alívio, mais pressa por socorro. Davi pediu um “pronto socorro” numa libertação imediata e eficaz.
Entretanto, “a pressa é inimiga da perfeição”. Deus estava testando o seu servo a fim de que ele percebesse que a sua confiança ainda era fraca, e devia esperar e suportar um pouco mais a aflição, a fim de que pudesse se fortalecer. Disse Davi, reconhecendo isso mesmo: “Eu disse na minha pressa: estou excluído da Tua presença!” (v. 22). Mas mesmo quando nossos amigos, vizinhos e conhecidos nos esquecem e nos desprezam e nos alienam de sua presença (11-12), Deus nunca nos abandona. Davi vacilou em sua angústia. “Não obstante,” reconheceu ele, imediatamente:“ouviste a minha súplice voz!” (v. 22).
Quão precipitados somos muitas vezes, para julgar a Deus que é tão compassivo para conosco. Agar tinha sido despedida do seu lar, onde habitava como serva de Sara e de Abraão, com quem tivera um filho que atendia pelo nome de Ismael. Mas foram ambos, mãe e filho mandados embora pelo deserto de Berseba, porque a convivência deles não era mais suportável, visto que Ismael zombava de Isaque, o filho da promessa.
Lá estavam agora num deserto, sem água e sem alimento. Então, chegou o momento crítico, em que Agar colocou o menino Ismael, seu filho, a uma distância razoável, para que não visse morrer o menino. E chorou. “Mas Deus ouviu a voz do menino; e o Anjo de Deus chamou do céu a Agar e lhe disse: Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino, daí onde está. Ergue-te, levanta o rapaz, segura-o pela mão, porque eu farei dele um grande povo.” (Gn 21:17-18).
Agar chegara a um ponto em que não podia fazer nada mais, senão chorar. Não havia recursos naquele deserto, não havia possibilidade de sobrevivência. Somente um milagre poderia salvar o seu filho. E ela, em profunda angústia, desesperando até da vida, chorou, sem se lembrar de que no Céu há um Deus de amor que cuida dos Seus filhos. Quão apressados somos muitas vezes para nos considerar alienados dos planos de Deus.
3. Davi orou a Deus. Davi era um homem de oração. Ele orava muitas vezes, clamando, invocando, suplicando, adorando, externando suas aflições, derramando a sua alma diante de Deus, em Quem ele tanto confiava e esperava respostas para as sua preces, dizendo: “Inclina para mim os Teus ouvidos (v. 2). Ele tinha a certeza de que Deus ouvia as sua preces: “Ouviste a minha súplice voz, quando clamei por teu socorro” (v. 22).”
(1) Davi orou pela vitória. Esta parecia ser a situação mais embaraçosa que poderia ter vindo a Davi. Ele estava sendo humilhado por seu próprio filho Absalão (2Sm 15:10-12). Quando dois exércitos se enfrentam, a vergonha virá certamente ou para um ou para outro. Mas Davi se apega a Deus e Lhe diz, iniciando o salmo com estas palavras: “Não seja eu jamais envergonhado” “Não seja eu envergonhado, Senhor, pois te invoquei” (v. 1,17).
É uma situação muito embaraçosa ser envergonhado ou confundido, mas ele argumenta com Deus e Lhe diz por que Ele devia atender à sua prece: “pois Te invoquei!” Esta é a maior razão, este é o maior argumento que temos a nosso favor para dizer a Deus que nos atenda – porque O invocamos, a Ele o Soberano dos reis da terra, o Salvador dos aflitos, Aquele que morreu por nós na Cruz do Calvário, e está disposto a socorrer a todos os que O invocam. Disse Ele: “Invoca-me no dia da angústia; Eu te livrarei, e tu me glorificarás.” (Sl 50:15).  “Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes.” (Jr 33:3). “Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” (Rm 10:13).
Davi coloca a vergonha nos ombros merecidos dos ímpios: “Envergonhados sejam os perversos, emudecidos na morte. Emudeçam os lábios mentirosos, que falam insolentemente contra o justo, com arrogância e desdém” (v. 17-18). Vergonha era o vexame dos derrotados. Davi ora contra aqueles que eram não só os seus inimigos, mas eram também adversários de Deus, porque eram idólatras (v. 6) e perseguidores dos Seus filhos (v. 15). E Davi faz uma prece clamando pela vitória esmagadora contra os inimigos de Deus, a fim de que a vergonha seja o seu manto e o opróbrio o seu vestido.
(2) Davi orou por compaixão, e dá as razões: “Compadece-te de mim, Senhor, porque me sinto atribulado; de tristeza os meus olhos se consomem, e a minha alma e o meu corpo. Gasta-se a minha vida na tristeza, e os meus anos, em gemidos; debilita-se a minha força, por causa da minha iniqüidade, e os meus ossos se consomem.   Tornei-me opróbrio para todos os meus adversários, espanto para os meus vizinhos e horror para os meus conhecidos; os que me vêem na rua fogem de mim. Estou esquecido no coração deles, como morto; sou como vaso quebrado.” (v. 9-12).
Davi se sentia atribulado e triste; passava por um momento de profunda melancolia, sentida no mais íntimo de sua alma, perdendo suas forças físicas. Sua vida se consumia em gemidos e na fraqueza de seus ossos, sofria as dores mais lancinates. Ele estava doente. Era um momento de intensa depressão. E para aumentar os seus sofrimentos, os seus conhecidos, amigos e vizinhos o alienaram, o abandonaram, além de ser ridicularizado e considerado como opróbrio perante os seus adversários.
E ele dá a razão para todo esse estado de coisas: “por causa da minha iniquidade” (v. 10). Compaixão é para quem peca. Porque o pecado nos leva à miséria, e precisamos de compaixão para sermos restaurados e perdoados. Se Deus nos dá a compaixão, nos perdoa e nos restaura, então teremos muita força contra os inimigos. Então, Davi pediu a compaixão amorosa de Deus, o perdão completo dos seus pecados e foi atendido (v. 22), porque Deus nunca desampara os Seus filhos que Lhe pedem a compaixão e o perdão. Se nos aproximarmos dEle com nosso humilde pedido de compaixão, Ele Se aproximará de nós com o Seu grande e exorbitado amor.
(3) Davi orou por salvação. Deus era para Davi “cidadela fortíssima que me salve” (v. 2). “Salva-me por Tua misericórdia.” (v. 16). Há os que pregam hoje que a salvação no Antigo Testamento era pelas obras, e que a salvação no Novo Testamento é pela graça. Mas o salmista diz: “Salva-me por Tua misericórdia.” Misericórdia é compaixão despertada pela miséria alheia. Misericórdia é a graça de Deus se manifestando pela miséria do homem. Mas o mesmo salmista já dizia no Salmo 6:4: “Salva-me por Tua graça.” Davi conhecia o plano de Deus e não confiava em suas obras para obter a salvação. De fato, “porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.” (Ef 2:8-9).
A doutrina da salvação pelas obras é uma doutrina estranha que não é ensinada pela Bíblia. Desde que o pecado entrou no mundo, a salvação foi oferecida pela graça de Deus que desdobrou o plano da salvação logo aos nossos primeiros pais. Falando no Jardim do Éden, onde aconteceu para primeiro e principal pecado, porque decisivo, disse Deus: “Porei inimizade entre ti [Satanás] e a mulher[a igreja], entre a tua descendência [os filhos do Diabo (Jo 8:44)] e o seu descendente [Jesus Cristo, Filho da igreja (Gl 3:16)]. Este [Jesus] te ferirá a cabeça [após o milênio], e tu lhe ferirás o calcanhar [na Cruz].” (Gn 3:15). Estas palavras dirigidas à serpente, contém o princípio do concerto da graça, pela qual todos os homens poderiam obter a salvação.
4. Davi se entregou a Deus. “Nas tuas mãos, entrego o meu espírito.” “Não me entregaste nas mãos do inimigo.” “Nas tuas mãos, estão os meus dias.” (v. 5, 8, 15pp). Davi se entregou nas nas mãos de Deus, inteiramente. Ele temia as mãos assassinas dos ímpios e perversos. Ele reconhece a libertação das mãos dos inimigos do passado, e confia presentemente que Deus o livrará das mãos dos inimigos no futuro.
Cristo mesmo usou as palavras proféticas de Davi. Quando o Salvador do mundo pendia na Cruz do Calvário, quando havia trevas espessas, relâmpagos e trovões, quando Jesus Cristo sentiu a angústia suportada pelos nossos pecados, quando fora abandonado por todos, sentindo a ira divina sobre Si mesmo, e sentindo que a morte estava chegando, Ele ainda pôde Se entregar a Deus:“Então, Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito! E, dito isto, expirou.” (Lc 23:46).
Tal exemplo de renúncia, desprendimento e abnegação deve ser seguido por todos. Davi, quando foi ameaçado por seus inimigos, ele entregou o seu espírito a Deus, entregou todos os seus dias, e estava pronto a morrer se isso fosse a vontade de Deus. Mesmo Cristo, o Filho amado de Deus Se entregava diariamente a Deus para que se cumprisse a Sua vontade nEle.  Mas ao chegar a hora da morte, mesmo sofrendo a ira divina sobre Si mesmo, Ele foi pronto a Se entregar a Deus, e confiar em Sua eterna justiça. E quanto a nós? Estamos dispostos a nos entregar inteiramente ao nosso amorável Criador e Redentor? Já fizemos uma entrega sem reservas ao nosso Deus?
5. Davi se regozijava. “Eu me alegrarei e regozijarei na tua benignidade, pois tens visto a minha aflição, conheceste as angústias de minha alma e não me entregaste nas mãos do inimigo; firmaste os meus pés em lugar espaçoso.” (v. 7-8). Davi se alegra na bondade de Deus porque tinha visto a sua aflição frente aos seus inimigos e o livrou deles. A vida dos cristãos é cheia de alegria, não por algum divertimento banal, não por causa das ilusões do mundo, mas porque Deus está sempre nos livrando de nossos inimigos espirituais. Ele firma os nossos pés em terreno seguro, de tal modo que podemos andar confiantes.
6. Davi louvava a Deus. “Bendito seja o Senhor, que engrandeceu a Sua misericórdia para comigo” (v. 21). Ele não só se alegrou na bondade, mas louvou a misericórdia de Deus, porque esta se engrandecera sobremaneira. Mas em que circunstâncias Davi pôde contemplar a misericórdia de Deus engrandecida? “Numa cidade sitiada!” Quando Jerusalém foi sitiada e cercada, quando Davi estava sendo ameaçado por seus inimigos, ele viu a misericórdia divina, salvando a si mesmo e a todo o povo da aliança divina.
Quando Jerusalém mais tarde foi sitiada pelo exército romano, no ano 70 DC, os cristãos puderam ver a misericórdia de  engrandecida sobremaneira, porque todos eles foram preservados e salvos. E quando a cidade da nova Jerusalém for novamente sitiada pelo mais numeroso exército de todos os tempos, sitiada por um número de inmigos tão numeroso como a areia do mar, então, os justos novamente poderão louvar a misericórdia de Deus que será infinitamente engrandecida numa vitória esmagadora contra Satanás, seus demônios e todos os ímpios.
7. Davi apelou aos justos. No verso 23, Davi faz um apelo veemente a todos os que temem a Deus: “Amai o Senhor, vós todos os seus santos.” Este é o maior apelo encontrado na Bíblia: Temos que amar Aquele que nos amou antes da fundação do mundo, porque nos amou primeiro. E amor desperta amor. Se Deus nos amou, Ele espera que nós O amemos também, embora não exija isso. Mas para o nosso bem eterno, Ele nos aconselha que O amemos também.
Como devemos amar a Deus? João nos deixou claro esse ponto, quando disse: “Porque este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos.”(1Jo 5:3). Cristo repetiu as palavras que Ele mesmo havia dito no passado a Moisés: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.” (Mt 22:37). Mas, para não nos deixar nenhuma dúvida, Deus relacionou o amor à adoração em forma de mandamentos. Os Dez Mandamentos foram dados para que soubéssemos como amar e adorar a Deus.
Mas apesar de termos muitas razões para amar a Deus, o salmista enfatiza também a nossa esperança: “Amai o Senhor...”, e logo dá a razão: O Senhor preserva os fiéis, mas retribui com largueza ao soberbo.” (v. 23). Estas palavras podem ser entendidas num contexto imediato para quem está sofrendo a perseguição de algum inimigo. Mas também podem ser entendidas de modo mais amplo, ou seja: Deus nos preserva para o seu Reino eterno, e fará isso de modo especial na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, quando virá para levar os fiéis ao Céu, e para retribuir aos injustos toda a injustiça feita por eles contra os justos, e então, serão destruídos todos os ímpios.
8. Davi encorajou aos cristãos, no v. 24: “Sede fortes, e revigore-se o vosso coração, vós todos que esperais no Senhor.” Estamos vivendo nos últimos dias da história deste mundo agitado. Nunca a igreja se viu tão ansiosa pelo retorno de Cristo; jamais esteve tão empenhada em trabalho missionário para proclamar a volta do Senhor Jesus Cristo. Jamais se falou tanto de esperança como agora, quando até os tímidos estão pregando que a nossa esperança está por se concretizar, em breve. Mas também enfrentamos muita oposição da parte de muitos falsos cristãos que dizem estudar a Bíblia, mas negam os seus ensinos. Sabemos que a ira de Satanás contra a igreja remanescente há de se intensificar.
Portanto, as palavras de encorajamento escritas 1.000 anos AC nos chegam como um bálsamo: “Sede fortes, e revigore-se o vosso coração, vós todos que esperais no Senhor.” (v. 24). Você espera no Senhor? Então, deve ser forte, confiando na força do Seu poder. Você espera mesmo no Senhor? Então, deve revigorar o seu coração num grande reavivamento da alma. Como? Basta confiar e buscar a Jesus Cristo que derramou o Seu precioso sangue em seu lugar, e enviou o Seu Espírito para produzir esse reavivamento.

Pr. Roberto Biagini
Mestrado em teologia

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Estudando Salmo 30


Salmo 30 - Graças Pela Vitória
Aqui temos um salmo de Davi, que contém preciosas lições para a nossa vida hoje, porque a Bíblia continua sendo muito atual. As mensagens dadas há 1.000 AC são de grande valor também para os nossos dias, como foi nos dias de Davi, o suave cantor de Israel.
Vamos ler os primeiros versículos do Salmo 30: “1: Eu te exaltarei, ó Senhor, porque tu me livraste e não permitiste que os meus inimigos se regozijassem contra mim. 2: Senhor, meu Deus, clamei a ti por socorro, e tu me saraste. 3: Senhor, da cova fizeste subir a minha alma; preservaste-me a vida para que não descesse à sepultura.”
I – A Promessa de Davi
Quando se dirige a Deus, ele promete: "Eu Te exaltarei, ó Senhor!" Este é um salmo de exaltação a Deus. Mas o que significa "exaltar"? Significa enaltecer, engrandecer, colocar num pedestal de glória. Este era o seu alvo: exaltar a Deus.
Algumas pessoas se exaltam a si mesmas; elas gostam de se colocar em evidência. Quando falamos mal dos outros, quando chamamos a atenção para as nossas virtudes, quando somos egoístas, ou quando somos orgulhosos e humilhamos os outros, quando gritamos para os filhos, ou para o marido, ou para a esposa, estamos nos exaltando a nós mesmos. Mas naturalmente, isto só afasta as outras pessoas, e não estamos procedendo corretamente.
Mas como podemos exaltar a Deus?
1) Cantando hinos de louvor. Os cristãos gostam de cantar os louvores de Deus em hinos que exaltam o amor, o poder e os atributos de Deus. Quando cantamos que “Deus é amor”, exaltamos ao Senhor como a nenhum outro. Quando cantamos que Deus é Todo-Poderoso, nós o exaltamos de uma forma singular. Quando cantamos que Ele é o Rei dos reis, o Senhor dos senhores, imortal, invencível, eterno, imutável, onisciente, nós o exaltamos como de fato Ele é o Supremo Deus do Universo.
2) Pregando o evangelho, exaltamos a Deus. Desde os primórdios, quando Adão e Eva pecaram, o Evangelho está sendo pregado.  Quando Abraão foi chamado, o Evangelho foi pregado. Israel foi para o Egito, e lá foi também pregado o Evangelho da graça divina estendida aos pecadores. Salomão e todos os reis de Israel receberam a incumbência de exaltar a Deus através da pregação do Evangelho. Desse modo, as nações conheceriam ao Deus Jeová. Davi exaltava a Deus pregando o Evangelho da graça a todos os povos. Disse ele: “Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos advertir, juízes da terra. Servi ao Senhor com temor e alegrai-vos nele com tremor.” (Sl 2:10-11). Hoje, também, como cristãos, pregamos o Evangelho a todo o mundo e exaltamos a Deus através desse método. Somente pela exaltação de Deus ao mundo, este Evangelho chegará até os confins da terra.
3) Vivendo a verdade, também exaltamos a Deus. Não basta conhecer a verdade. Não basta pregar o Evangelho. Temos o dever sagrado de viver a verdade. Porque, não viver a verdade é ser incoerente; é ser hipócrita. Não viver a verdade evangélica é pregar uma coisa e praticar outra, o que seria contrário à própria verdade. Seria viver uma mentira. Mas quando nós vivemos os princípios revelados na verdade divina, nós exaltamos Aquele que disse ser Ele mesmo a Verdade em Pessoa: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14:6). O grande problema de nosso tempo é que muitos estão professando o cristianismo, mas vivendo independentemente de Cristo. Não vivem a verdade pregada por Seu Salvador. Aqueles que a vivem, O exaltam, e atraem os próprios anjos que se agradam de estar em sua presença e ao seu lado.
4) Reconhecendo as Obras de Deus. Também exaltamos a Deus desse modo. As Suas obras são dignas do Seu Autor. Em meio à Natureza, contemplando as maravilhas do mar, as grandezas dos céus, os animais em sua variedade imensa, nós podemos exaltar ao Criador. Com efeito, o mar, a terra e os céus – todos em uníssono exaltam o Seu Criador. Muitos ateus já reconheceram que as obras vistas da Natureza proclamam silenciosamente, mas não menos convincentes, que há um poderoso Deus que deve ser reconhecido e exaltado.
5) Colocando a Deus em 1° Lugar, dando-Lhe a preferência. Se nós O ouvirmos quando nos fala, se nós obedecermos quando nos ordena, se nós O buscarmos na nossa infância e juventude e nas primeiras horas do dia, estaremos colocando a Deus em 1º lugar e exaltando Aquele que deve ter a primazia em nossa vida.
Por que razões Davi exalta a Deus? Davi promete exaltar a Deus por lhe dar 3 vitórias:
1. Vitória contra os Inimigos (v. 1:) “Eu te exaltarei, ó Senhor, porque tu me livraste e não permitiste que os meus inimigos se regozijassem contra mim.” Em campos de batalha, muitas vezes o rei Davi alcançou inúmeras vitórias esmagadoras contra os seus adversários.  Mas ao invés de se exaltar a si mesmo, Davi se lembrou de que a força do seu braço era proveniente de Deus e, portanto, ele promete exaltar ao Senhor porque Deus lhe deu a vitória. Os seus inimigos não puderam se regozijar contra ele.
Nós também temos inimigos. Por todos os lugares se levantam inimigos contra a nossa vida. Mas os nossos maiores inimigos não são de carne e ossos; estes são apenas pessoas que são usadas como instrumentos nas mãos de nosso arquiinimigo, que é Satanás, o Diabo, e seus anjos que são milhões; estes sim são os nossos inimigos que fazem de tudo para nos derrotar e dão gargalhadas e se regozijam com a nossa queda e nossos fracassos. Mas nós podemos alcançar a vitória contra esses adversários, que ao invés de se regozijarem contra nós, eles fugirão, atemorizados: “Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” (Tg 4:7).
2. Vitória contra a Enfermidade (v. 2:) “Senhor, meu Deus, clamei a ti por socorro, e tu me saraste.” Davi também adoecia. Ele se encontrava enfermo certa vez, e clamou por socorro, e Deus o sarou, curou o seu mal, restaurou a sua saúde.
Muitas vezes, nós também adoecemos. Alguma enfermidade começa a minar as nossas energias, e algumas vezes sucumbimos e caímos de cama. O que devemos fazer? Devemos fazer o que fez Davi: ele clamou por socorro, e Deus o atendeu e o curou. Isso também pode acontecer conosco. Mas temos que clamar por socorro, temos que suplicar com fervor; temos que colocar o nosso coração na súplica. Temos que implorar a saúde, dizendo-Lhe mesmo que doentes não podem servi-Lo com perfeição.
No entanto, não basta clamar a Deus por socorro. Muitas pessoas se mantém distantes de Deus e, quando vem a doença, vão clamar ao Senhor exigindo que Ele as cure. Temos, antes de tudo, que ter um relacionamento íntimo com Deus. Temos que ter a capacidade de nos dirigir a Ele como o “meu Deus”, que é o resultado de mantermos uma comunhão ininterrupta com Ele. Deus deve ser um Deus pessoal para mim; Ele é o “meu Deus”. Então, seremos sarados; mas não esqueçamos de Lhe dar graças, exaltando o nome de nosso Deus, porque “Ele é quem perdoa todas as tuas iniqüidades; quem sara todas as tuas enfermidades” (Sl 103:3).
3. Vitória contra a Morte (v. 3:) “Senhor, da cova fizeste subir a minha alma; preservaste-me a vida para que não descesse à sepultura.” Davi esteve à beira da sepultura, quase à morte. Mas Daviprometeu exaltar a Deus porque Ele o livrou da morte. Muitas vezes, Deus nos livrou da morte, e devemos exaltar a Deus por isso. Deus já me livrou de muitos acidentes automobilísticos, Ele me livrou de me afogar no mar e num rio (depois disso eu fui para uma escola de natação). Deus me livrou de assaltantes e bandidos. Muitas vezes, os anjos foram enviados, a fim de que nós escapássemos de ir para o reino dos mortos.
Mas parece que muitos não valorizam o livramento divino. Um dia, um homem foi se gloriar diante do Pastor Henry Feyerabend, dizendo: “Eu tive muita sorte hoje! Um caminhão passou por mim, bem perto e quase me atropelou; por pouco eu não morri.”
“Eu tive mais sorte que você!” disse o Pastor Feyerabend.
“Ah, é? O senhor também quase foi atropelado?”
“Não, eu nem cheguei perto!”

Davi falou sobre o destino de sua alma na morte. E aqui eu abro um parêntesis para nos lembrarmos do pensamento bíblico sobre a alma. O que acontece com a alma de um homem justo quando ele morre? Para onde ela vai? "Bem", dirão muitos "o corpo morre e é sepultado e a alma vai diretamente para o Céu!" Mas isso não foi o que disse o salmista. O que ele disse? Pergunte a Davi: Para onde vai a sua alma na morte? Resposta surpreendente: "Na morte, a minha alma vai para a cova, para a sepultura, mas Deus me livrou disso", reconheceu ele.
Observe bem o v. 3: "Da cova fizeste subir" o corpo? Não, "a minha alma". Se Davi tivesse morrido, naquela circunstância, sua alma iria descer à sepultura, não subir para o Céu. Mesmo “porque Davi não subiu aos céus” (At 2: 34). A alma é mortal e o seu destino final é a sepultura. Disse outro salmo: “Que homem há, que viva e não veja a morte? Ou que livre a sua alma das garras do sepulcro?” (Sl 89:48). Ainda antes de Davi, lemos no livro do patriarca Jó: “Deus redimiu a minha alma de ir para a cova” (Jó 33:28). Este era o mesmo reconhecimento de Davi.
Mas o que significa a alma? Alma é o ser completo do homem; é o próprio homem, com todas as suas faculdades, físicas, mentais e espirituais. Quando ele está vivo, é alma vivente; quando ele está morto, a Bíblia o chama de alma morta, ou cadáver. É por isso que a Bíblia diz que a alma vai para a sepultura quando o homem morre, tanto faz ser justo ou ímpio. Mas um dia todos ressuscitarão do pó: “tendo esperança em Deus, [...] de que haverá ressurreição, tanto de justos como de injustos.” (At 24:15).
II - O Apelo de Davi (v. 4-5)
Depois de sua promessa de exaltar a Deus, Davi faz um apelo a todos os filhos de Deus (v. 4): “Salmodiai ao Senhor, vós que sois seus santos, e dai graças ao seu santo nome.”
1- “Salmodiai ao Senhor!” Isto quer dizer: Cantai louvores ao Senhor. Entoai-Lhe salmos para exaltar a Deus.
2- “Dai graças ao Seu santo nome!” O nome de Deus é santo e devemos dar graças ao nome de Deus. Temos visto muitas pessoas que ao invés de dar graças ao nome de Deus estão tomando o Seu santo nome em vão! Isto é uma transgressão flagrante do terceiro mandamento que diz claramente: "Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o Seu nome em vão!" (Êx 20:7).
Por que Davi apela para exaltarmos o nome de Deus? Ele dá duas fortes razões para isso: v. 5: "Porque não passa de um momento a sua ira; o seu favor dura a vida inteira."
1- A ira de Deus é momentânea, passa logo.
Um dos assuntos mais terríveis que temos de tratar quando estudamos a Bíblia é sobre a ira de Deus. Por isso, ele é um assunto muito negligenciado pelos pregadores. Eu já ouvi muitas pregações sobre dar glória a Deus, mas nunca ouvi uma só referência à ira de Deus. Quando comparamos a ira divina com a ira humana, somos levados a pensar que Deus não tem esse tipo de sentimento. Mas a ira divina significa uma expressão de Sua justiça, e não um mero sentimento. Entretanto, a grande notícia sobre este aspecto do caráter de Deus é que a Sua ira é momentânea, passageira, e logo se aplaca. Graças a Deus por esse fato.
2- A graça de Deus é duradoura, por toda a vida.
Ela dura a vida inteira, ou enquanto nós vivermos. A graça de Deus é o poder que nos salva. Aqui está outro grande motivo para nós darmos graças e louvor a Deus. Vivemos em um mundo de pecado e temos de passar muitas vezes pelo choro e pela angústia, e às vezes passamos por situações desesperadoras. Mas a alegria virá pela manhã. A alegria também faz parte da vida crista. Se o choro vem pela noite, a alegria vem pela manhã. Se a ira de Deus se revela de noite, a Sua graça logo se manifesta pela manhã, quando podemos presenciar o sol brilhando para transmitir a sua alegria.
III - O Testemunho de Davi (V. 6-10)
Davi fala de sua experiência dramática que ele teve sobre a ira de Deus.
1 - Ele revelou a sua auto-confiança: v. 6: "Quanto a mim, dizia eu na minha prosperidade: jamais serei abalado." É perigosa esta atitude, quando a confiança não está baseada em Deus e sim na suas posses materiais. Ele falava confiado em sua prosperidade. Há tantas pessoas hoje em dia, mesmo entre os cristãos, que confiam na suas posses materiais, fazendo delas o seu deus, confiando nelas, e pensando que a sua segurança está na sua prosperidade. Cedo ou tarde serão amargamente decepcionados, porque hoje podemos ser ricos; amanhã podemos perder tudo o que temos.
O resultado de confiar em si mesmo por causa das riquezas é uma queda e diminuição do fervor espiritual. À semelhança de Nabucodonozor, olhamos para as belas coisas que fizemos, contemplamos as nossas casas, o nosso carro de luxo, vislumbramos as muitas terras que temos, e dizemos: “Mas como eu sou bom e poderoso! Quem é que fez tudo isso, quem conquistou todas essas maravilhas senão eu mesmo com toda a minha inteligência?” Uma pessoa que age assim pensa que jamais será abalada, mas isso é muito enganador; é uma falsa segurança. Ela se esquece de que é Deus quem nos dá forças e poder para adquirir riquezas (Dt 8:18). Portanto, “se as vossas riquezas prosperam, não ponhais nelas o coração.” (Sl 62:10).
2- Davi se apressou logo a confessar a Deus que a Fonte de sua prosperidade estava no Seu favor, ou em Sua graça (v.7:) “Tu, Senhor, por Teu favor fizeste permanecer forte a minha montanha.”Deus nos dá o Seu favor, que é graça imerecida, porque nós não a merecemos. Deus é a fonte de nossas montanhas de bênçãos recebidas de Suas dadivosas mãos. Deus é a Fonte de nossa prosperidade. Jamais deveríamos confiar em nós mesmos se Deus nos prospera o caminho. A todo o momento devemos exaltar a Deus por Suas bênçãos.
3- Mas Deus volta o Seu rosto por alguma razão (v. 7, 2ª parte:) “Apenas voltaste o rosto, fiquei logo conturbado.” Davi sentiu que Deus estava desgostoso por alguma coisa que ele tinha feito. Muitas vezes isto acontece conosco e nem estamos nos apercebendo. Muitas vezes Deus retém as Suas bênçãos e nós ficamos conturbados, como aconteceu com Davi. Mas isto Ele faz para nos provar e nos fazer mais espertos, quanto à nossa vida espiritual. Muitas vezes estamos olhando para os nossos talentos, ou para a nossa vida feliz, para a nossa aquisição de conhecimentos que parece superior a dos nossos semelhantes, ou estamos confiando em nossa conta bancária. E então acontece uma perda, e ficamos desapontados. Por que isso aconteceu comigo? Por que foi que Deus fez isso comigo? Pode ser que isso veio para nos dar uma lição por estarmos confiantes demais em nós mesmos.
4- No v. 8, Davi testifica que clamou a Deus. “Por ti, Senhor, clamei; ao Senhor implorei.” Isto significa que ele fez uma oração com muita energia, muita vida e muita confiança. Ele ainda acrescenta que implorou a Deus. Com efeito, a sua oração foi muito angustiante, a sua prece foi deveras perseverante. Muitas vezes, a nossa oração não passa de mera repetição de frases decoradas, frias e sem sentimento. Necessitamos de mais fervor, mais entusiasmo, mais clamor. Precisamos clamar e implorar a Deus que nos atenda. Temos de orar com a mente e com o coração. Temos de revelar a sinceridade de nosso propósito em nos dirigir a Deus como um Pai amorável que está atento às nossas necessidades.
5- Davi argumenta com Deus: v. 9: "Que proveito obterás no meu sangue, quando baixo à cova? Louvar-te-á, porventura, o pó? Declarará ele a tua verdade?" “Senhor, qual seria a vantagem de meu sangue derramado?” Ele continua a argumentar: “Qual seria o louvor que Te daria o pó?” Ou seja: se ele morresse, não poderia mais louvar a Deus, e nem declarar a Sua verdade. É assim que devemos falar com Deus: Temos que apresentar as nossas razões e argumentar com Ele.
Foi Ele mesmo que nos disse para fazermos isso: “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã.” (Is 1:18). “Vinde e arrazoemos”. Temos que apresentar a Deus as nossas razões. Podemos argumentar com Deus. Mas não se esqueça de apresentar os mais poderosos argumentos, que você encontra na Palavra de Deus. Por exemplo: “Senhor, eu pequei, mas Cristo derramou o Seu sangue para me purificar! Portanto, lembra-Te de mim, e perdoa-me!”
Mas Davi, em sua argumentação, tem mais um aspecto polêmico. Há uma doutrina muito disseminada entre os cristãos, que não é defendida pela Bíblia: Eles dizem que na sua morte irão para o Céu a fim de louvar a Deus. Mas o que disse o salmista? “Se o meu sangue for derramado, se eu for para a sepultura, se eu voltar ao pó, não poderei louvar a Deus e nem pregar a Sua verdade.” O mesmo Davi já havia testificado disso em outro salmo: “Pois, na morte, não há recordação de ti; no sepulcro, quem te dará louvor?” (Sl 6:5).
Mas alguém disse que Davi se referia ao seu corpo: “Ele quer dizer que o seu corpo morto não pode louvar a Deus!” Mas esta é apenas uma defesa do preconceito, não a sinceridade do pesquisador atento e honesto. Entretanto, para que ninguém dissesse que ele se referia ao seu corpo, Davi esclarece mais tarde, dizendo: “Os mortos não louvam o Senhor.” (Sl 115:17). Ele não está falando dos corpos dos mortos, mas fala dos próprios mortos, e isso inclui a sua pessoa com todas as suas faculdades físicas, mentais e morais.
Ou seja, os mortos justos não sobem ao Céu para louvar a Deus, mas esperam na sepultura pelo dia quando o Filho do Homem, Jesus Cristo, dirá: “Despertai e exultai, os que habitais no pó!” (Is 26:19; Jo 5:28-29). Então sim, poderão os justos louvar e de fato dirão todos os justos ressurretos: “Eis que este é o nosso Deus, em quem esperávamos, e ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na sua salvação exultaremos e nos alegraremos.” (Is 25:9). Com efeito, disse Cristo: “a tua recompensa, [...] tu a receberás na ressurreição dos justos”, não na morte (Lc 14:14). Este é um argumento incontestável contra a falsa doutrina da imortalidade da alma.
6- Davi pede a compaixão e o auxílio divinos (v.10): “Ouve, Senhor, e tem compaixão de mim; sê tu, Senhor, o meu auxílio.” Também nós precisamos destas duas coisas, a saber: precisamos da compaixão, porque somos pecadores e compaixão é para pecadores; e também precisamos de auxílio a fim de termos forças adicionais para enfrentarmos as nossas lutas da vida diária, e sairmos vitoriosos contra as legiões do mal que se arregimentam contra a nossa fraqueza. Mas pela compaixão de Deus e pelo Seu auxílio, certamente poderemos ser mais do que vencedores por Jesus Cristo, que nos amou e deu a Sua vida por nós.
IV – A Resposta de Deus (v. 11-12)
Como Deus Atendeu ao Clamor de Davi? Como Deus respondeu à oração do Seu servo? É o próprio Davi quem fala de Deus para Deus (v. 11-12:) “Converteste o meu pranto em folguedos; tiraste o meu pano de saco e me cingiste de alegria, para que o meu espírito te cante louvores e não se cale. Senhor, Deus meu, graças te darei para sempre.”
1- Deus lhe devolveu a alegria e extinguiu o seu pranto (v. 11). O choro pode vir pela noite de amargura, tristeza e angústia, mas a alegria vem pela manhã da paz, prosperidade e segurança (v. 5). Portanto, o cristão possui muitas razões para ser alegre, porque tem o fruto do Espírito Santo (Gl 5:22). Ele nos cinge de alegria. Ele nos enche a boca de risos. A nossa alma vive em festa, porque contempla as maravilhas da salvação operada na Cruz do Calvário, por nosso Senhor Jesus Cristo.
2- Com que objetivo? "Para que o meu espírito Te cante louvores" O que significa "espírito"? Falamos sobre o corpo (v. 2), falamos sobre a alma (v. 3). Mas o que significa o espírito? (v. 12). Com o corpo, nos comunicamos com o mundo exterior; com a alma, nos comunicamos conosco mesmos, internamente; com o espírito, nos comunicamos com Deus.
O nosso espírito é a faculdade com a qual nos relacionamos com as coisas do Espírito Santo. Espírito no homem é a faculdade para nos comunicarmos com Deus. É somente através do nosso espírito que podemos ter acesso mental ao nosso Deus. Através do espírito humano nós louvamos e reconhecemos a Deus. E Lhe damos graças. Por isso, disse o apóstolo Paulo: “O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.” (2Ts 5:23).
Conclusão (v. 12b)
Qual é a última promessa de Davi nesta parte final? "SENHOR, Deus meu, graças Te darei para sempre!" Ele começou com uma promessa e termina com uma promessa. Esta simples oração tem uma riqueza de verdades:
1- "SENHOR" significa "Eterno", porque no original é Yahweh, ou Jeová. Ele está orando ao Deus Eterno.
2- "Deus meu" indica o estreito relacionamento de Davi com Deus. Cristo também usou esta expressão quando Ele estava morrendo numa Cruz infamante, pagando pelos pecados de uma raça ingrata, quando falou: "Deus meu, Deus Meu, por que Me abandonaste?!" Cristo foi o único a ser abandonado por Deus porque este era o Seu plano de salvação de todos nós, outrora perdidos pecadores. Mas Deus não abandona a ninguém que tem a Deus como o seu Deus particular e íntimo. Cristo foi abandonado para que nós nunca fôssemos abandonados. Davi nunca foi abandonado por Deus apesar de seus pecados. Você jamais será abandonado por Deus se tiver um estreito relacionamento com Ele, a ponto de poder clamar e dizer-Lhe frequentemente? “Deus meu, Deus meu...”
3- "Graças Te darei para sempre" é a promessa mais confiante, porque promete Davi não somente que Lhe dará graças, mas que fará isso "para sempre". Bem, se Davi ora, clama e fala a um Deus eterno, que é o seu Deus, ele está confiante que Deus lhe dará a vida eterna, porque só assim ele poderia dar graças para sempre ou eternamente. Portanto, quando nós prometemos a Deus que lhe daremos graças, vamos acrescentar que isso será para sempre, confiados na vida eterna que Ele nos dará, e concederá a tantos quantos lhe prometerem que Lhe darão graças para sempre.
Quais são os seus motivos para dar graças a Deus? Certa vez perguntaram a um velhinho se estava passando bem. Ele respondeu: “Eu dou graças a Deus porque, embora eu tenha algumas dores reumáticas, eu estou bem. Eu não tenho mais visão para ler, mas eu estou bem. Eu só tenho dois dentes, mas Deus me ajudou de tal modo que um dente está colocado bem em cima do outro de modo que me permite mastigar os alimentos. Eu dou graças a Deus, porque estou muito bem”.
Você tem motivos para dar graças a Deus? Então faça isso, e prometa ao Senhor, que Lhe dará graças para sempre, e confie na Sua promessa de vida eterna.
Pr. Roberto Biagini
Mestrado em Teologia


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Salmo 27




SALMO 27 – O PARADOXO DO CRISTÃO
(O  HOMEM  DE  FÉ)
         Vamos começar com uma pergunta: Você já se sentiu muito confiante num dia, e no mesmo dia muito desanimado? Você já sentiu que tudo estava muito bem de manhã, e à tarde, tudo já estava muito mal? Você tem altos e baixos em sua experiência cristã?
      Pois Davi também teve a mesma experiência que você. O salmo 27 nos conta sobre o paradoxo da vida de Davi e, por inferência, ''O Paradoxo da vida Cristã''.
     O Salmo 27 é excelente para melhor compreendermos a natureza da fé do homem de Deus. O Salmo 27 apresenta o grande paradoxo da vida cristã: de um lado a fé é confiante e segura em Deus; de outro ela é totalmente dependente, humilde e submissa.
     Temos aqui neste salmo as 2 formas da fé:
1 - Primeiro (v. 1-6), Davi expressa sua inquebrantável confiança no Senhor, mesmo quando um poderoso inimigo o ameaça com a morte (v. 1, 2), e confessa sua completa certeza de vitória.
2 - Contudo, o Salmo 27 é um exemplo dramático de como a fé triunfante se torna a fé militante. Como isso ocorre? Essa mudança pode ser observada quando Davi primeiro fala acerca de Deus (v. 1-6), para depois falar diretamente a Deus (v. 7-12).
      Qual é, portanto, a mensagem do salmo? Este salmo é um hino à fé genuína; e como aprendemos sobre a natureza da fé verdadeira, vamos dar um 2o  título: ''O Homem de Fé.'' Podemos compreender facilmente a mensagem deste salmo nas seguintes divisões:
     – O homem de fé possui 2 coisas.
     – O homem de fé busca 3 coisas.
     As 2 coisas que possui são contrárias, paradoxais: Ele possui segurança como é visto na introdução e esperança como vemos na conclusão. Mas, se ele já possui segurança de salvação, como a espera? E há 3 coisas que busca, que são tão relacionadas entre si, que realmente são uma coisa só.
     Salmo 27:1-3: “O Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo? O Senhor é a fortaleza da minha vida; a quem temerei? Quando malfeitores me sobrevêm para me destruir, meus opressores e inimigos, eles é que tropeçam e caem. Ainda que um exército se acampe contra mim, não se atemorizará o meu coração; e, se estourar contra mim a guerra, ainda assim terei confiança.”
INTRODUÇÃO: O HOMEM DE FÉ TEM SEGURANÇA
     Davi é um homem de fé genuína, e ele expressa isso nas palavras iniciais deste salmo. Sua fé é confiante, tem plena certeza em seu coração, porque como disse Paulo aos Hebreus, fé é uma certeza, fé é uma convicção. Qual é o objeto da fé do rei Davi? É o próprio Deus, cujo nome é Jeová, palavra aqui traduzida por Senhor. O que significa Jeová para Davi? Quem é Deus para o homem de fé?
     V. 1 – "O Senhor é a minha Luz"  E nós que possuímos  a revelação cristológica deste salmo, podemos dizer sem engano:          Jesus Cristo é a minha Luz. Ele é o Sol da Justiça, Cristo é a Luz do mundo.
     Cristo é a Luz que espanca as trevas da ignorância, do desespero e do pecado. Ele elimina também as trevas da morte. Cristo pode iluminar o caminho do crente, pode ser a Fonte da vida, porque a razão de ser Cristo a Luz é porque Cristo é Fonte da vida, visto que a luz é fonte de vida para nós outros.
     Mas notem o possessivo "minha Luz". Para Davi Jeová não era apenas a Luz do mundo, o Sol da Justiça. Ele disse: "Jeová é a minha Luz." Isso significa uma religião pessoal com Deus. De fato, a verdadeira religião não consiste em formas, em cerimônias, em regras, em leis e mandamentos. A verdadeira religião está baseada num íntimo relacionamento com o Deus verdadeiro. Ele é o meu Deus, é a minha Luz, Ele me ajuda pessoalmente, individualmente.
     O que mais significa Jeová para Davi?
     "O Senhor é a minha Salvação" Esta primeira frase, e todo o salmo, estão arranjados em estilo poético em paralelismo sinônimo, que enfatiza poderosamente as boas novas de que o Deus de Israel é um Deus Salvador. Deus não é uma idéia abstrata ou uma especulação filosófica para Davi. Deus Jeová é uma Pessoa que lhe traz luz e salvação.
     E ele completa:
     "O Senhor é a Fortaleza da minha vida". Ou seja, Deus é o meu Refúgio, é o Lugar em que posso me abrigar em meio ao perigo.
     Estas são 3 afirmações acerca de Deus. Lembre-se de que Davi fala acerca de Deus nos Versos 1-6.
     Qual é a conclusão? Se Deus é a minha Luz, a minha Salvação, o meu Refúgio? A conclusão vem em forma de pergunta, que já contém em si uma resposta implícita: "De quem terei medo?" "A quem temerei?" Não haverá temor. Davi possui segurança. Davi não temia aos falsos deuses: eles não existem. Davi não temia aos homens: eles são fracos como a carne. Davi não temia os demônios: nada podem diante de Deus.
     Então, Davi apresenta 2 circunstâncias perigosas e expressa sua confiança.
     1. Ele não teme quando seus inimigos vêm como animais ferozes, famintos, prontos para devorar suas carnes. Ele não teme porque sabe que eles serão confundidos e se destruirão a si mesmos mutuamente.
     2. Ele não teme ainda que venha um exército completo a guerrear contra ele, porque ele sabe que a maioria sem Deus não pode nada, e a minoria com Deus tudo pode.
     Assim, Davi apresenta uma introdução ao Salmo 27, enfatizando que o homem de confiança em Deus tem segurança e não teme. Possui uma fé inabalável em Deus e nEle está completamente seguro.
     Agora notemos: O QUE BUSCA O HOMEM DE FÉ? 3 COISAS:
I – O HOMEM DE FÉ BUSCA A CASA DE DEUS
Versos 4-6: “Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo. Pois, no dia da adversidade, ele me ocultará no seu pavilhão; no recôndito do seu tabernáculo, me acolherá; elevar-me-á sobre uma rocha. Agora, será exaltada a minha cabeça acima dos inimigos que me cercam. No seu tabernáculo, oferecerei sacrifício de júbilo; cantarei e salmodiarei ao Senhor.”
     Notável é a determinação e simplicidade de propósito da fé de Davi: "Uma coisa peço." A consumidora paixão de sua vida é vista em apenas uma coisa. Davi não apresenta uma longa lista de pedidos. Ele simplesmente diz: "Eu peço uma só coisa ao Senhor e a buscarei." Ele queria uma só coisa, mas era determinado a buscar e conseguir. Disse Jesus certa vez a Marta: "Marta, Marta, andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário, ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada." Disse Jesus ao jovem rico: "Só uma coisa te falta."
     Qual a natureza dos nossos pedidos a Deus? Talvez estejamos pedindo muitas coisas e esquecendo o essencial, o mais importante.
     Davi pedia e buscava uma coisa só: "morar na Casa do Senhor." Davi não se refere ao tabernáculo terrestre, porque este ainda não havia sido construído. Salomão o construiu anos mais tarde. Ele se refere à própria habitação celestial, ele deseja morar na Casa de Deus no Céu. 
     1. POR QUANTO TEMPO? "Todos os dias da minha vida."
     Que estímulo poderoso para aqueles que não agüentam ficar na igreja por algumas poucas horas. Quantos há que após uma hora já estão querendo sair. Outros entram e saem muitas vezes. Parece que não têm muito prazer em estar na casa de Deus. Davi queria morar na casa de Deus todos os dias de sua vida.
     2. COM QUE PROPÓSITO?
     (1) "Para contemplar a beleza do Senhor". Davi crê que Deus é maravilhoso e gracioso no Seu templo. Davi deseja contemplar a beleza da santidade de Deus, e por isso pede e busca morar na casa de Deus. Poucos crentes hoje parecem ter descoberto tal atração em Deus; poucos é que possuem tal paixão por Deus.
     (2) Para "meditar no Seu templo". Naquela época, Davi sentia o poder da meditação na adoração. De que maneira Davi procurava adorar a Deus? Não na maneira como os pagãos estavam procurando: eles olhavam para uma imagem de escultura e dirigiam suas petições para aqueles ídolos. Hoje ainda, você pode visitar os templos hindus ou budistas e ver a face dos seus deuses.
     Os israelitas não tinham qualquer quadro de seu Deus. Contudo, o crente hebreu tinha um quadro mental do caráter de Deus, e quando ele trazia o cordeiro sacrificial, ele contemplava a beleza do caráter e santidade de Jeová. Davi deseja, portanto, contemplar pela fé e meditar no templo de Deus a respeito de sua beleza e santidade.
     (3) Para oferecer "sacrifício de júbilo" e cantar louvores a Deus. (v. 6). Aqui está um aspecto importante da vida de todo crente: Ele oferece a Deus sacrifício de júbilo – ele canta louvores a Deus, ele se sente alegre por estar na casa de Deus. Ele diz: "Alegrei-me quando me disseram: Vamos à casa do Senhor." Você se alegra por estar na casa do Senhor? Você tem a alegria da salvação? Você pode dizer: "O Senhor é a minha Luz e a minha salvação?"  
     Com que propósito você vem à igreja? Alguns vêm para marcar um encontro social e ver os seus amigos. Alguns vêm simplesmente para satisfazer a vontade dos pais. Outros comparecem à igreja para mostrar como estão em dia com as modas do mundo ou reparar nas roupas dos seus irmãos. Outros ainda vêm ao templo de Deus para falar muitas coisas. Por que você vem à igreja? Qual é o seu propósito?
     Davi queria morar na casa de Deus para adorar em espírito e verdade, para contemplar a beleza do Senhor, para meditar no seu templo.      Você medita na igreja? Quão difícil em nosso tempo de tanta correria é encontrar pessoas meditando com a sua Bíblia, orando, vendo a Deus pela fé.
     Davi tinha uma fome e sede por Deus. Maria que escolheu a boa parte também tinha anseio por Deus, e ficou admirada assentada aos pés de Cristo para ouvir as Suas palavras. Ela deixou os deveres domésticos para ouvir a Jesus. Quando Cristo falou acerca de Deus, Maria estava ouvindo. Ela entesourou as palavras de Cristo como de supremo valor em sua vida.
     Podemos nós ouvir a Jesus como Maria? Sim, pela leitura cuidadosa do Evangelho de Mateus, Marcos, Lucas e João no NT. Estes vibrantes testemunhos nunca se tornam antiquados. Eles foram escritos não só para informar acerca dos fatos da vida de Jesus, mas para nos fortificar a fé para a vida eterna, para que crendo, tenhamos vida no nome de Cristo.      Esta é a força do cristão – meditar em Deus. Esta era a  força de Davi – contemplar a beleza do Senhor.
     O que acontecerá com tal homem no dia da adversidade? Ele há de temer? Ele há de fugir? Ele será destruído? De modo nenhum! Ele será salvo: "Deus me ocultará no Seu pavilhão", disse Davi. Deus me recolherá para um lugar seguro. Ele vai colocar a você sobre uma rocha. Ele vai exaltar a sua cabeça acima dos seus inimigos.
     O tempo da calamidade está se aproximando deste mundo. Virão as     7 últimas pragas, quando os juízos de Deus serão derramados sem misericórdia, vulcões ativos derramarão suas lavas destruindo jardins, campos, vilas e cidades; terremotos arrasarão metrópoles, mas Deus será o alto refúgio dos que O buscaram. (PP p. 110).
II – O HOMEM DE FÉ BUSCA A PRESENÇA DE DEUS
Versos 7-10: “Ouve, Senhor, a minha voz; eu clamo; compadece-te de mim e responde-me. Ao meu coração me ocorre: Buscai a minha presença; buscarei, pois, Senhor, a tua presença. Não me escondas, Senhor, a tua face, não rejeites com ira o teu servo; tu és o meu auxílio, não me recuses, nem me desampares, ó Deus da minha salvação.   Porque, se meu pai e minha mãe me desampararem, o Senhor me acolherá.”
     Aqui terminaram as expressões de ousada confiança e alegre triunfo. Parece que acabou toda a plena convicção. Esta é a 2a. parte do Salmo 27, e o humor de Davi muda drasticamente. As exuberantes expressões de segurança subitamente dão lugar aos lamentos e humildes súplicas, diretamente a Deus.
     1. De que modo Davi ora a Deus? Não mais se vê a fé confiante, triunfante, mas agora é militante. Agora Davi ''clamava'' ao Senhor.
     Um pastor certa vez recebeu uma carta de uma jovem de Joaçaba, SC, onde, usando uma frase muito comum entre nós, ela disse entre outras coisas: "Pastor, ‘as minhas orações não passam do teto’. Não sinto que estou sendo ouvida. Parece que Deus está tão distante! Não sinto paz de alma. Estou passando por uma grande angústia! E Deus está tão longe, que parece que Ele nem Se importa comigo!"
     O que você deve fazer se isso lhe acontece? Como Davi orava? Ele clamava intensamente. Talvez isso seja a nossa necessidade: precisamos clamar, não só repetirmos orações vazias de fervor e de alma. Temos que derramar a nossa alma diante de Deus e clamar, insistir, perseverar.
     A seguir, Davi reconhece sua necessidade de perdão: "Compadece-Te de mim". Ele pede compaixão. O seu problema não são os seus inimigos, que ele menciona mais embaixo, o seu problema são os seus pecados. À semelhança de Jacó, Davi reflexionou: ''Se eu tiver algum pecado não confessado, o Senhor me abandonará. ‘Mas, Senhor, perdoa-me, não me rejeites na Tua ira (a ira de Deus vem sempre motivada pelo pecado); perdoa-me, e então serei salvo de todos os meus inimigos.’''
     Davi agora luta com Deus em oração. Ele sente o perigo de ser desamparado por Deus, em Sua ira, e ele suplica misericórdia, compaixão e perdão. Ele quer estar seguro do perdão, para que possa receber o Seu auxílio. "Tu és o meu Auxílio, ... ó Deus da minha salvação."
     Lutar com Deus em oração – quão poucos sabem o que isso significa. Ao invés de lutar com Deus em oração e obter vitória, estão lutando contra Satanás e obtendo derrotas. Nossa primeira luta é com Deus, para buscar Sua presença, e insistir em que Ele demonstre a Sua misericórdia e perdão.
     2. Que resposta obteve Davi? Será que ele teve alguma resposta?
    Verso 8: “Ao meu coração me ocorre: Buscai a minha presença; buscarei, pois, Senhor, a tua presença.”
     Aqui está a verdadeira oração: diálogo, não monólogo. A oração não é um monólogo, antes é um diálogo. Você fala diretamente a Deus, e vai embora? É isso que nós lemos no texto? Não, você fala a Deus, e Ele fala ao seu coração. Você fala, e quando termina, você espera um pouco até ouvir a voz de Deus no seu coração. Você sairá cheio de poder espiritual.
     Davi sentiu essa experiência: Ele ouvia a voz de Deus no seu coração e na sua consciência. O mesmo pode acontecer com você. Ore a Deus, clame a Deus e então fique esperando a voz de Deus; não se levante, não seja tão apressado em suas orações. Fique um pouco mais, desfrute da presença de Deus. E você terá as respostas que procura.    
      3. Qual foi a súplica de Davi?
     ''Senhor, compadece-Te de mim e responde-me.'' – A resposta de Deus é uma prova de Sua compaixão. ''Não me escondas a Tua face'' – Ele queria a aprovação divina, a Sua presença. ''Não rejeites com ira o Teu servo.'' Davi teme ser rejeitado por Deus devido aos seus pecados. Mas ao mesmo tempo, sua fé militante e tremente se apega a Deus como o Salvador de Sua própria ira: ''Ó Deus da minha salvação!''
     E ele adiciona uma palavra de segurança e fé em Deus: ''Se o meu pai e minha mãe me desampararem, o Senhor me acolherá!''
     Alguns anos atrás uma jovem senhora se empregou como uma das enfermeiras para cuidar de um paralítico – que era um homem rico que se dedicava às corridas de cavalos. A vida dela era despreocupada, mas sob a atração do Espírito Santo se desenvolveu em seu coração o anelo de encontrar a Deus e o verdadeiro significado da vida. Visitava algumas igrejas, mas não encontrava paz.
     Uma noite, quando ela deixava seu turno, encontrou-se com uma enfermeira adventista que cuidava das crianças naquele lar. Sua conversação logo girou sobre temas religiosos e a senhora adventista compartilhou sua fé com a recém conhecida, que estava tão sedenta da água da vida. O pastor local lhe deu os estudos bíblicos. Ao mesmo tempo em que o ministro habilmente esboçava o quadro da verdade, ela muito contente escreveu aos seus pais com entusiasmo sobre sua nova fé.
     Inesperadamente seus pais a chamaram e questionaram suas novas crenças. Advertiram-na severamente que devia abandonar essa nova religião esquisita ou sua mãe sofreria um choque nervoso. A família era muito unida; por isso, a prova foi severa e a luta era intensa. Então, num dia, como uma resposta vinda do Céu, em meio à luta, sem saber o que fazer, em sua angústia, ela leu as palavras do salmista: "Porque, se meu pai e minha mãe me desampararem, o Senhor me acolherá." (Sl 27:10). Daí, sentiu forças para tomar a decisão final a favor de Cristo.
     A enfermeira jamais lamentou sua decisão de ser fiel a Deus. Embora seus pais nunca aceitaram a fé que ela amava, chegaram a ver com orgulho o serviço de sua filha no campo missionário e em instituições denominacionais em sua própria terra. Com efeito, Deus também jamais abandonará a você, aconteça o que acontecer.
III – O HOMEM DE FÉ BUSCA O CAMINHO DE DEUS
Versos 11, 12: “Ensina-me, Senhor, o teu caminho e guia-me por vereda plana, por causa dos que me espreitam. Não me deixes à vontade dos meus adversários; pois contra mim se levantam falsas testemunhas e os que só respiram crueldade.”
     Davi ainda temeroso – não é mais aquele que disse: "O Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei medo?". Agora ele está temeroso, ele pode ver as hostes inimigas que se levantam contra ele.
     Então ele pede, busca a orientação divina: "Senhor, ensina-me o teu caminho." Senhor, qual é a Tua orientação? Ele havia dito: "O Senhor é a minha Luz". Agora pede: "Senhor, ensina-me o teu caminho." Mas Davi não sabe que o caminho é Deus mesmo? Olhe com fé para Deus e você saberá o caminho. Cristo disse: "Eu sou o Caminho, e a Verdade, e a Vida." (Jo 14:6).
 Este é o grande paradoxo na vida cristã. Davi no princípio tem a certeza da salvação, e da vitória nos versos 1-6. Agora, nos versos 7-14, ele se mostra temeroso. Davi ouviu de suas falsas testemunhas, e teme ser afligido pelos seus inimigos. Este é o paradoxo.
     Muitas vezes a fé descansa em Deus e está confiante – o cristão não teme nada. Outras vezes, a fé está em luta com o inimigo, então o cristão parece temeroso, ele se humilha diante de Deus e pede a Sua presença, e com isso, a Sua misericórdia, pede a Sua orientação, ele quer saber do caminho de Deus, e ele espera pacientemente em Deus, e vence o desespero que o ameaçava.
     Finalmente, o salmo tem também uma conclusão. Este é um salmo didático: possui introdução, corpo e conclusão.
CONCLUSÃO: O HOMEM DE FÉ TEM ESPERANÇA
Versos 13,14: “Eu creio que verei a bondade do Senhor na terra dos viventes. Espera pelo Senhor, tem bom ânimo, e fortifique-se o teu coração; espera, pois, pelo Senhor.”
     Esta é a conclusão. Davi estava em desespero, mas agora a convicção e a esperança renascem da fé confiante. O Verso 13 apresenta a convicção: "Eu creio". Eu sei que verei no futuro a bondade de Deus. Ele tinha fome da bondade divina. Ele mesmo foi quem disse no salmo 23: ''Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do Senhor para todo o sempre.'' O Verso 14 apresenta a esperança: "Espera pelo Senhor". O cristão se reanima da crise para a esperança e vai se fortalecendo.
     Aqui na conclusão, novamente o paradoxo: Quando Davi fala de Deus (v. 1-6), sua fé é forte; quando Davi fala de si mesmo, sua fé é fraca, mas vai descansando em Deus. No 1.º verso, Davi fala de certeza de salvação; no último, de esperança. Ora, se ele já possui a salvação no v. 1, como a espera no v.14?
     Moody certa vez disse: "Quando penso em mim mesmo, não vejo como posso me salvar; quando penso em Jesus, não vejo como posso me perder."
     Foi o que ocorreu com o salmista: Quando contemplava a Deus, tinha certeza de salvação; quando contemplou a si mesmo, ainda tinha que esperá-la. Davi, como vimos, ilustra a história do homem de fé. Ele tem certeza de salvação, mas ele também a espera.
     O homem de fé busca a Casa de Deus, a Presença de Deus, o Caminho de Deus, e isso tudo é uma só coisa: O homem de fé tem sede de Deus, e ele O busca ansiosamente.
     Essa é a nossa vida cristã. Se você teve altos e baixos em sua experiência, isso teve Davi, Paulo e todos os cristãos. E se você agora atravessa uma fase difícil, "espera pelo Senhor, tem bom ânimo, e fortifique-se o teu coração; espera, pois, pelo Senhor." (verso 14)
     Então você poderá dizer: “O Senhor é a minha Luz e a  minha Salvação.  De quem terei medo? O Senhor é a Fortaleza da minha vida; a quem temerei?”

Pr. Roberto Biagini
Mestrado em Teologia
prbiagini@gmail.com
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