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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Dia 19 - Devocional - 50 Dias Transformados pela Palavra

Jornada Espiritual- Dia 19
50 Dias transformados pela Palavra- 
Assista o vídeo com o devocional  para o décimo nono dia- com o 
Pr. Neumoel Stina –Gênesis 39: 7,8,9




E aconteceu depois destas coisas que a mulher do seu senhor pôs os seus olhos em José, e disse: Deita-te comigo.
Porém ele recusou, e disse à mulher do seu senhor: Eis que o meu senhor não sabe do que há em casa comigo, e entregou em minha mão tudo o que tem;
Ninguém há maior do que eu nesta casa, e nenhuma coisa me vedou, senão a ti, porquanto tu és sua mulher; como pois faria eu tamanha maldade, e pecaria contra Deus? Gênesis 39:7-9

A força da integridade

Prover-nos de bons exemplos é uma abordagem pela qual o Senhor decidiu instilar em nós um sentido de sermos bons modelos. Exemplos são efetivos para inspirar-nos a fazer uma mudança. 

José é um exemplo de integridade, pelo que nos temos debruçado sobre a sua vida. Sua vida é uma sucessão de vitórias, como a nossa deve ser. Estas vitórias não foram automáticas, por ser ele um servo de Deus, mas fruto de luta feita de sofrimento e prazer.

José tinha uma escolha: ele poderia ficar e tentar justificar-se (pois afinal eram os atos dela e ele não tinha escolha) ou poderia fugir. 

Diante dessa sedução, José teve várias razões para pecar; no entanto, esteve firme, por causa do seu compromisso para com Deus.

Como José, por vezes, buscamos “explicações” (desculpas) para o nosso erro.José poderia ceder e culpar, depois, seu desejo.

Estas são algumas lições que podem ser aprendidas,a lição mais importante da história de José na casa de Potifar a ser aprendida é a pureza moral.

A sabedoria deste jovem é extraordinária. Podemos todos nós, não importam as nossas idades, aprender estratégias de vitória sobre as tentações.José não teve medo do preço a ser pago por sua decisão. 

Toda escolha tem um preço. Ceder à mulher de Potifar poderia ter um preço, que José não sabia qual, descoberto ou não. Não ceder tinha um preço imediato: a ira da mulher viria sobre ele, como veio.

Fazer o certo não era nutrido pela eventual recompensa. Mesmo que não fosse recompensado por fazer o certo, ele faria o certo.

O preço foi a prisão imediata, mas poderia ser a morte, e a nódoa que ficou sobre a sua biografia. A injustiça nunca foi reparada. A biografia de José ficou injustamente para sempre manchada.

Só lhe importa um julgamento: o de Deus. Mesmo quando José saiu do poço para o topo, dez anos depois, não consta no texto bíblico seguinte que Potifar tenha ido buscar para lhe punir pela injustiça por causa da mentira da sua mulher.

Há um preço pela obediência a Deus a ser pago no tribunal dos homens. No entanto, o que importa mesmo é ser absolvido no tribunal de Deus, diante do qual todos comparecemos a cada dia. 

Quem queremos ser?

A mulher de Potifar, sem nome, escrava do desejo, tornado seu deus?

José, com um nome e uma longa história vivida na certeza que Deus estava com ele?

sábado, 8 de setembro de 2012

22/49-Jesus é resposta para a imperfeição


Jornada Espiritual de 7 semanas- 22º Dia
Jesus é a Resposta para a imperfeição
 
É Possível ser Perfeito?
PR. ALEJANDRO BULLÓN

 “Conheci Ricardo em Vitória (ES). Ele me procurou no hotel uma noite depois de eu ter pregado o tema da luta das naturezas:
- Pastor, acho que Deus é de certa maneira injusto, pedindo de nós perfeição. Ele sabe que nascemos com natureza pecaminosa e que isso nos leva constantemente a errar. Já fiz tantas coisas erradas na vida! Não há maneira de eu ser perfeito.

O que você, meu amigo, entende por perfeição? Pode alguém que já errou muito no passado chegar a ser perfeito?

“E andou Enoque com Deus; e não se viu mais; porquanto Deus para si o tomou” (Gênesis 5:24).
Você não acha que se Deus decide levar alguém para o Céu, deve ser porque esse alguém é perfeito? Mas qual é o motivo por que Deus levou Enoque consigo? A Bíblia diz que: “Ele andou com Deus.”

Analisemos agora o caso de Noé. As Escrituras afirmam que: “…Noé era varão justo e reto em suas gerações…” (Gênesis 6:9).
“Noé era homem justo e íntegro entre seus contemporâneos.” Não seria maravilhoso se um dia Deus dissesse de você: “este é um rapaz justo e íntegro.” Ou: “esta é uma moça íntegra.” Não é isto que você gostaria de ser? Mas por que Noé foi considerado um homem justo e íntegro? A Bíblia afirma: “Noé andava com Deus.”

Lembra-se de Abraão? Ele é chamado “o Pai da Fé”. Você sabia que um dia Deus Se apresentou a ele e disse-lhe: “…Eu sou o Deus Todo-poderoso, anda na minha presença e sê perfeito” (Gênesis 17:1).Percebeu? Tudo que Deus esperava de Abraão era que ele andasse com Deus. O resultado disso seria uma vida de perfeição.

O que dizer de Davi? A Bíblia afirma que: “… achei a Davi filho de Jessé, varão conforme o meu coração…” (Atos 13:22).
Ah! se um dia Deus pudesse dizer isso de nós! O que mais poderíamos esperar? Mas, por que foi que Davi tornou-se “o homem conforme o coração de Deus”? Qual era a maior obsessão da vida de Davi? Nos Salmos 116 encontramos: “Andarei perante a face do Senhor, na terra dos viventes” (Salmo 116:9).

Você percebeu que existe uma frase que é denominador comum na vida de todos os homens mencionados? “Andou com Deus”. Todos eles foram perfeitos porque andaram com Deus. Existia um relacionamento maravilhoso de amor entre Deus e eles. Em sua experiência, tinham chegado ao ponto de não conseguirem mais viver separados de Deus. Por isso Deus os considerou perfeitos, santos, justos, íntegros e retos.

O interessante é que há sempre alguma coisa curiosa na vida de todos eles: Noé um dia ficou embriagado a tal ponto que tirou a roupa e ficou nu, dando um vexame para toda sua família. Você já fez isso alguma vez? Noé fez e Deus diz que ele “era justo e íntegro entre seus contemporâneos”.

Abraão um dia foi tão covarde que teve medo de dizer que Sara era sua mulher e afirmando que era sua irmã, quase empurrou Faraó ao adultério. Os resultados teriam sido terríveis se Deus aquela noite não interviesse milagrosamente. Atitude covarde a de Abraão. Mas, sabe o que Deus diz dele? “Abraão era perfeito”. O apóstolo São Paulo até o chama de “o pai da fé”.

E o que dizer de Davi? Um dia ele caiu fundo no pecado. Mergulhou nas águas turvas do assassinato, da intriga e do adultério. Você já fez isso alguma vez? Nunca? Davi fez, e sabe o que a Bíblia diz dele? Que Davi era um homem “conforme o coração de Deus”.

Há alguma coisa maravilhosa que Deus está querendo nos dizer através da experiência de todos esses homens. Algo grandioso que revolucionará nossa vida e nos mostrará um horizonte infinito de esperança.

Para os seres humanos, uma pessoa é perfeita, santa, justa, íntegra, quando nunca comete nenhum erro, quando faz tudo certinho, quando cumpre todas as normas, leis e regulamentos.

Para Deus, uma pessoa é perfeita quando se dispõe a andar com Ele, quando faz de Cristo o mais importante da vida. Quando compreende tudo o que Cristo fez na cruz por ele e clama por um novo coração capaz de amar, quando sente dor por todo o sofrimento que causou a Cristo com seus erros passados. Para Deus uma pessoa é perfeita quando olha para a cruz e se apaixona por Cristo a ponto de dizer:
- Ó Senhor Jesus, eu Te amo. Eu Te amo tanto que sem Ti a vida não tem sentido. Ajuda-me, por favor a andar Contigo!

Nesse instante, o maravilhoso Deus de amor derrama lágrimas de alegria e segura a fraca mão do homem com Sua mão poderosa. E no instante daquele toque, o passado fica apagado para sempre, não importa se fomos bêbados ou covardes, adúlteros ou assassinos, tudo fica enterrado. Porque naquele momento passamos a ocupar o lugar de Cristo. Ele nos oferece Seus méritos, Sua vida vitoriosa, Seu caráter perfeito e ao mesmo tempo toma sobre Si os nossos pecados e sofre a punição que merecemos por causa deles.

A partir desse momento começa a mais extraordinária e bela das experiências: a experiência maravilhosa de andar com Cristo.
Naturalmente o amor é básico nesta experiência, porque não se pode conviver e ser feliz com uma pessoa que não amamos.

A nossa tragédia, às vezes, consiste em que avaliamos a perfeição de acordo com nossa capacidade de obedecer às normas, com nossa capacidade de viver de acordo com o que a Igreja espera de nós, viver de acordo com os regulamentos de um código moral, enquanto Deus avalia a nossa perfeição em razão do tipo de relacionamento que temos com Ele, porque sabe que o resultado de uma vida de comunhão com Ele será naturalmente uma vida de obediência a seus princípios.

Mas se quisermos andar com Jesus, descobriremos imediatamente que existem muitas coisas de que Ele gosta e nós não gostamos. Existem também coisas das quais Ele não gosta e nós gostamos. O que fazer numa circunstância semelhante? Estamos frente a um impasse. O que fazer? Aqui novamente entra o amor como a solução para o problema.

Quando garoto eu não gostava de mamão. Era uma fruta que não apresentava nenhum atrativo para mim. Um dia até experimentei um pedaço, mas não gostei. Acontece que um dia conheci uma garota extraordinária que hoje é a minha esposa. Comecei a gostar dela e depois de um tempo de namoro nos casamos. Nunca esquecerei o primeiro café da manhã que ela preparou em casa. Ao sair do quarto achei a mesa toda decorada com um arranjo especial e lá no centro da mesa estava um enorme mamão. Do lado da mesa estava ela com um brilho de expectativa nos olhos, como se perguntasse para si própria: “Será que ele vai gostar?” Ocupamos nosso lugar em torno da mesa e depois de pedir a bênção ela partiu o mamão e colocou a metade para mim e a metade para ela. Olhei para a fruta, para ela e outra vez para a fruta. Tive vontade de dizer: “Obrigado, querida, eu não gosto de mamão”, mas não consegui. Eu amava essa garota. Não tinha coragem de desapontá-la. Peguei a fruta gentilmente e praticamente a engoli.
No dia seguinte, ao sair do quarto, fiquei paralisado. Lá no centro da mesa havia novamente um mamão. Olhei para minha esposa e afirmei:
- Parece que você gosta muito de mamão, não é mesmo?
E ela, com a maior naturalidade do mundo, respondeu:
- Para mim praticamente não existe café da manhã sem mamão, querido.
Em fração de segundos imaginei minha vida toda engolindo mamão. Mas ao olhar para o rosto de minha esposa e ver um sorriso de satisfação, senti uma alegria íntima no coração. Eu amava minha esposa. O que podia significar o fato de comer mamão, comparado com a alegria de vê-la feliz?

Entende amigo o que estou querendo dizer? O dia que nos apaixonarmos por Cristo, o dia que chegarmos a amá-Lo com todo nosso coração, a coisa que mais vamos desejar será vê-Lo sorrir. Sem dúvida haverá coisas que O deixarão feliz e que, com a nossa natureza pecaminosa não vamos gostar de fazer. Não acredito que perder o gosto por coisas que estávamos acostumados a fazer ou aprender a fazer coisas que não gostávamos de realizar seja fácil. Haverá um preço que teremos de pagar e planos que teremos que esquecer. Muitas vezes isso exigirá esforço, sacrifício e sofrimento, mas tudo isso terá sentido, se o fizermos por amor à pessoa de Jesus.

O profeta Miquéias explicou um dia a maneira certa de andar com Deus: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e o que é que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, que ames a beneficência, e que andes humildemente com o teu Deus?” (Miquéias 6:8)

Você percebe que a questão não é simplesmente andar com Deus. O importante é andar “humildemente” com Ele. É Ele que dirige. É Ele que mostra o caminho. É Ele que diz como as coisas serão melhores para ambos. Eu O amo e aceito Seu conselho porque Ele sabe o que é bom para mim. Não sou eu que dirijo a caminhada, não sou eu que devo levar Deus por onde acho que devo ir. Apenas seguro a Sua mão e vou. Ele é meu Pai, meu Amigo, meu Irmão, Ele é meu princípio, meu fim, Ele é tudo. Eu apenas me abandono em Seus braços de amor e vou por onde Ele quer e faço o que Ele disser. Afinal de contas, Ele conhece o caminho e o que mais quer é que eu seja feliz.

Tudo isto tem sentido, unicamente quando existe amor. A vida toda é motivada pelo amor de Cristo. Se não existir um relacionamento de amor entre Cristo e nós a vida torna-se vazia, oca. O cristianismo vira um fardo, uma pesada carga de proibições e deveres. Podemos carregá-lo um, dois ou vinte anos, mas, um dia chegamos ao limite e o largamos ou então nos tornamos zumbis, homens sem vida, máquinas que carregam o fardo das obrigações, que cumprem, que obedecem, porém máquinas, sem alegria, sem entusiasmo, incapazes de saber o que é felicidade.

Por aí, um dia, numa roda de amigos, alguém nos pergunta:
- Por que você não bebe?
E quase com vergonha respondemos:
- Porque minha religião me proíbe, é norma de minha Igreja.

A vida toda, às vezes, é levada desse jeito. É a religião, é a igreja o que importa. E Cristo? Onde fica nisso tudo Cristo? O que será que Ele está sentindo? Importa-nos se Ele está sorrindo ou está chorando? Você já pensou nEle como uma pessoa que ama, que sorri, que pode ficar magoado, e que até pode chorar?

Vamos analisar o caso de uma pessoa que vai comprar uma peça de roupa, por exemplo: Ela percorre as lojas, olha as vitrines, até que acha uma roupa que seja adequada ao seu orçamento. Como faz ela para comprar essa roupa? Experimenta, olha no espelho, observa se fica bem nela, se combina com sua cor, com seu corpo, e finalmente, paga e leva a roupa para casa. Podemos dizer que isso é andar com Deus?

Numa ocasião saí com minha esposa para comprar sapatos. Depois de observar vários pares chegou um momento de indecisão para ela. Havia dois pares dos quais ela gostava. Experimentou um, depois o outro. De repente, olhou para mim e perguntou:
- De qual você gosta?
- Olha – respondi – não importa muito de qual eu gosto. Quem vai usar o sapato é você, então leve o que você achar que é melhor.
- Não – continuou ela – eu quero que você escolha para mim.
- Mas por quê?
- Porque eu gosto de você e me sentirei feliz usando os sapatos que você escolher para mim.
Aquilo me emocionou tanto que acabamos levando os dois pares.

É justamente isso que tem que acontecer em nosso relacionamento com Cristo. Ele tem que ser tão amado e tão real para nós que cheguemos ao ponto, antes de comprar uma roupa, olhar para Ele e perguntar:
- Senhor, Tu gostas? Ó Senhor Jesus, eu Te amo tanto que serei feliz usando a roupa que Tu escolheres para mim.

Andar com Deus é tê-Lo presente em nosso dia a dia. Consultá-Lo antes de tomar uma decisão, antes de iniciar um namoro, antes de empreender algum negócio, antes de entrar em algum lugar, antes de sair para algum programa.

Nossa vida não se limita a uma igreja. Não é uma religião que determina os nossos atos. Fazemos ou deixamos de fazer, comemos ou deixamos de comer, vestimos ou deixamos de vestir por amor a Cristo. Se vemos um sorriso em Seu rosto, vamos em frente. Se, pelo contrário, percebemos um ar de tristeza em Seu olhar, ou duas lágrimas rolando por Sua face é hora de parar, não porque a igreja proíbe, mas porque amamos a Jesus e não temos coragem de vê-Lo sofrer.

É possível ser perfeito? Se você acha que ser perfeito significa nunca cometer um erro, não, claro que não é possível. Mas graças a Deus que o conceito bíblico de perfeição é completamente diferente. Para Deus, ser perfeito é “andar com Ele”, como andou Enoque, Noé, Abraão, como andou Davi.

Você já viu um pai levando o seu garoto de 4 anos pela mão? Os passos do pai são compridos e a criança não consegue manter o ritmo do pai, mas ela segura o braço poderoso e vai em frente. Pode de repente tropeçar, pode talvez escorregar, mas enquanto sua mãozinha segurar o braço do pai, ela não cai. Qual é o segredo para não ficar jogada no chão? O braço do Pai. Ele é o seu sustento, é a única garantia de que um dia chegará lá, apesar das possíveis quedas ou tropeços da vida.

Foi por isso que Enoque, Noé, Abraão e Davi foram perfeitos. Enoque segurou o braço do Pai, andou com Ele e não temos notícias de que tenha caído alguma vez. Já os três últimos andaram com Deus, escorregaram na vida, tropeçaram, mas seguraram o braço do Pai e não ficaram caídos; continuaram a caminhada. E Deus os considerou tão perfeitos quanto Enoque.

Você errou alguma vez em sua vida? Não precisa viver atormentado por isso. Olhe para a Cruz de Cristo. Ele já pagou pelo erro que você cometeu. Ele lhe perdoa e o aceita. Você está ferido? A queda foi tão grande que não restam mais forças para estender a mão pedindo ajuda? Não se preocupe. Apenas olhe. Olhe lá na montanha um Deus de amor morrendo lentamente. Por que você acha que Ele sofreu tanto? Foi por amor a você. Foi porque você vale muito para Ele.
- Pastor, – você dirá – não é verdade. Ele não pode me perdoar. O senhor fala isso porque não me conhece.

Você tem razão. Eu não conheço você, mas eu conheço o amor de Cristo. Um dia experimentei a revolta, o vazio e o desespero da alma e Ele me amou, me perdoou e me aceitou. Por isso posso lhe dizer: “Olhe para Cristo, Aquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da Sua glória”.

Abra seu coração a Jesus, imaginando o seguinte: quando um pai vê o seu filhinho que está dando os primeiros passos cair, o pai não corre e castiga a criancinha porque caiu. O pai corre desejoso de ajudá-la a levantar-se. Porque para um pai, a coisa mais linda é ver seu filho aprendendo a andar.

Deus é nosso Pai de amor. Está pronto a levantar-nos, ajudar-nos para um dia chegarmos à perfeição.

ORAÇÃO
Querido Pai, obrigado pela esperança que me dás, apesar do triste passado que eu possa ter vivido. Essa mensagem mostrou que a vida começa no momento de minha entrega a Ti. Obrigado de todo o coração. Em nome de Jesus. Amém.


domingo, 1 de julho de 2012

Estudando Salmos- 15


 Salmo 15 - O Verdadeiro Cidadão do Céu

Você já se perguntou se está preparado para entrar no Céu? Quais seriam as qualidades necessárias para entrar no Céu? Como posso viver de tal modo que não seja decepcionado em minhas expectativas e anseios para morar um dia no Paraíso Celeste? De fato, esta é uma grande preocupação, e deve ser respondida, antes que seja tarde demais.

O Salmo 14 ensina a universalidade do pecado: todos são pecadores, e não há quem busque a Deus. Mas, de acordo com o Salmo 15, como poderia um pecador sequer pensar na possibilidade de entrar na presença de Deus? Após a revelação do Salmo 14, é lógico pensar na impossibilidade de termos acesso a Deus. Entretanto, diz o Salmo 5:7, que é pela riqueza da misericórdia de Deus que entramos na Sua casa, e nos prostramos diante do Seu santo templo, no seu temor. É pela graça de Deus que somos transformados de pecadores em santos. Somente os santos habitarão no Seu “santo monte”.

O salmo 14 foi escrito para que soubéssemos quão pecadores somos. O Salmo 15 foi escrito para que soubéssemos quão perfeitos podemos ser. O Salmo 14 nos coloca no pó; o Salmo 15 nos coloca na glória. O Salmo 14 humilha o pecador; o Salmo15 exalta o justo. Ele é estimulante e desafiador. Ele nos leva a um profundo exame de consciência e a um desejo de agradar a Deus a fim de podermos estar com Ele. Este é o verdadeiro equilíbrio das Escrituras. 

Este salmo é mais uma jóia da Inspiração que usou o poeta Davi para nos presentear com a sabedoria divina. Aqui estão as qualidades do verdadeiro cidadão do Céu. Portanto, trata-se de um assunto essencial, a fim de que não fiquemos desavisados de nossas obrigações espirituais e sociais para com Deus e nosso semelhante.

I – UMA PERGUNTA PERSCRUTADORA (v. 1)

O salmo começa com uma pergunta dirigida a Deus Jeová: “Quem, SENHOR, habitará no Teu tabernáculo? Quem há de morar no Teu santo monte?” Esta é uma das perguntas mais perturbadoras, temidas e decisivas. Já pensou se você fizesse esta pergunta e Deus lhe respondesse: “Você está longe disso!”? Mas Cristo disse certa vez para alguém: “Não estás longe do reino de Deus!” (Mc 12:34).

Muitos estão se perguntando em nossos dias: Diante de tantas igrejas cristãs, qual é a igreja verdadeira? Qual é a que se aproxima um pouco mais da verdade? Mas a pergunta que deveria estar em nossa mente, nestes dias de tanta insegurança e confusão religiosa é esta: “Quem, SENHOR, habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte?” Certamente, uma pessoa que fizer tal pergunta jamais será desapontada com referência à verdade.

A palavra “SENHOR” é correspondente a Yahweh no original, e, portanto, invoca ao próprio Jeová, que é o Deus da redenção e da aliança com o Seu povo. “Tabernáculo” ou “tenda” é o símbolo tradicional de Sua presença para um peregrino, porque somos peregrinos neste mundo, em direção à Canaã celestial, onde é o país dos nossos sonhos. Isso nos traz à lembrança o texto de Hebreus 11, onde lemos acerca dos Heróis da fé, como os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, além de muitos outros, que viveram em tendas e ansiavam habitar com Deus, mas morreram sem ter obtido a concretização de suas esperanças.

Por outro lado, a expressão “santo monte” se refere ao monte Sião, onde foi edificado o templo de Jerusalém, a casa de Deus, na Palestina, monte que se tornou um símbolo da habitação de Deus no Céu, onde foram vistos os 144.000 diante do Seu trono (Ap 14:1).

A pergunta (Sl 15:1) de início poderia transparecer uma conotação legalista, em que certas pessoas exclusivas teriam acesso à morada de Deus, na condição de preencher certos requisitos da Lei e dos mandamentos de Deus. De uma leitura superficial, alguém poderia citar as palavras deste Salmo para dizer que ninguém pode alcançar um alvo tão elevado como a pretensão de habitar com o Eterno, o Criador do universo.

Entretanto, o contexto indica que esse não é o caso. Qualquer pessoa pode chegar ao soberano ideal de subir ao Céu e habitar com o Altíssimo por toda a eternidade. A primeira coisa que tal pessoa faz é se dirigir a Deus e Lhe fazer a mesma pergunta, sinceramente: “Senhor, como é que eu posso estar contigo sempre e morar em Tua companhia? Senhor, eu Te anseio e desejo tanto morar contigo, porque te amo tanto que desejo habitar no Céu onde estás. Como é que eu consigo isso?”

II – UMA RESPOSTA INTRIGANTE (vs. 2-5b)

A pergunta acima só será feita por uma pessoa humilde que já possui características essenciais para ser um cidadão do Céu, porque está sendo atraída pelo Espírito Santo, e é um crente no poder, na bondade e sabedoria de Deus. A resposta de Deus para tal pessoa é como encontramos nos versos seguintes.

1 – O Cidadão do Céu é Íntegro (v. 2a)

“O que vive com integridade.”

Arthur Gordon numa conferência em 1986, contou a seguinte história: Na sala de operação de um grande hospital, uma jovem enfermeira experimentou seu primeiro dia de responsabilidade total.
- "O senhor retirou 11 esponjas, doutor," disse ela ao cirurgião. "Nós usamos 12."
- "Nós as removemos todas," de­clarou o doutor. "Vamos fechar a incisão agora mesmo."
- "Não!" objetou a enfermeira. "Nós usamos 12."
- "Eu tomo a responsabilidade!" re­torquiu o cirurgião com severidade "Suture!"
- "O senhor não pode fazer isso," gri­tou a enfermeira. "Pense no paciente!"
O doutor sorriu e mostrou à en­fermeira a 12ª esponja. - "Você passou," disse o médico. Ele estava testando sua integridade - e ela tinha passado no teste.

O salmista apresenta a maior virtude do cidadão do Céu: integridade! Esta é uma palavra que tem significado amplo. Muito mais do que a ilustração acima pôde transmitir. Não basta procurar um Dicionário para defini-la. Um Dicionário diria que integridade é “inteireza moral, retidão, imparcialidade, inocência” (Michaelis). Entretanto, integridade vai muito além da simples ética moral; integridade na Bíblia é excelência moral na ética e na espiritualidade. É um conjunto de qualidades morais e espirituais que justificam a sua existência. Portanto, para definir integridade corretamente é preciso consultar a Bíblia.

Integridade no Salmo 15 vem da palavra hebraica “tâmyîm” que significa “perfeição”, como encontramos em Gênesis 17:1, onde lemos a mensagem de Deus para Abraão: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito.” Esse homem de Deus tinha 99 anos e ainda não era perfeito. Em certo sentido isso é uma consolação para todos. Mas Deus lhe dava a fórmula para ser perfeito e íntegro: “Anda na minha presença!” Abraão em sua natureza pecaminosa não era íntegro, tanto é que falhou em algumas vezes, mentindo, desconfiando e dissimulando. Mas quando ele se encontrava na presença de Deus, e andando com Ele, era íntegro e perfeito.

Portanto, integridade significa harmonia com Deus, porque ninguém é completo se não estiver em harmonia com o seu Criador.

Assim, integridade é excelência de caráter espiritual que se expande para todas as áreas da vida, e que só pode ser adquirida por meio de uma obra de Deus que permitimos ser realizada em nós, pelo Espírito Santo. Vem do próprio conhecimento do Todo-Poderoso.

Integridade é o clímax de todas as virtudes. É por isso que ela vem em primeiro lugar. Logo depois, vemos as demais virtudes, nos versos seguintes, que são apenas um desdobramento da integridade, e que servem apenas de ilustrações não exaustivas do que faz ou deixa de fazer uma pessoa íntegra. Este é o método em muitos poetas e profetas do Antigo Testamento: Primeiro eles apresentavam o clímax, o melhor, e depois passavam a demonstrar como chegar lá.

Integridade (“tâmyîm” = perfeição) é mais do que aparência externa. Integridade é uma virtude que parte do coração. Os perfeccionistas sem Deus não possuem integridade no sentido bíblico, e na realidade são apenas uma aparência do que se pode ver de seus atos refinados e medidos, externamente. Eles são retratados em Romanos 7, que pinta o quadro do homem que tenta fazer tudo bem, tudo correto, mas faz o mal, porque desconhece a Jesus Cristo. Eles não são perfeitos, apenas tentam ser e, muitas vezes, escondem as suas más intenções, que conspiram contra a integridade verdadeira, que se manifesta em primeiro lugar na vida correta com Deus.

Integridade é amor. É santidade. É andar com Deus, sinceramente. Portanto, a pergunta está respondida: Só uma pessoa santa, íntegra, que tem um relacionamento sincero com Deus poderá habitar no “santo monte”. Qualquer outra virtude parte desse fundamento. E qualquer pessoa pode chegar a esse ideal, se ela desejar ardentemente andar com Deus e viver pelo Seu poder.

2 – O Cidadão do Céu é Justo (v. 2b)

Ele “pratica a justiça.”

Em maio deste ano, um pastor adventista foi ao supermercado de Itajaí, e quando passou pelo caixa com as compras, notou que a jovem não registrara dois produtos iguais, no valor de R$ 14,90 cada. Logo a seguir, sua esposa também percebeu a falha através da nota, e ambos voltaram. Para surpresa da jovem atendente, o pastor lhe disse que ela precisava cobrar R$ 29,80 a mais por dois produtos que haviam passado sem cobrança.

Então, o cartão lhe foi entregue, ela seguiu o procedimento e agradeceu por aquela “gentileza” rara. Isso realmente não se chama de gentileza; o seu nome é “justiça”. Justiça é dar a alguém o que lhe é de direito exclusivo; justiça é dar a alguém o que ele merece. Injustiça seria ficar calado, e levar dois produtos para casa, sem ter pago por eles.

Se integridade é harmonia com Deus, justiça é harmonia com o próximo. Ser íntegro é cumprir os 4 mandamentos referentes a Deus. Ser justo é cumprir os 6 mandamentos referentes ao próximo. Portanto, nestas duas palavras, integridade e justiça, temos resumida toda a Lei dos 10 Mandamentos. Todas as outras virtudes estão baseadas nestas duas e partem delas. O cidadão do Céu é íntegro, e, portanto, ele será justo em todas as suas transações, e em todos os seus relacionamentos, ele será justo com o seu vizinho, até mesmo quando este lhe for injusto.

Ele poderá ser até perseguido por causa da justiça, como previu Cristo em Seu sermão do monte, mas ele ainda assim será justo e correto. Ele sabe que as suas ações são vistas por Deus, e é só isso o que importa, porque ele só deseja fazer a Sua vontade soberana. Essa justiça ele alcança mediante a fé em Jesus Cristo e na Sua confiança no Pai, em Quem ele se deleita e se compraz, como um filho de Deus. (Rm 3:22-24).

3 - O Cidadão do Céu é Verdadeiro (v. 2c)

“E, de coração, fala a verdade.” Ele gosta tanto da verdade que não mente nem por brincadeira!

Hoje vivemos em um mundo de mentiras. Estamos cheios de mentiras por todos os lados. Mentem as propagandas, os filmes de Hollywood, mentem as novelas, mentem revistas e noticiários. Mentem promotores e juízes, mentem os réus e seus advogados. Mentem os patrões e os empregados uns aos outros. Esta é a vida dos cidadãos deste mundo: enganando e sendo enganados.

Certa vez, um colportor vendeu uma coleção de livros para o chefe de uma família no interior da Bahia. Ele assinou o pedido e o colportor prometeu voltar com os livros em 30 dias. Quando chegou o colportor, bateu à porta. Demorou algum tempo até que chegou uma jovem dizendo: “Meu pai não está!” Nesse exato momento, chegou correndo a sua irmãzinha, que ao ouvir isso, falou: “Está sim, o papai está!” E saiu gritando pela casa: “Papai, papai, vem aqui; tem um homem na porta que quer falar com o senhor!”

Outra vez, um senhor bateu à porta de uma casa. Veio uma jovem bem orientada pelos pais, e, imaginando que era alguma cobrança que já esperavam, disse: “Meu pai não se encontra!” O homem respondeu: “Que pena! Eu queria pagar uma dívida que eu tenho com ele!” A moça prontamente falou: “Ah, se é para receber, então, ele está!”

Mas o cidadão do Céu “fala a verdade”! De que modo? “de coração”. Ele é íntegro, e, portanto, ele é verdadeiro porque fala a verdade que procede do coração. Ele é sincero no que diz e fala as coisas exatamente como são, sem fingimentos, sem insinuações ou suposições. Ele está seguro em Deus e, portanto, não teme dizer a verdade. Ele está ligado à Fonte da verdade, e, portanto, ele crê na verdade, fala “a verdade, só a verdade e nada menos do que a verdade”.

Ele também fala a verdade da luz do Evangelho de Deus aos outros. Ele é verdadeiro, e fala a verdade, de coração. Essa coragem e amor à verdade e ao semelhante vem do seguir Jesus Cristo que é “o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14:6).

4 - O cidadão do Céu é benévolo (v. 3)

“O que não difama com sua língua, não faz mal ao próximo, nem lança injúria contra o seu vizinho.”

Certa senhora resolveu sair de casa numa manhã. Ela iria acompanhada de 3 garotas, suas filhas. E chovia um pouco e ela tomou o seu guarda-chuva, e disse: "Vamos nos proteger." E as jovens tomaram também uma sombrinha cada uma. Esperaram um pouco no ponto do ônibus até que chegou. E não havia muito lugar, estava lotado, mas as meninas conseguiram um lugar para a mamãe. E a senhora se assentou ali, e para não incomodar a vizinha ao lado, ela pôs o seu guarda-chuva molhado do lado direito. E lá estava ela com seus pensamentos sem perceber que o ônibus estava se aproximando da sua parada. E as meninas disseram: "Mamãe, está na hora!", e deram o sinal. E aquela senhora preocupada em descer, tinha esquecido de que lado tinha posto o guarda-chuva, e ao invés de ela tomar o guarda-chuva à direita, ia pegando o outro do lado esquerdo. E a mulher que estava do lado já aprontou ali um barulho. Enquanto a senhora descia, ela falava ao pessoal do ônibus: "Este mundo está cheio de ladrões. Já queriam me levar o guarda-chuva. Afinal de contas, eu não sou tão rica!", e humilhava a senhora que cometera um engano.

Lá fora aquela mulher que era uma cristã, disse às suas filhas: "Que pena, a gente sai com bom espírito, e às vezes um fato assim atrapalha a gente." E as meninas disseram: "Esquece isso, mamãe! Deixa isso pra lá. Vamos fazer as nossas compras." E elas estiveram na cidade algumas horas. Depois voltaram, mas era ainda cedo. Mas a senhora já estava cansada e as meninas resolveram fazer um passeio, visitar uma amiga.

A mamãe, porém, queria voltar para casa. Mas não chovia mais. Então, as meninas disseram: "Mamãe, a senhora leva para casa os guarda-chuvas." E a senhora pegou agora os 4 guarda-chuvas e os enfeixou e esperou alguns momentos na fila do ônibus. Chegando o ônibus, ela entrou e lá estava aquela mulher que fez o barulho. E aquela mulher olhou bem, reconheceu aquela senhora, e disse à sua companheira: "Olha aí, o mundo está mesmo cheio de ladrões. Esta mulher ia indo para a cidade e ela quis roubar o meu guarda-chuva, e não conseguiu, porque eu vi e reclamei. Mas ela já conseguiu 4!"

No entanto, aquela mulher estava julgando falsamente. Ela estava detratando um bom caráter. Ela estava difamando e lançando injúria contra uma pessoa justa. Mas assim não age um cidadão do Céu. Ele tem um coração benévolo e pergunta antes de tirar conclusões precipitadas. Ele investiga as coisas sobre o que fala, a fim de poder exercer a benevolência mesmo com a língua e ninguém precisa se proteger de tal pessoa benevolente. Ele é amorável e tem muita consideração para com a reputação dos outros. É um verdadeiro candidato para entrar no Céu, onde não existe a maldade dos nossos dias.

5 - O cidadão do Céu é criterioso (v. 4a)

“O que, a seus olhos, tem por desprezível ao réprobo,
mas honra aos que temem ao SENHOR.”

Uma das virtudes mais preciosas, uma das virtudes mais atraentes e, não obstante, mais raras, é a sensibilidade no julgamento. O cristão possui critérios básicos para julgar coisas e pessoas. Ele vive por princípios e não por mero sentimentalismo. Ele sabe julgar e procede corretamente quando julga.

Mas alguém poderia dizer que isso vai contra as regras do sermão do monte. Respondemos que Cristo não condenou o ato de julgar em si mesmo, o juízo exato que se faz normalmente em nossa maneira de ver pessoas e coisas.  O que Cristo censurou, o que Ele condenou foi o juízo temerário, quando disse: “Não julgueis, para que não sejais julgados.” (Mt 7:1).

Mas note que Ele continua: “Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também.” (v. 2). Ou seja, cada um tem o seu critério para julgar, e todos julgam constantemente, porque é impossível ver uma situação e não passá-la pelo crivo da inteligência. Entretanto, o Mestre dos mestres reprovava, isto sim, o juízo temerário, o juízo perigoso, porque é imprudente, precipitado, injusto e parcial. Mas o próprio Cristo foi criterioso, ao dizer: “Ai de vós escribas e fariseus hipócritas!...” (Mt 23:13).

O apóstolo Paulo ensina, ademais, que todos somos juízes, e, portanto, devemos como cristãos, exercer esse direito com prudência e harmonia, e pecamos quando somos omissos no julgar: “Não sabeis que havemos de julgar os próprios anjos? Quanto mais as coisas desta vida!... Não há, porventura, nem ao menos um sábio entre vós, que possa julgar no meio da irmandade?” (1Co 6:3,5).

O cidadão do Céu é criterioso, é fino em seu julgamento, e sabe quando e onde separar coisas e pessoas. Ele despreza o “réprobo” (rejeitado, não aprovado), e o coloca em seu devido lugar. Ele está baseado nas Escrituras. É o mesmo apóstolo Paulo quem continua o argumento: “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus.” (1Co 6:9-10). Entretanto, o homem íntegro e justo sabe também estabelecer o equilíbrio e ama as pessoas, dando-lhes a oportunidade de conhecer a verdade.

Ele também “honra aos que temem ao Senhor”. Aliás, não se pode fazer isso sem primeiro ser criterioso. Paulo completa esse pensamento, ao dizer: “Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.” (Rm 13:7). De fato, o cidadão do Céu não só honra aos que temem a Deus, como também se regozija na companhia deles. Como disse o próprio Davi: “Quanto aos santos que há na terra, são eles os notáveis nos quais tenho todo o meu prazer.” (Sl 16:3).

Mas nessa passagem (Sl 15:4), vemos nas entrelinhas que ele não só honra aos que temem ao Senhor, como também ele mesmo teme ao Senhor, porque integridade é um relacionamento submisso a Deus. Portanto, não podemos dizer que este salmo é legalista em sua estrutura, porque possui subentendido o pensamento de um homem ligado a Deus. Somente esse homem poderá morar com Ele, e habitar em Seu santo monte.

6 - O cidadão do Céu é confiável (v. 4b)

“O que jura com dano próprio e não se retrata.”

Winton Beaven, vice presidente do Kettering Medical Center, escreveu: “Eu cresci numa comunidade rural da parte superior do estado de Nova Iorque. Meu avô era fazendeiro. Havia poucos contratos escritos. Negócios eram fechados apenas com um aperto de mão. ‘A palavra de um homem era seu fiador,’ costumava dizer meu avô. Se uma pessoa concordou em fazer algo, ela o fará, pouco importam as conse­quências.”

Muito tempo atrás, enquanto o Duque da Burgúndia presidia o Gabi­nete do Conselho Francês, um dos ministros propôs que se rompesse de­terminado tratado, já que o rompimento resultaria em vantagens econômicas importantes para o país. Muitas razões "boas" foram apresentadas para justificar o ato. O duque ouviu em silêncio. Depois que todos fala­ram, ele se ergueu e, colocando a mão sobre uma cópia do acordo, disse com firmeza: "Cavalheiros, nós assinamos um tratado!" E isso encerrou a questão.

Você pode falar com uma pessoa tal e firmar um compromisso, e você sabe que pode confiar nessa pessoa porque ela mantém a palavra, “e não se retrata” mesmo que saia prejudicada desse acordo. Isso é o mínimo que se espera de um cidadão do Céu. Isso é o que se espera de um cristão que professa estar se preparando para um dia morar com Deus.

7 - O cidadão do Céu é honesto (v. 5a,b)

“O que não empresta o seu dinheiro com usura, nem aceita suborno contra o inocente.”

Honestidade é a virtude de um homem íntegro, porque a integridade é a mãe da honestidade, é a raiz de todas as virtudes. Mas, infelizmente, são raros os homens honestos. Vemos na política, no comércio, na alfândega, e algumas vezes na igreja, e em todos os lugares o império da corrupção.

O texto não diz que esse homem justo e íntegro não empresta o seu dinheiro. Diz que ele não empresta com “usura”. Usura é juro excessivo, lucro exagerado, avareza, mesquinhez, ganância. Se um amigo vier lhe pedir algum dinheiro emprestado porque está em dificuldades financeiras, ou porque perdeu alguns bens e precisa reavê-los, ou porque foi roubado, o cristão não se aproveita dessas circunstâncias para exigir juros altos acima do estipulado pelo senso mais honesto, ou por um percentual justo, combinado antecipadamente. Ele não aproveita as oportunidades para roubar do seu semelhante.

Ele também não aceita suborno contra uma pessoa inocente. Imagine um homem pobre e simples que está sendo julgado. Ele tem poucos argumentos para provar a sua inocência, mas todos sabem que ele não é culpado. Então o promotor, querendo ganhar a questão, em um lapso incrível do sistema, propõe aos jurados uma certa quantia em dinheiro, para que votem contra o réu. Um homem íntegro, um verdadeiro cristão, rejeita essa oferta corrupta imediatamente. “Ele não se compra e nem se vende”. Ele não se corrompe com dinheiro, e tem misericórdia dos fracos, que muitas vezes são justos, mas oprimidos pelos ímpios. O cidadão do Céu é honesto e não se aproveita da fraqueza dos outros para aumentar a sua conta bancária.

Vale aqui recordar as palavras do livro Educação: “A maior necessidade do mundo é a de homens - homens que se não comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus.” (Ellen White, Educação, pág. 57).

III – UMA PROMESSA ALVISSAREIRA (v. 5c)

“Quem deste modo procede não será jamais abalado.”

Aqui temos a promessa de Deus para todos os que seguem os passos de Jesus Cristo e estão se preparando para entrar no Céu e habitar no monte Sião, junto a Deus e os santos anjos.

Estamos no limiar da eternidade, e muitos vivem em uma falsa segurança. Somente os que são íntegros poderão entrar nos portais das mansões celestes. Temos nós buscado a Deus a fim de que esse caráter possa ser visto em nós? Se nós buscarmos sinceramente a Jesus Cristo, Ele nos dará o Seu Espírito abundantemente, a fim de transformar a nossa vida, perdoando os nossos pecados e nos levando à integridade e perfeição. Desse modo, jamais seremos abalados, “ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares”. (Sl 46:2).

Pr. Roberto Biagini
Mestrado em Teologia
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